Fotos: Arquivo / Pés no Cerrado

Pequenos empreendedores e moradores já estão preparados para receber viajantes interessados em explorar os 300 quilômetros que ligam Corumbá de Goiás à antiga capital do Estado, Vila Boa

Fechado em março por conta da pandemia do novo coronavírus, o Caminho de Cora Coralina acaba de ser reaberto aos turistas. Para garantir a segurança, o Governo de Goiás, por meio da Agência Estadual de Turismo (Goiás Turismo), adotou protocolos sanitários que devem ser seguidos integralmente pelos viajantes que percorrem os 300 quilômetros que ligam Corumbá de Goiás à antiga capital do Estado, Vila Boa, numa trilha em meio à natureza preservada do Cerrado. As medidas asseguram o cuidado com a saúde de visitantes, empresários e moradores locais.

Antes da reabertura da trilha, a Associação Caminho de Cora Coralina (ACCC) promoveu, nos dias 18 e 20 de agosto, um treinamento sanitário para operadores de turismo, donos e funcionários de meios de hospedagem, além de outros empreendedores que atuam ao longo do trajeto. As aulas repassaram os protocolos do Ministério do Turismo. Todos que fizeram o curso receberam um certificado, que funciona como uma espécie de selo de qualidade e dá mais segurança ao visitante.

Para o presidente da Goiás Turismo, Fabrício Amaral, a melhor estratégia neste momento é o diálogo. “Conversamos diariamente com empresários, entidades do Poder Público e turistas, porque estamos no pico da doença. Até a chegada da vacina, temos de ser rígidos em obedecer aos protocolos de segurança.” A situação é complexa, ressalta o presidente, e o turista precisa sentir confiança para voltar a viajar. “Estamos conscientes e preparados para a retomada, reabrindo devagar e com muita atenção”, completa.

“A procura está até maior do que antes da pandemia, porque o caminhante sempre planeja de uma a duas trilhas para fazer por ano. Como os nossos parques e o atrativo foram reabertos, com segurança, muitos estão optando por fazer o Caminho de Cora”, comemora Shirlene Álvares, sócia do Pés no Cerrado, empresa de guia turístico que já tem três visitas agendadas: um grupo de oito pessoas para 16 de setembro, um casal de Brasília para outubro e mais turistas da Capital Federal, além de São Paulo e Belo Horizonte, para janeiro do ano que vem.

O Caminho de Cora Coralina passa por oito cidades históricas, oito povoados e três unidades de conservação ambiental, e oferece aos visitantes a possibilidade de cruzar reservas ecológicas, fazendas com sedes antigas, ruínas de lavras de ouro, também cidades com casarões do período colonial e igrejas centenárias.

Considerado estratégico por divulgar as potencialidades do Estado, movimentar a economia, trazer novas oportunidades de emprego e perspectivas para os pequenos empreendedores, o setor turístico é uma das prioridades do Governo de Goiás. Desde janeiro de 2019, o governador Ronaldo Caiado busca resgatar destinos históricos, como o Caminho de Cora Coralina.

Ano passado, o governador conseguiu fechar convênio, junto ao Ministério do Turismo, para investir R$ 1,3 milhão no trajeto, com contrapartida do Tesouro Estadual. O processo está em fase de elaboração de projetos para licitação.

Retomada

A gaúcha Madalena Oliveira, 48 anos, mais conhecida como Madá, mudou-se de Porto Alegre para Brasília em 2002 e, desde então, dois cenários não saem dos seus planos corriqueiros de viagem: a cidade histórica de Pirenópolis e, mais recentemente, o Caminho de Cora Coralina. Ela fez o percurso pela primeira vez no ano passado. Foram 13 dias de viagem para concluir o trajeto completo.

Desta vez, a gaúcha optou por um trecho menor – 24 quilômetros a pé, ao lado de mais três pessoas, saindo de Cocalzinho até o Parque Nacional dos Pirineus, em Pirenópolis. “Estava louca para voltar a fazer a trilha, mas foi necessária essa parada pela situação que todos vivemos neste ano”, disse sobre ao período de isolamento social em função da disseminação da Covid-19. “As pessoas estão voltando aos poucos ao Caminho de Cora, já cruzei com algumas de mountain bikes no último final de semana”, conta.

Em Pirenópolis, a retomada das atividades econômicas ocorre de forma gradual. Mesmo assim, Madá já percebeu que há fiscalização em relação às medidas de higiene cobradas pelo Poder Público. Nos restaurantes, são apenas quatro pessoas por mesa, há o uso obrigatório de máscaras faciais e o distanciamento social é respeitado.

Proprietária de uma loja de roupas no estilo tie dye, Fernanda Nayarah, 29, afirma que os comerciantes estão confiantes de que a movimentação melhore na cidade. Durante a quarentena, as vendas de seu estabelecimento chegaram a cair 70%. “Mantivemos apenas as negociações online”, recorda. Ela acrescenta que, embora os turistas do Caminho de Cora ainda consumam pouco em “Piri”, há sempre a procura pelas pousadas do município.

Fotos: Arquivo / Pés no Cerrado
Secretaria de Comunicação – Governo de Goiás

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