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Okamotto diz que Lula cogitou aquisição de sítio

Paulo Okamotto/Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula
O imóvel foi comprado no final de 2010, quando Lula deixava a Presidência
O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a ter a intenção de comprar o sítio Santa Bárbara, em Atibaia. Ele ainda disse que parte do acervo presidencial do petista após o término de seu mandato ficaria no imóvel.

Okamotto prestou depoimento ao juiz federal Sérgio Moro nesta segunda-feira, 7, como testemunha de defesa.

Ele foi questionado pela advogada de Fernando Bittar sobre um almoço em 2015, no Instituto Lula, no qual teria sido discutida a aquisição do sítio.

“Teve um almoço. Lula, Kalil, Fernando, não sei se o Fábio também. Esse tema tinha sido tratado. O presidente Lula, já há algum tempo, achava que tinha que comprar o sítio como presente para dona Marisa. Ele tinha um pouco de dúvida, mas tinha essa impressão”, afirmou.

Okamotto também disse que, no final de 2010, o ex-ministro Gilberto Carvalho, afirmou a ele que “teria que providenciar a retirada do acervo presidencial”. “Coisa que eu acabei fazendo, levei para a Granero, como muita gente sabe. Fui informado de que uma parte do acervo algumas peças seria levada para o sítio do Fernando”.

O presidente do Instituto também diz ter frequentado o sítio “algumas vezes” por ter também um imóvel nas redondezas, sempre na presença de Fernando Bittar.

O caso envolvendo o sítio representa a terceira denúncia contra Lula no âmbito da Operação Lava Jato. Segundo a acusação, a Odebrecht, a OAS e também a empreiteira Schahin, com o pecuarista José Carlos Bumlai, gastaram R$ 1,02 milhão em obras de melhorias no sítio em troca de contratos com a Petrobras. A denúncia inclui ao todo 13 acusados, entre eles executivos da empreiteira e aliados do ex-presidente, até seu compadre, o advogado Roberto Teixeira.

O imóvel foi comprado no final de 2010, quando Lula deixava a Presidência, e está registrado em nome de dois sócios dos filhos do ex-presidente, Fernando Bittar – filho do amigo e ex-prefeito petista de Campinas Jacó Bittar – e Jonas Suassuna. A Lava Jato sustenta que o sítio é de Lula, que nega.

Procuradoria tentou barrar depoimento

O Ministério Público Federal requereu “contradita por amizade íntima” ao juiz federal Sérgio Moro no início do depoimento do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, na ação do sítio Santa Bárbara, de Atibaia, em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A contradita é um meio pelo qual se alega a suspeição ou inidoneidade da testemunha por causa de eventual parcialidade por parte do depoente.

Moro solicitou que o pedido fosse registrado, mas ponderou que no entender do juízo a contradita “não impede a tomada do compromisso da testemunha”. Na prática, a decisão de Moro abriu caminho para o depoimento de Okamotto.

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