sexta-feira , 17 novembro 2017
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Promessa de dias bem mais agitados

O brasileiro vive uma grande emoção na política todos os dias, desde que a operação Lava Jato foi deflagrada, em maio de 2014. Não é exagero afirmar que vivemos em sobressaltos.

Porém, desta vez, quem está passando apuros é a cúpula do governo federal, com a possibilidade de Eduardo Cunha concluir acordo de delação premiada junto ao Ministério Público.

Preso desde outubro de 2016, em Curitiba, condenado a mais de 15 anos de detenção pelo juiz Sérgio Moro, o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) está muito disposto a fechar um acordo de colaboração premiada com a Justiça.

Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, o ex-deputado já teria mais de 100 anexos preparados para a colaboração. Aliás, tanto Cunha quanto o doleiro Lúcio Funaro já estão praticamente fechados com o Ministério Público.

A delação de Eduardo Cunha promete atingir diretamente o presidente da República, Michel Temer. Além dele, Eliseu Padilha e Moreira Franco. A expectativa sobre o que o ex-deputado tem a contar à Justiça já está gerando uma previsão de mais tsunamis no cenário político brasileiro.

Não faltam adjetivos pesados e considerados catastróficos para o governo com a delação de Eduardo Cunha que, diga-se de passagem, tem um potencial destrutivo de deixar qualquer um político de cabelo em pé.

Ele já colocou Temer em maus lençóis, durante depoimento junto ao juiz Sérgio Moro, quando contou que Temer participou de reunião com a bancada do PMDB em 2007 para discutir as indicações do partido para diretorias da Petrobras.

Também não poupou o ministro Moreira Franco, quando o acusou de estar por trás de irregularidades na operação para financiar obras do Porto Maravilha, no Rio. A obra foi financiada com verbas do Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS).

Não há dúvida de que o ex-deputado tem muito a contar. Sendo assim, vamos nos preparar para mais cenas teatrais nos próximos capítulos deste verdadeiro filme de terror, que parece não ter fim.

Aliás, melhor que não tenha fim até que se desenrole todo o enredo dessa catástrofe de corrupção que se institucionalizou no Brasil nos últimos anos.

Também vale destacar que esse lamentável filme (que até o momento não se pode prever o final) não está ocorrendo apenas agora, mas já é uma prática que perpetua no Brasil há décadas.

Que seja feita justiça e que o povo brasileiro, por mais que viva em sobressaltos, não se acomode nas palavras de meia dúzia que apelam para a situação econômica e política do País, como se essas investigações tivessem tirado o Brasil dos eixos.

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