domingo , 20 Maio 2018
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A prisão de Lula: espetáculo deplorável

Após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 4 passado, em que negou o pedido de habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tentava impedir sua prisão, o juiz federal Sérgio Moro, titular da 13ª Vara Federal de Curitiba e responsável pela operação Lava-Jato em primeira instância, expediu mandado de prisão para o petista. O documento assinado pelo magistrado dava até as 17h de sexta-feira (6/4) para que ele se apresentasse à Polícia Federal.

A partir daí, começou o espetáculo, que durou aproximadamente 48 horas, cessando por volta das 18h, quando o ex-presidente se entregou.

Antes de se apresentar, Lula mostrou que ele pode desafiar a Justiça. Mostrou também que, além de ser o líder do Partido dos Trabalhadores, também pode ser o líder de uma seita – se bem que o conceito de seita se equivale a partido ou facção.

Além de driblar a determinação do juiz, Lula mostrou todo o potencial venenoso que corre em suas veias, atribuindo à Justiça e à imprensa sua condenação. Afirmou que foi “julgado sem provas” e que emissoras de televisão, jornais, revistas e rádios do interior dedicam-se a atacá-lo. Fez duras críticas ao Ministério Público e ao Judiciário afirmando que ministros votam para agradar a opinião pública.

O espaço neste editorial é insuficiente para relatar os absurdos proferidos pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porém, não é possível deixar de destacar algumas de suas sandices:

– “Vou cumprir o mandado (…) e cada um de vocês se transformará em um Lula.”

– “Eu não pararei porque eu não sou mais um ser humano, eu sou uma ideia, uma ideia misturada com a ideia de vocês.”

– “Quanto mais dias me deixarem lá, mais Lulas vão nascer neste país.”

– “Não adianta tentar parar o meu sonho, porque quando eu parar de sonhar eu sonharei pela cabeça de vocês.”

– “Eles acham que tudo o que acontece nesse país acontece por minha causa.”

– “Quanto mais eles me atacam, mais cresce a minha relação com o povo brasileiro.”

– “Um sonho de consumo deles é que eu não seja candidato. O outro é a foto da minha prisão. Imagino o tesão da Veja, da Globo. Eles vão ter orgasmos múltiplos.”

Para os cidadãos que lutam e torcem por um país sem corrupção ouvir essas sandices é irritante. Mas ter de assistir a sectários (seguidores de seitas) tentarem mudar seus nomes em pleno Congresso Nacional é também revoltante. Na semana que passou, a senadora e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o líder do partido no Senado, Lindbergh Farias (RJ), encaminharam aos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, pedido para que incluíssem em seus nomes parlamentares o “Lula”.

Outros sectários nas redes sociais também seguiram a orientação do ex-presidente e acrescentaram em seus perfis o “Lula”.

Isso nos remete ao sentido pejorativo do termo seita, graças ao fanatismo de certas pessoas, como ocorreu em março de 1997, quando 39 seguidores de uma seita chamada Heaven’s Gate (Portão do Céu) cometeram suicídio em massa porque acreditavam que desta forma partiriam para uma viagem numa nave espacial.

Já imaginaram se, em agosto, o TSE considerar o Lula Ficha Suja e o impedir de disputar as eleições deste ano? Será que teremos outra tragédia nesse sentido? Será que esses sectários irão matar ou morrer por Lula?

Ou será que, com o tempo, esses seguidores irão entender que a Justiça no Brasil deve ser para todos?

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