sábado , 20 janeiro 2018
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No exterior, Lava Jato está longe do fim

Foto: ABr/Arquivo

Entre os banqueiros que ainda operam com clientes brasileiros, o clima é de tensão. Eles têm medo de serem presos no Brasil e contrataram advogados para assessorá-los em viagens ao País

Enquanto a Polícia Federal no Brasil estima encerrar os inquéritos da Operação Lava Jato em 2018, as investigações no exterior estão longe de um fim. Na Suíça, Andorra, Espanha e em diversos países latino-americanos, autoridades consultadas pelo jornal O Estado de S. Paulo afirmam que o processo está “longe do fim”.

Apenas na Suíça, cerca de 800 contas com mais de R$ 2,2 bilhões continuam bloqueadas, depois que a Procuradoria em Berna, capital do país, lançou a operação em conjunto com o Brasil em 2017. Por enquanto, “apenas” R$ 660 milhões voltaram aos cofres brasileiros.

Falando na condição de anonimato, um ex-procurador que atuou por anos nas investigações na Suíça confirmou que, até meados do ano passado, dezenas de contas ainda estavam pendentes de avaliação. A falta de um número suficiente de pessoas dedicadas exclusivamente ao caso também teria contribuído para retardar as investigações.

No país helvético, de acordo com o Ministério Público, 60 inquéritos foram abertos. Muitos deles estão ainda em fase de instrução. Em 2017, os procuradores lançaram a terceira fase de investigações, concentrada principalmente em apurar o papel dos bancos suíços e seus gerentes na facilitação da corrupção. Nos últimos meses, investigadores suíços têm realizado viagens ao Brasil para questionar alguns réus.

Entre os banqueiros que ainda operam com clientes brasileiros, o clima é de tensão. Eles têm medo de serem presos no Brasil e, por este motivo, contrataram advogados para assessorá-los em viagens ao País. A Interpol, por exemplo, já foi acionada em um episódio com um ex-gerente de contas. A cautela faz com que esses banqueiros retirem o nome do banco para o qual trabalham de seus cartões de visita.

Latinos

Nem todo o dinheiro ainda bloqueado na Suíça, porém, se refere a brasileiros. Em novembro de 2017, no Panamá, investigadores e procuradores de oito países latino-americanos, Suíça e Portugal se reuniram pela primeira vez para tentar avaliar de que forma poderiam cooperar para fazer avançar os inquéritos relacionados com a Lava Jato, principalmente no que se refere ao papel da Odebrecht.

O caso chacoalhou a política regional, com pedidos de impeachment, afastamento de políticos de alto escalão e a prisão de ex-dirigentes de diferentes países.

O encontro no Panamá não contou com a participação do Brasil. Mas a constatação dos participantes foi clara: o processo ainda levará meses ou anos para poder ser concluído.

Numa declaração conjunta obtida pela reportagem, as autoridades dos dez países indicaram que precisam de tempo. “Nos delitos de corrupção de funcionários públicos e de lavagem de dinheiro, dada a multiplicidade de fatos que se investigam, sua prolongação no tempo, quantidade de pessoas envolvidas, o uso de sistemas financeiros, existência de provas no exterior, assim como a necessidade de traduzir documentos, se exige prazos razoáveis para desenvolver a investigação”, declararam, há dois meses.

Carlos Mancheno, procurador-geral do Equador, foi um dos que alertaram sobre a necessidade de tempo. “A trama de corrupção da Odebrecht está apenas começando na América Latina”, disse, durante o encontro. “Vamos chegar ao final. Mas precisamos do tempo necessário”, afirmou Nestor Martinez, procurador-geral da Colômbia.

Kenia Porcell, procuradora-geral do Panamá, também deixou claro que o processo será longo. “É impossível que uma investigação da magnitude da Odebrecht seja instruída nos prazos comuns”, avaliou. No caso do país centro-americano, o dossiê relativo à construtora brasileira tem mais de 150 mil páginas.

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