Ruas esvaziadas, muita ginástica linguística da velha imprensa para justificar o fiasco e “sincericídios” diante do fracasso

“Hoje é um dia muito triste aqui. A gente organizou esse caminhão, fez toda essa manifestação e acabou não vindo ninguém”. Foi assim que Arthur do Val, deputado estadual conhecido como “Mamãe Falei”, iniciou um vídeo selfie na Avenida Paulista, em São Paulo. Na sequência, o parlamentar – que é pré-candidato ao governo de SP – virou o celular mostrando o público presente.

Atos esvaziados, como o de Brasília, tomaram o país no último domingo (12)

ADRIANO MACHADO/REUTERE

Ao que parece, a ideia do vídeo era ironizar dizendo que não havia ninguém quando havia muita gente. Porém, segundo a Polícia Militar, o público presente não passou de 5 mil pessoas. Foi o suficiente para encher a tela de um celular, mas não chegou aos pés do número de manifestantes que o Movimento Brasil Livre (MBL) imaginou, pois, além de organizar o evento exaustivamente, contou com a adesão de outros grupos, como Vem Pra Rua (VPR), Acredito e Livres e de partidos como o PSOL, Rede, Novo e PDT.

O que se viu aos montes foram piadas e críticas por parte do público nas redes sociais e até mesmo de influenciadores e jornalistas de quem se esperava apoio a um movimento contra o governo do presidente Jair Bolsonaro. Além de o público ter feito a hashtag #derreteMBL ser uma das mais usadas no Twitter, houve uma enxurrada de comentários irônicos como “Manifestação EAD”, fazendo alusão à educação a distância, “manifestação com distanciamento e fique em casa” e outras como “era uma manifestação muito engraçada, não tinha gente, não tinha nada.”

Manifestações MBL fracassam em todo o Brasil neste setembro mbl
(Imagem: Rosana Cerqueira | GloboNews)

Até Felipe Neto se mostrou indignado: “Dividiu a oposição. Fez todo mundo perder tempo brigando nas redes sociais ao invés de focar contra o genocida. Passou imensa vergonha nessas manifestações vazias. Pelo amor de Deus MBL, desaparece, vcs são mais chacota q eu jogando xadrez imitando foca.” O jornalista e sócio fundador do site O Antagonista, Mário Sabino, também não ficou indiferente ao fracasso das manifestações que prometiam dar o troco aos movimentos pró-governo de 7 de Setembro: “O fiasco das manifestações de hoje foi monumental, é ridículo dizer que não.”

Diversos vídeos registrados por populares mostram os esforços de organizadores em várias partes do país tentando reunir o público reduzido de forma a produzir fotos dando a impressão de que havia mais gente: “Junta! Junta pra sair na foto pra imprensa”, dizia o organizador de uma manifestação em Florianópolis enquanto chamava as pessoas para preencher a escadaria de uma igreja católica. Em outra manifestação uma organizadora gritava sobre um caminhão: “Junta, junta, junta todo mundo e levanta as faixas. Lembrando: distanciamento, gente, muito importante. Mas junta, junta, junta, pessoal, vamos fazer esse corredor cheio!”

Foto: Divulgação

Enquanto uns não se decidiam entre juntar ou distanciar para produzir uma boa imagem, outros decidiram pagar para produzir o protesto em si. Segundo a IstoÉ, moradores do bairro Cachoeira, zona norte de SP, afirmaram ter recebido R$ 50 cada para pedir a volta de Michel Temer. De acordo com a matéria, um dos moradores declarou a orientação dada ao grupo: “Faz de conta que tá protestando”.

Apesar da disparidade entre a alta adesão aos atos de 7 de Setembro com o fracasso de público dos de ontem, a velha imprensa continua usando de muita ginástica linguística para defender o indefensável, como uma manchete do Estadão: “Antibolsonarismo é maior força política do País, mas perde potência para o impeachment se permanecer dividido.”  Além disso, para os movimentos de oposição ao governo, parece que quem tem opinião contrária faz parte de um grupo “desqualificado”. É ao que remete a fala da coordenadora do Vem Pra Rua, Marina Vezoni: “Não teve tanta gente, mas teve qualidade de público”.

A questão é que não importam os fatos, as imagens, a vontade da maioria e nem mesmo a verdade, pois na “democracia” da oposição e da velha imprensa as narrativas continuarão sendo as mesmas.

 

Fonte: PATRICIA LAGES | Do R7

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