Condição médica chega a afetar uma a cada três mulheres em algum momento de suas vidas, mas pode ser facilmente tratada

A menstruação é um fenômeno que acompanha as mulheres por um longo período da vida, da puberdade até a idade madura. Todos os meses, o corpo feminino passa por mudanças que podem afetar desde o humor até o estado da pele e dos cabelos. Compreender bem o que acontece durante esse período é, portanto, fundamental para que a mulher possa perceber melhor seu próprio organismo e manter a saúde em dia.

Apesar de tamanha importância, falar sobre menstruação ainda é tabu para muitas pessoas, o que dificulta a identificação de diversos sinais do corpo que acabam sendo banalizados e tratados como algo normal – mas alterações na menstruação não são normais. Um deles é o sangramento intenso durante o período menstrual, que frequentemente é menosprezado e encarado como um incômodo que faz parte da vida de algumas mulheres.

Se o sangramento menstrual intenso causa prejuízos na sua qualidade de vida, procure uma equipe médica -  — Foto: Foto: Shutterstock

Se o sangramento menstrual intenso causa prejuízos na sua qualidade de vida, procure uma equipe médica – — Foto: Foto: Shutterstock

Ter um sangramento intenso, de grande volume, por um período extenso e que limita as atividades do dia a dia, não tem nada de normal – é, na verdade, sintoma de uma condição médica chamada de sangramento uterino anormal (SUA) ou menorragia. Esse problema atinge uma em cada três mulheres em algum momento de suas vidas, de acordo com a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), e costuma estar acompanhado de dores, desconfortos e perda de ferro e outros minerais.

Sangramento uterino anormal: o que você precisa saber sobre a condição (Foto: Monika Kozub/Unsplash)
Sangramento uterino anormal: o que você precisa saber sobre a condição (Foto: Monika Kozub/Unsplas)

Para alertar as mulheres que o sangramento intenso, que te faz sentir mal durante a menstruação, não é algo normal, as ONGs Instituto Plano de Menina e Crônicos do Dia-a-Dia (CDD), com o apoio da Bayer, estão realizando o movimento Não É Normal. A iniciativa busca informar e conscientizar o maior número possível de mulheres para que o SUA não seja banalizado e, sim, visto como uma condição médica complexa e que tem tratamento.

Uma das principais ações do movimento foi a realização da Semana SUA, que ocorreu de 19 a 24 de outubro. O tema foi levado a diversos canais de comunicação, incluindo programas da Globo como É de Casa, Encontro com Fátima Bernardes e Bem-Estar. Além disso, uma live no GShow discutiu o SUA e teve a participação da médica Thelma Assis.

A proposta da Semana SUA, além de informar sobre a condição, é fazer com que o tema entre no calendário anual de discussões sobre saúde, para que seja sempre lembrado e debatido. No site da campanha há diversos conteúdos sobre o SUA, inclusive um teste para te ajudar a descobrir se você pode ter essa condição.

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Foto: Divulgação

Além de trazer informação, o movimento Não É Normal quer, literalmente, que as mulheres vistam a camisa da causa: a Amaro criou uma coleção exclusiva com o tema, e todo o lucro arrecadado com as vendas será doado às ONGs Instituto Plano de Menina e CDD.

O Instituto Plano de Menina é uma iniciativa que conecta meninas a conteúdos e oportunidades transformadores, permitindo que meninas sejam protagonistas de suas histórias, por meio de capacitação técnica, desenvolvimento de habilidades socioemocionais e empregabilidade. Já a CDD busca informar para tornar melhor o dia a dia de pessoas que convivem com condições crônicas.

Entenda o SUA

A Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) classifica um sangramento como anormal quando há perda excessiva de sangue a ponto de interferir nas atividades físicas e sociais, impactando a qualidade de vida da mulher. Ou seja: se o sangramento durante o período menstrual é tamanho que chega a causar prejuízos para a sua vida, vale ficar alerta pois isso pode não ser normal.

Além do enorme desconforto causado pelo sangramento intenso, o SUA pode levar à deficiência de ferro e, consequentemente, à anemia – condição que causa fraqueza e cansaço. O fluxo menstrual excessivo também pode ser sintoma de outras patologias, como problemas no útero ou alterações hormonais. Por isso, é fundamental que a mulher procure um médico e converse sobre como se sente.

Mas, apesar de comum, o diagnóstico do SUA é difícil de ser feito. Há dois fatores que complicam o processo: a discordância entre pacientes e profissionais da saúde sobre a intensidade dos sintomas, que frequentemente são tratados como algo normal, e a falta de técnicas para a medição precisa e prática do sangue menstrual. A conscientização das mulheres é, portanto, fundamental para que o SUA não seja menosprezado.

Tratamento

A boa notícia é que nenhuma mulher precisa sofrer com o SUA. Existem muitos tratamentos efetivos para o sangramento menstrual intenso, que podem ajudar a controlar os sintomas e melhorar consideravelmente a qualidade de vida.

Os tratamentos variam de acordo com a causa e características individuais de cada mulher. Entre os tratamentos não cirúrgicos temos anti-inflamatórios, pílulas e o DIU hormonal. Em alguns casos pode ser necessário fazer algum procedimento cirúrgico. O DIU hormonal pode ser utilizado por mulheres de qualquer idade, independentemente de já terem tido filhos ou não.

Se você tem sangramento menstrual intenso e prejuízos na qualidade de vida por conta disso, procure uma equipe médica e busque o tratamento adequado. Sangramento uterino anormal não é normal.

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