sexta-feira , 17 novembro 2017
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Baluartes da moral a favor da homofobia

A bancada evangélica aproveita sessão no Sindicato da Construção Civil do DF (Sinduscon) para dar um golpe na legislação que estabelece punição para ações homofóbicas no Distrito Federal. A votação ocorreu na segunda-feira (26). O projeto foi aprovado com nove votos: Bispo Renato (PR), Celina Leão (PPS), Cristiano Araújo (PSD), Delmasso (Podemos), Júlio César (PRB), Rafael Prudente (PMDB), Raimundo Ribeiro (PPS), Sandra Faraj (SD) e Welington Luiz (PMDB).

A Lei Distrital 2.615/2000 foi regulamentada pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB) na sexta-feira (23). Em nota, o GDF lamentou a ação dos distritais e informou que vai recorrer da decisão: “Trata-se de uma atitude ilegal por invadir área jurídica restrita do Executivo, e que não encontra respaldo na realidade dos dias de hoje”.

Ainda de acordo com o texto, o Palácio do Buriti destaca que “o Estado tem que garantir a liberdade de expressão, de credo religioso e o direito de orientação sexual de cada cidadão, evitando qualquer tipo de preconceito e violência”.

Os deputados argumentam que a lei esbarra em seus princípios e que o decreto para derrubar a lei é de “proteção às famílias”.

As famílias precisam de outro tipo de proteção, caros deputados. Elas necessitam que vocês trabalhem mais e roubem menos. Carecem que vocês sejam os “santos” que mostraram ser no período eleitoral.

Muitos de vocês usam a religião apenas como fator multiplicador de votos, porque moral para discutir “valores” vocês não têm. Aliás, princípios, moral e valores passam longe dos senhores.

Vocês querem proteger a instituição família, mas esquece que além de instituição, existem pessoas na formação dessas famílias. Essas são as mesmas que estão sendo lesadas por vocês.

O mais ridículo e revoltante é que dos nove que votaram para derrubar a lei, cinco são réus em ações do Ministério Público do DF, por desvio de emendas da saúde. São eles: Celina Leão, Raimundo Ribeiro, Bispo Renato, Julio César e Cristiano Araújo; e Sandra Faraj, que  responde por quebra de decoro parlamentar por usar verba indenizatória e não pagar por serviços prestados.

Quem irá proteger as famílias que perdem seus entes em hospitais públicos quando vocês, caros distritais, que deveriam defender os interesses da sociedade estão embolsando emendas parlamentares?

Quando esses baluartes da moral derrubam uma lei que pune discriminação e violência contra homossexuais, significa que são a favor dessas atrocidades.

O argumento utilizado por vocês de que estão “protegendo as famílias em nome de Deus” não condiz com o país em que vivemos, que se diz laico. E mesmo que fosse para defender os princípios de uma religião, então por que vocês, em nome de Deus, não prestam os seus serviços, que já são pagos pelo povo, sem usar emendas parlamentares em benefício próprio? A resposta ao cinismo virá em 2018.

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