quinta-feira , 23 novembro 2017
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Modelo vem com o mesmo motor das demais variações: um 1.0 de três cilindros flex | Foto: Divulgação

Chery anuncia estreia da linha 2018 do compacto QQ

Veículo produzido em Jacareí (SP) chega com a inédita versão Smile e quer se posicionar como o mais barato do País

Desde o início deste ano, o Chery QQ ganhou um atributo quase imbatível no segmento de carros de entrada. O compacto fabricado em Jacareí (SP) estreou na linha 2018 uma inédita versão Smile, que não oferece direção hidraulicamente assistida, ar-condicionado, lavador, limpador e desembaçador traseiro.

A retirada tem um motivo nobre: posicionar o QQ como o veículo mais barato do Brasil, por R$ 25.990. Não que as outras versões tenham encarecido muito: a Look, que retoma os equipamentos perdidos, parte de R$ 29.990, enquanto a top de linha ACT, avaliada pelo Carpress, começa nos R$ 31.490 e oferece luzes de condução diurna, sensor de ré, retrovisores, travas e vidros traseiros elétricos.

O motor é o mesmo em todas as variações: um 1.0 de três cilindros flex, com sistema de pré-aquecimento do etanol e potência de 74 cv com gasolina e 75 cv com etanol. O torque (força), moderado por um câmbio manual de cinco marchas, é de até 10 kgfm a 4.500 rpm.

Os números modestos contrastam com o ótimo consumo: segundo o PBE/Conpet, o QQ com gasolina faz 12,9 km/l na cidade e 14,4 km/l na estrada. Com etanol os números são de 8,9 km/l e 9,9 km/l, respectivamente.

Não pudemos aferir os valores por conta da ausência de um computador de bordo completo – o discreto LCD no quadro de instrumentos apresenta só o consumo instantâneo, em l/100 km. Mas a demora do indicador digital de mostrar a redução do volume de gasolina no minúsculo tanque de 35 litros confirmou os ótimos valores do programa governamental.

Não tão empolgante é o desempenho do QQ. Como quase todo chinês, o modelo exige que as rotações estejam sempre altas (acima dos 3.000 rpm) para que haja fôlego ao fazer uma retomada ou encarar uma subida íngreme. Isso se faz presente, ainda que em menor intensidade, na concorrência formada por Renault Kwid, Volkswagen up! e Fiat Mobi, mas pesa contra o QQ o câmbio com curso longo e engates que transmitem uma sensação de imprecisão.

A direção e a suspensão também exigem uma certa curva de aprendizado. Apesar da evolução quase quântica em relação à instável geração anterior, o novo QQ ainda pode incomodar – ou até assustar – ao passar por ondulações em vias expressas ou cruzar com ônibus e caminhões na estrada. O conjunto com um sistema McPherson na frente e um antiquado eixo rígido na traseira permite que a carroceria incline excessivamente em curvas, sobrecarregando os estreitos pneus 175/65 R14.

A qualidade de construção e acabamento do QQ são indiscutivelmente melhores que o do Effa M100, outro chinês que chegou a obter o título de mais barato, mas saiu do mercado após críticas intensas e um desastroso sistema de pós-venda. Mas o plástico ainda é o material que domina a cabine, cuja simplicidade fica clara nos pinos de trava nas portas e no sistema de som sem Bluetooth. Com comandos entre os bancos, os vidros elétricos também passaram longe das aulas de ergonomia.

Os 3,56 metros de comprimento tornam manobras e balizas fáceis, mas prejudicam o espaço interno para quem viaja no banco traseiro – que só tem encosto e cinto de três pontos nos assentos laterais. A carroceria estreita (1,62 m) permitiu a adoção de somente dois sonares para os sensores de ré (o mais comum são quatro), mas não há almoço grátis: por ser tão pequeno, o QQ tem um porta-malas com só 160 litros, volume inferior até ao oferecido pelo antigo smart fortwo (220 litros).

Ainda que passe longe de ser uma “bomba”, o QQ ainda tem como melhor atributo o preço. O problema é que essa virtude passou a ser compartilhada pelo Mobi e Kwid, cujas vendas cresceram vigorosamente nos últimos meses. E a dupla oferece uma solidez perdida pelo QQ. Ou melhor, por sua fabricante.

Até poucas semanas a Chery era uma das marcas chinesas mais consolidadas do Brasil e a única com fábrica no país. Mas, segundo o site Automotive Business, a Chery China (detentora majoritária da operação brasileira) deseja vender metade de sua fábrica em Jacareí. Além das vendas baixas, a unidade fabril sofre com greves constantes, muitas vezes apoiadas pelo sindicato local, conhecido por ser um dos mais combativos do país.

Apurada por profissionais com alta credibilidade, essa notícia deu força ao tradicional temor dos brasileiros em relação às fabricantes chinesas. Afinal, de quê adianta oferecer três anos de garantia se a empresa sair do Brasil até mesmo antes desse período.

Por enquanto a Chery não comenta as especulações e garante que continua no Brasil. Mas, se a crise se intensificar, a economia ao comprar um QQ pode sair cara a longo prazo.

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