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A tradicional Feira do Troca de Olhos D’Água, no município de Alexânia (GO), chega à sua 96ª edição neste fim de semana, prometendo repetir a marca que fez o evento ganhar espaço fixo no calendário turístico de Goiás e do Entorno de Brasília: a confraternização e a alegria entre moradores, artesão e turistas. “Zoin”, como […]
A tradicional Feira do Troca de Olhos D’Água, no município de Alexânia (GO), chega à sua 96ª edição neste fim de semana, prometendo repetir a marca que fez o evento ganhar espaço fixo no calendário turístico de Goiás e do Entorno de Brasília: a confraternização e a alegria entre moradores, artesão e turistas.
“Zoin”, como o povoado é carinhosamente apelidado pelos moradores, fica a 100 quilômetros de Brasília e a 150 quilômetros de Goiânia. A feira é o principal e mais tradicional evento cultural do vilarejo. É realizado há quase 50 anos e, atualmente, acontece duas vezes, uma em cada semestre.
A fórmula do sucesso é a mesma: a tradição do escambo (a troca justa de mercadorias que beneficia ambas as partes), venda de artesanato e comidas típicas, além de shows diversos com artistas como Manassés de Sousa e Renato Matos. Atrações que agitam ruelas, animam bares e lotam restaurantes com gente de todas as idades.
O ponto central da Feira do Troca é a praça da Igreja de Santo Antônio. Barracas e palcos são montados no quadrilátero, mudando o cenário pacato do vilarejo. Durante a semana, menos de mil habitantes circulam pela praça; nos dois dias da Feira da Troca, uma multidão ocupa não só a praça como as pousadas e todos os locais disponíveis que possam abrigar turistas.

Na Feira é possível encontrar uma variedade de artesanato – foto: divulgação
Paragem original de tropeiros que levavam sal no lombo de burros aos rincões goianos, a pequena Olhos D’Água surgiu por promessa religiosa, na década de 1940, e ficou estagnada como tantos vilarejos. Sua situação piorou mais ainda ao surgir a BR-060, ligando Goiânia ao Distrito Federal. Um político mudou o povoado da noite pro dia, levando até os tijolos das casas para a beira da rodovia, batizando o novo local de Alexânia.
Foi em estado de total paradeira que a arte-educadora da Universidade de Brasília (UnB), Laís Aderne e sua trupe, encontrou a vila, onde, então, dinheiro não circulava. O escambo era a única forma de negócio – quem plantava milho trocava por mandioca, por exemplo. Mas havia fartura de artesanato. Laís propôs aos moradores uma extensão do escambo.
Voltando à UnB, sugeriu aos amigos que participassem de sua ideia. Então, eles passaram a levar para o vilarejo roupas, sapatos, panelas e utensílios domésticos usados ou não. Juntavam tudo em montinhos no chão da praça da igreja. Ao mesmo tempo, os moradores reuniam na praça o que tinham a oferecer: potes de barro, plantas, bonecas de pano, tapetes, cobertas e cintos tecidos na fiandeira. Aí a mágica da troca acontecia.
Assim, por volta de 1974, a forma de escambo ganhou nome: “O Troca”. A tradição sobrevive ate os dias atuais, embora a venda de mercadorias tenha se tornado mais forte do que o escambo.
A qualidade do artesanato de “Zoim” fortaleceu a produção e a comercialização dos produtos artesanais. Na feira pode-se encontrar bonecas de pano, de palha de milho ou bananeira, móveis de madeira, cerâmicas, arranjos de flores do cerrado, bordados, cobertores de fiandeiras, plantas ornamentais.

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