quarta-feira , 23 agosto 2017
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As descaradas negociatas políticas

O brasileiro já viu tanto descaramento de seus políticos que atualmente tem assuntos que continuam sendo tão graves que o povo já não se surpreende. Desde o período em que tramitava na CCJ da Câmara a aprovação ou não da continuidade das investigações contra o presidente da República, Michel Temer, estamos nos deparando com negociatas.

Inicialmente, o presidente começou a liberar emendas de valores consideráveis para que os deputados que votassem a seu favor fossem beneficiados. Com a votação no Plenário da Câmara, o mesmo ameaçou deputados da base aliada, prometendo retaliação em cargos ocupados por eles e ou seus indicados.

O toma lá dá cá está em alto tom. Agora, partidos do Centrão ameaçam não barrar uma eventual segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer. O grupo está esperando que o governo redistribua os cargos na administração federal que estão nas mãos dos chamados “infiéis” para os que votaram majoritariamente barrar a primeira denúncia por corrupção passiva contra o peemedebista na Câmara.

Há uma expectativa que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, antes de deixar o cargo, em 17 de setembro, apresente nova denúncia contra Temer por obstrução da Justiça, com base na delação de executivos da JBS.

Com essa conversa de bastidores, esses partidos do Centrão estão tentando chantagear o presidente. Sim, não adianta arrumar outro nome. Isso é chantagem.

Quando o deputado Arthur Lira (AL) diz que uma nova denúncia “pode ser mortal, num cenário desses. É o fim da linha para o presidente”, isso é o mesmo que dizer: “Estou aqui. Votei como você gostaria, agora atenda as minhas indicações”.

O líder do PSD na Câmara, Marcos Montes (MG), avalia que uma eventual segunda denúncia da PGR, no atual momento, pode ser “perigosa” para Temer. “Votamos pela permanência dele para não ter uma turbulência política que contaminasse a retomada do desenvolvimento econômico. (…) Agora ele tem que dar um freio de arrumação. Se não der, essa desorganização política volta e o mercado vai embora. Não adianta ele ficar e continuar com a desordem política”.

Marcos Montes também quer dizer ao presidente: “Votamos com você para você arrumar a casa. Tire esses infiéis, pois nós fomos solidários em te deixar ficar. Queremos nossos cargos”.

Negociatas nossas de cada dia. O pior é que eles reclamam tranquilamente, como se estivessem fazendo a coisa correta. Como todos sabem, votaram, não pelo bem da Nação, mas em benefício próprio.

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