sexta-feira , 17 novembro 2017
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Desesperança é o maior mal para ser o humano

A velha frase “eu sou brasileiro, não desisto nunca” remete à esperança de dias melhores. Teoricamente, transporta-nos à certeza de que amanhã tudo ficará melhor. Pode até ser, mas não é isso que se pode afirmar quando o assunto é a política brasileira. Na prática, o que se ouve é o temor de que a cada dia afundemos mais.

Na sexta-feira (23), o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), disse, durante discurso na abertura de uma palestra, organizada por ele, em um dos plenários do STF, sobre Fraternidade e Humanidade no Direito, que não se pode “demonizar a política”.

Realmente, ministro. Não podemos demonizar a política. Contudo, não há como não imputar na classe dos políticos a culpa dos males vividos pelos brasileiros.

A culpa não é da política e, sim, dos políticos. O que mais assusta não é o que aí está, porque de dois anos para cá, o brasileiro recebe pancada uma atrás da outra. Já acostumou. O couro está grosso e, provavelmente, não doerá tanto.

O que machuca mesmo é a falta de esperança. Essa está se aportando diante dos cidadãos de bem e tirando toda e qualquer perspectiva de melhoria para a população.

É possível tirar boas lições e comemorar, mesmo diante de tantos escândalos, o momento maduro que a democracia brasileira vive. Talvez, para grande parte, a credibilidade da Justiça ainda esteja imaculada, por enquanto.

Mas quando se tenta olhar adiante, a desesperança toma conta, porque até o momento, não há um só nome dos que aí estão que possa servir de alento para as próximas eleições.

E se pensamos em nomes inéditos, o receio de que tenhamos uma avalanche de aventureiros caindo de paraquedas na política para, mais uma vez, despejar falsas promessas e nos desiludir logo adiante é desesperador.

Não sabemos ainda para que rumo seguir, porém, uma coisa é certa. O povo brasileiro não consegue construir uma via de refúgio. E quando falamos em povo brasileiro, citamos os cidadãos que pensam no coletivo e não naqueles que resolveram transformar ideologia política em torcidas fervorosas, divididas em cores.

O povo brasileiro está acostumado com escândalos; com a falta de segurança; com o caos da saúde pública; com as péssimas condições em geral a que os políticos do nosso País nos colocaram.

O que tem causado muita estranheza é a falta de esperança dos brasileiros. Isso é preocupante, porque leva a dois caminhos: 1) Não fará diferença alguma colocar outras pessoas lá, portanto é melhor deixar os que já sabemos que não nos servem; 2) Ou esse país ainda entrará em grande colapso que ameaçará a democracia.

 

Piada da semana

Não basta a vergonha alheia que passamos aqui com nossos políticos, ainda temos de assistir ao presidente da República chegar à Noruega, trocar o nome daquele país por Suécia e afirmar categoricamente que estamos saindo da crise. E mais: achar que aquele povo não está acompanhando nossos escândalos.

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