quarta-feira , 23 agosto 2017
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A triste sensação dos “Tiriricas” do Brasil

Na quarta-feira (2), o plenário da Câmara Federal votou o parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre a continuidade ou não da denúncia contra Michel Temer. No placar final, 263 deputados votaram “sim”– pelo arquivamento do processo contra o presidente – e 227 votos “não” – que apoiavam a continuidade da investigação contra o presidente, que teria de deixar o cargo.

A vergonha se espalhou Brasil afora, e nós aqui do Distrito Federal também temos nossas vergonhas. Dos oito deputados federais do DF, cinco votaram pela rejeição da denúncia – Alberto Fraga (DEM), Laerte Bessa (PR), Rogério Rosso (PSD), Ronaldo Fonseca (PROS) e Izalci Lucas (PSDB). Outros dois parlamentares votaram a favor da continuidade da denúncia: Augusto Carvalho (SD) e Erika Kokay (PT). Correligionário de Temer, o deputado Rôney Nemer (PMDB) não compareceu à sessão, licenciado desde o falecimento do pai, na semana anterior.

A votação na Câmara Federal não surpreendeu os brasileiros, mas indignou boa parte da população. Nas redes sociais e em conversas de grupos, a sensação era a mesma: “O Brasil não tem jeito”.

Esse grupo de desesperançados se junta ao deputado Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca (PR-SP). Em entrevista, um dia após votar pela abertura de investigação contra o presidente Michel Temer (PMDB), por corrupção passiva, ele criticou o Congresso Nacional e diz não ter o “jogo de cintura” exigido para ser político. “Não vai mudar. O sistema é esse. É toma lá, dá cá”.

O palhaço Tiririca – não esquecendo que o mesmo está em atividade como deputado há sete anos – vê a maioria dos parlamentares trabalhando para atender interesses próprios, em detrimento do povo. Ele avalia que há parlamentares bem intencionados, mas que não conseguem trabalhar porque o “sistema” não deixa.

Para o deputado, os indícios apresentados contra o presidente “era coisa muito forte”. “Acho que ele tinha que entregar os pontos e pedir para sair. Foi muito feio, muito agressivo para o País essas denúncias”, afirmou.

A indignação do deputado é a mesma que boa parte dos brasileiros. Não há como ter esperança de um Brasil melhor com tantos parlamentares trabalhando apenas por seus interesses pessoais.

Nem mesmo as urnas, em 2018, servem de consolo para os cidadãos de bem. Como bem disse Tiririca, eleger novos para quê? Os que não se encaixam no esquema, também não conseguem trabalhar.

E os “tiriricas” brasileiros também fazem coro com o deputado que, quando questionado se o Brasil tem jeito, lembrou uma música antiga de Bezerra da Silva, cujo refrão diz: “Para tirar meu Brasil dessa baderna, só quando morcego doar sangue e saci cruzar as pernas”.

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