segunda-feira , 18 junho 2018
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Para ONU, Brasil deve seguir debate sobre plásticos

A poluição provocada pelos plásticos é uma tragédia ambiental global que contamina o solo e os mares/Foto: Martine Perret/ONU Meio Ambiente

Na semana passada, a Comissão Europeia propôs a proibição da comercialização de produtos de plástico descartáveis que são usados apenas uma vez e que possuem alternativas com materiais ambientalmente mais sustentáveis ou biodegradáveis

O debate sobre a proibição de produtos plásticos descartáveis, que vem ganhando força na União Europeia, serve de exemplo para o Brasil. A avaliação é da representante no Brasil do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ONU Meio Ambiente), Denise Hamú.

“Não é só para alarmar a todos, mas pra mostrar e conscientizar que uma ação simples, de usar um material por três segundos, vai impactar na natureza ou no oceano por 200 anos”, diz ela.

Denise explica que, no Brasil, o desafio atual é conscientizar os municípios. Em sua avaliação, a questão territorial dificulta a implementação de políticas de abrangência nacional envolvendo os produtos plásticos. Entretanto, ela alerta se tratar de uma questão urgente para um país que possui mais de 9 mil quilômetros de litoral. “Se não fizermos nada agora, daqui a 50 anos teremos mais plástico no mar do que peixes”.

Na semana passada, a Comissão Europeia propôs a proibição da comercialização de produtos de plástico descartáveis que são usados apenas uma vez e que possuem alternativas com materiais ambientalmente mais sustentáveis ou biodegradáveis. Entre eles, estão cotonetes, canudos, garrafas, mexedores de café e talheres.

A proposta foi motivada pela preocupação com o acúmulo de lixo nos oceanos, que coloca em risco a vida marinha. Também foi sugerida uma meta segundo a qual os países do bloco ficariam comprometidos com iniciativas que os tornem capazes de coletar e reciclar 90% das garrafas plásticas até 2025.

Campanha

A ONU Meio Ambiente realizou nesta quarta-feira (6) um evento no Aquário Marinho do Rio de Janeiro (AquaRio), para conscientizar as pessoas a diminuírem o uso de canudos, sacolas e copos descartáveis. Foram entregues medalhas a escoteiros que assumiram esse desafio junto com suas famílias. No evento, o Grupo Cataratas, gestor do AquaRio e também dos parques nacionais do Corcovado, das Cataratas do Iguaçu, de Fernando de Noronha e das Três Fronteiras, anunciou o início de uma campanha com a meta de reduzir em 80% o plástico utilizado nos locais que administra.

O slogan da campanha será “Se não der para reutilizar, recuse”. “Todo plástico produzido na humanidade até hoje continua existindo. Nossos filhos, netos e bisnetos vão conviver com a garrafinha que estamos usando hoje”, diz Fernando Souza, diretor de sustentabilidade do Grupo Cataratas. Seu raciocínio leva em conta que o primeiro plástico sintético foi desenvolvido em 1907 e que o material leva centenas de anos para se decompor. Segundo o diretor, os quatro parques nacionais recebem anualmente cerca de 4 milhões de turistas, que geram quase 15 toneladas de resíduos plásticos.

O AquaRio também irá inaugurar nos próximos dias uma exposição em que os peixes de três tanques serão substituídos por embalagens plásticas, revelando o futuro dos oceanos caso a produção desses materiais não seja reduzida. Conforme dados da ONU Meio Ambiente, somente no Brasil, 720 milhões de copos descartáveis são utilizados diariamente. A agência também aponta que metade de todos os produtos plásticos são utilizados uma única vez antes de serem jogados no lixo

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