domingo , 22 outubro 2017
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PSDB: as ações contradizem os discursos

Trágica e ao mesmo tempo hilária. Assim é a crise política brasileira. Desde que se desencadeou essa série de denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro que envolve a grande maioria dos partidos políticos, percebemos uma crise de identidade nas legendas.

Melhor dizendo: crise de identidade para eles, porque para a população brasileira nada mais é que puro cinismo. Principalmente com a proximidade das eleições de 2018.

Não basta os parlamentares tentarem de todas as formas mudar o sistema eleitoral para se perpetuarem no poder. Agora, os partidos querem se desvencilhar do governo, como é o caso do PSDB, que vota com o governo, faz acordo de liberação de emendas com o governo, assume quatro importantes ministérios – (Secretaria de Governo, Cidades, Relações Exteriores e Direitos Humanos), mas tenta a qualquer custo criar uma imagem de independência.

Na quinta-feira (17), um vídeo de 10 minutos trouxe duras críticas do PSDB ao governo Michel Temer. Fez uma autocrítica também por ter “aceitado o fisiologismo” e defende com vigor a adoção do parlamentarismo no Brasil.

Nenhum político aparece no vídeo, apenas um interlocutor. O argumento de que o presidente interino do partido, senador Tasso Jereissati (CE), definiu a linha sem consultar a Executiva nacional tucana nada mais é que uma tentativa de dar uma resposta ao Palácio do Planalto, que junto ao PMDB não gostou nenhum pouco do vídeo.

Alguns políticos tentaram minimizar as críticas, mas quem está de corpo e alma no governo Temer já vê com outros olhos, como o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy. O deputado federal licenciado (PSDB-BA) criticou o programa e atacou indiretamente o presidente em exercício do PSDB, senador Tasso Jereissatti (CE), que idealizou a peça publicitária.

“A linha adotada no programa partidário ofende fortemente o PSDB, colocando o partido numa posição extremamente ruim e desconfortável, como se fosse o culpado por todos os problemas, inclusive aqueles criados por governos do PT, dos quais foi oposição”, declarou Imbassahy, em nota. Ele acrescentou que o programa “apresenta colocações rasas, genéricas, e não teve a coragem de apontar os culpados pelos vícios e mazelas que o programa condenou”.

Os ministros das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, e das Cidades, Bruno Araújo, já tinham condenado o teor do programa. Afinal, o PSDB ficou em situação desconfortável, particularmente o secretário de Governo, que ocupa um gabinete do Planalto.

Também é pedir demais aos nobres deputados e senadores que estão nadando de braçada no governo Temer que defendam a posição do PSDB. Afinal, no fim das contas, provavelmente, não restará um partido que não tenha se lambuzado no lamaçal da corrupção brasileira nos últimos 30 anos.

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