sexta-feira , 21 setembro 2018
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Feminino, no Centro Cultural Banco do Brasil

Anelis Taurina/Foto: Caroline Bittencourt

Projeto de shows de quatro cidades chega a Brasília celebrando, de 3 a 6 de maio, encontros de artistas de diversos gêneros e origens

Em tempos de discussão da presença do feminino na sociedade, Feminino soma à conversa a expressão desses artistas, além de Elza Soares, Pitty, Fernanda Abreu, Iza, Filipe Catto, Maria Gadú e Juçara Marçal que participam em outros estados.

Cantar o lugar onde o feminino está presente em todos e todas: essa é a ideia que guiou a criação do projeto Feminino, que ocupa o CCBB de Brasília nesta primeira semana de maio (3 a 6). O projeto estreou no CCBB Rio em março, com duas sessões lotadas – os encontros de Elza Soares com Pitty e de Xênia França com As Bahias – e seguirá ainda para São Paulo e Belo Horizonte.

“Nosso desejo é que o público vivencie a força e expressão do feminino com artistas que as carregam em seus universos e, consequentemente, na obra que produzem”, diz Débora Ribeiro de Lima, idealizadora do projeto ao lado de Dani Godoy, do Ninas. “A proposta é produzir um antídoto de resiliência diante do momento mundial de tensão, carregado de insegurança e medo, suscitando no público uma consciência potente, mas amorosa e pacífica”.

Em Brasília

A etapa brasiliense se inicia dia 3, com a dobradinha – Xênia França e As Bahias. Soa no Teatro I a voz profunda e a presença exuberante de Xênia, representante do feminismo negro e também vocalista do grupo Aláfia. Ela apresenta seu segundo disco, embalado nos tambores e vocais em harmonia, e dialoga com As Bahias, duo paulista de vocalistas transgênero, Assucena Assucena e Raquel Virgínia, à frente de um projeto que reúne pegada pop e dançante, postura antimachista e anti-homofóbica e já reconhecida qualidade musical.

No dia seguinte, poesia, amor e homenagem com  Anelis Assumpção e Tulipa Ruiz. As duas levam ao palco o projeto de Serena Assunção, irmã de Anelis – ambas filhas de Itamar, um dos papas da Vanguarda Paulista, o disco Ascensão. Serena, que morreu em março de 2016 aos 39 anos, deixou o disco pronto e Anelis se tornou embaixadora do trabalho, que já contava com a participação de Tulipa, entre outros artistas como Tetê Espíndola, Céu, Moreno Veloso e o Metá Metá. O CD traz cantos dos orixás, projeto erguido desde 2009 e gravado em 2015.

Cada faixa do disco é ainda dedicada a uma personalidade que Serena admirava – Elis Regina, Clara Nunes, Luz Del Fuego, Paco de Lucia e Mãe Menininha do Gantois são algumas delas. Anelis, com três discos gravados – o mais recente, Taurina – deixou de lado seu próprio trabalho para essa missão. Tulipa participou da faixa Ogum no disco de Serena; é uma artista com um sólido discurso de criatividade pessoal, atuando também como ilustradora.

O terceiro show dessa etapa reúne  Alice Alice Caymmi, de figura marcante e voz encorpada, e Jaloo, jovem paraense que mistura pop internacional, eletrônico com música regional. “A questão do gênero sempre esteve latente”, diz ele numa entrevista.1 Sua aparência andrógina e delicada faz um contraste marcante com a Rainha dos Raios de Alice. Ambos performáticos, impactantes.

Para encerrar, dia 6/5, o encontro que a produtora Débora Ribeiro de Lima define como “doce”: a violonista e cantora Badi Assad com a cantora e compositora Tiê. A delicadeza da performance das duas artistas se combina e se multiplica. Com quatro discos gravados, a paulistana Tiê segue carreira sólida; Badi, vinda de família musical, faz turnês internacionais e se dedica à experimentação de sons com o violão, a voz e o corpo.

São Paulo e Belo Horizonte

O primeiro show em São Paulo traz duas cariocas. Fernanda Abreu, garota sangue bom, compositora, cantora, vascaína, nascida na Zona Sul encontra a jovem IZA, criada no subúrbio de Olaria, lançando seu primeiro disco. São artistas com discursos e projetos ao mesmo tempo próximos e contrastantes – gerações diferentes, vivências diversas em uma mesma cidade e a convergência no balanço pop.

O segundo show é de Anelis Assumpção, o mesmo projeto apresentado em Brasília, mas desta vez convidando Juçara Marçal. O terceiro reúne Filipe Catto e Maria Gadú, encontro marcado por contrastes que se complementam. O gaúcho Catto, de voz de timbre agudo e um trabalho com temática e letras incisivas encontra a paulistana Gadú, que traz uma música de extrema delicadeza, nos temas e formatos, interpretada por sua voz forte.

O encerramento do projeto, na capital mineira, programa os shows de Filipe Catto e Maria Gadú, Fernanda Abreu e Iza e Badi Assad com Tiê.

SERVIÇO:

CCBB Brasília – Teatro I

QUINTA, 3/5 – Xênia França convida As Bahias – 20h

SEXTA, 4/5 – Ascensão por Anelis Assumpção + Tulipa Ruiz – 20h

SÁBADO, 5/5 – Alice Caymmi convida Jaloo – 20h

DOMINGO, 6/5 – Badi Assad convida Tiê – 19h

Duração: 75 minutos Ingressos: R$ 20 (inteira) / R$ 10 (meia)

Vendas: Pré-venda para clientes Banco do Brasil começa no dia 14 de abril e segue até o 20 de abril. Venda para o público em geral tem início no dia 21 de abril. Para o show do dia 5, as vendas são exclusivas para clientes Banco do Brasil, de 14 de abril até o dia do show. Bilheteria: de terça a domingo, de 9h às 21h. Online: www.eventim.com.br

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