A frase que dá título a esse texto é o refrão de uma música do Eddie, banda que fez trilha sonora para a minha juventude pernambucana. O Eddie é a cara da minha irmã, que até hoje – aos 43, mãe de um tanto de gente, profissional competentíssima, mulherão mesmo – representa para mim a liberdade e a delícia de ser jovem em Recife. Há anos eu não ouvia esse disco, mas, essa semana, me peguei cantarolando esse e outros tantos refrões de Original Olinda Style, lançado em 2003. É dele também Pode me Chamar, toque do celular de Xande que por muito tempo nos fazia continuar cantando mesmo quando ele já tinha atendido o telefone.

Tenho pensado tanto em como inserir alguns minutos de prazer na vida. E passo o dia a falar disso com todo mundo que cruza meu caminho – virtual, claro. “Oi, tem um minutinho pra ouvir a palavra?” Eu sei, parece quase desonesto falar em prazer diante de nosso cenário. Mas sabe o que é? é que não me parece que vamos sair desse roteiro de filme de terror  tão cedo. Aí a gente vai mesmo viver nessa sensação de provisório? Jura? Por mais quanto tempo? E aqui, claro, me refiro aos prazeres que não colocam ninguém em risco. Não é festa, churrasco com o vizinho, deixa eu ir ali na praia com um grupo de seis amigos.

Não nada disso. É menor. E maior ao mesmo tempo. É retomar as leituras, é entrar em um curso de sei lá o quê, é tomar sol de manhã, é pegar firme nos abdominais, dançar no banho, cantar alto um disco de 2003 pra lembrar porque gostava dele. O que fizer sentido pra você, seja lá o que for. É propositadamente incluir no seu dia, todo dia – com a disciplina que você dedica ao trabalho, ao cuidado com os filhos – momentos de prazer. Sem função nenhuma, sem objetivo, só porque você quer. Só porque você tem vontade. Sem julgamentos, viu? Uma analisanda resolveu que quer fazer um nude por dia. Não vai mandar pra ninguém – por enquanto, claro -, mas quer registrar o corpo. Tá ótima.

Eu que entendi a minha falta de sol, quero ele de muito. Eu sei, minha gente, cedo e com protetor, que ainda não enlouqueci. Embora – como todos os que sentem – ando quase, graças a deus. Mas quero que nem na música: com mãos erguidas e pés dançando, do que seca, quara, racha, que derrete, ensopa a roupa, do que me faz querer mar, do que me faz querer estar mais perto de minha irmã e de Xande, dois carnavais em forma de gente, totalmente Original Olinda Style.

Boa semana queridos.

 

Roberta D’Albuquerque é psicanalista, autora de Quemmandaaquisoueu – Verdadesinconfessàveissobre a maternidade e criadora do portal A Verdade é Que…
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