Em áreas mapeadas no Lago Norte, observa-se predomínio de capins exóticos, como a braquiária, considerada uma planta invasora, em diversos pontos do solo exposto e em resquícios de jardins particulares Foto: Divulgação/Rede Terra

Serão reparadas sete áreas com o plantio de espécies nativas do cerrado; o investimento previsto é de R$ 1,4 milhão

A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) aplicará R$ 1,4 milhão ao longo da orla do Largo Norte para a restauração de 40 hectares – equivalentes a cerca de 30 campos de futebol. São recursos de parceria firmada com o Instituto Brasília Ambiental e a Fundação Banco do Brasil por meio do Programa Recupera Cerrado.

Essa ação é baseada no Diagnóstico Ambiental das Áreas Degradadas na Orla Norte do Lago Paranoá, que apontou 31 polígonos degradados ou alterados passíveis de recuperação, abrangendo áreas de preservação permanente (APPs), unidades de conservação e áreas públicas, no total de 202,90 hectares avaliados.

“O trabalho faz parte do Projeto de Recuperação da Orla nas áreas Sul e Norte e tem o objetivo de garantir que o Lago Paranoá cumpra suas funções ecossistêmicas”Sarney Filho, secretário do Meio Ambiente

Com base nesse levantamento, estão sendo elaborados os projetos executivos, que envolvem, nesta primeira etapa, a recuperação em 7 dos 31 polígonos. Neles, haverá o plantio de espécies nativas do cerrado. Segundo o trabalho, em áreas mapeadas no Lago Norte, observa-se predomínio de capins exóticos, como a braquiária, considerada uma planta invasora, em diversos pontos do solo exposto e em resquícios de jardins particulares.

A execução do projeto está a cargo do Instituto Espinhaço – Biodiversidade, Cultura e Desenvolvimento Socioambiental, de Minas Gerais, selecionado por meio de edital.

O secretário do Meio Ambiente, Sarney Filho, ressaltou que o desafio, agora, é conseguir mais recursos para estender a iniciativa às demais áreas que também necessitam de intervenção. “O trabalho faz parte do Projeto de Recuperação da Orla nas áreas Sul e Norte e tem o objetivo de garantir que o lago cumpra suas funções ecossistêmicas, como estabilidade das margens, corredores ecológicos, biodiversidade, embelezamento de Brasília, amenização do clima, navegação e lazer”, disse.

Projeto identifica 31 polígonos passíveis de recuperação na orla do Lago Norte | Foto: Divulgação/Sema

R$ 2,46 milhõessão aplicados desde 2019 na orla do Lago Sul

Avanço no Lago Sul

O secretário do Meio Ambiente explicou ainda que ações semelhantes estão em execução na Orla Sul do Lago, desde o final de 2019, com a aplicação de $ 2,46 milhões.

Ao todo, 75 hectares receberão ações de recuperação por meio de plantio de espécies do cerrado, tanto em áreas de unidades de conservação (parques, áreas de relevante interesse ecológico), quanto em áreas na APP da Orla Sul e na Arie do Riacho Fundo, que auxilia no abastecimento do Lago Paranoá, e vem sofrendo forte pressão da ocupação urbana.

Inicialmente o projeto previa o plantio de 65 hectares, mas no final do ano outros 10 hectares foram adicionados ao quantitativo final da área, totalizando os 75 hectares.

“Mesmo diante das dificuldades que surgiram com a pandemia, avançamos muito até agora, utilizando os R$ 2,46 milhões que foram repassados à Sema pelo Fundo Único do Meio Ambiente (Funam). O dinheiro veio de indenizações decorrentes da desobstrução judicial de áreas que foram ocupadas ilegalmente naquela área”, informou.

Além da recuperação de áreas que estão sendo selecionadas no Lago Norte, a subsecretária de Assuntos Estratégicos da Sema, Márcia Coura, acrescentou que o programa promoverá ações de conscientização junto à comunidade local. Está prevista uma campanha educativa, adiantou.

Critérios

Na Orla Norte do Paranoá, as áreas abrangidas pelo diagnóstico estão, em sua maioria, dentro de unidades de conservação (UCs), como a Área de Proteção Ambiental (APA) do Lago Paranoá e a Área de Proteção Permanente (APP) do Planalto Central.

De acordo com os técnicos, esses locais apresentam cobertura vegetal degradada ou alterada, com presença de espécies invasoras que inibem o crescimento de árvores e gramíneas nativas. Esta situação também contribui para a ocorrência de incêndios no período de estiagem.

Um exemplo citado é o Parque Ecológico Enseada, nas proximidades do Centro Olímpico da UnB com cerca de 19 hectares de áreas degradadas. O diagnóstico também apontou problemas em regiões residenciais no Setor de Habitações Individuais Norte (SHIN) e no Setor de Mansões do Lago Norte (SMLN).

São destacados, ainda, o Parque Ecológico Varjão, o Parque Ecológico do Lago Norte, o Parque Ecológico das Garças e áreas que englobam Unidades de Conservação e as enseadas dos Ribeirões Bananal e Torto, além de outras com alta prioridade para recuperação.

“Alguns trechos fora das APPs, situados nas unidades de conservação, foram inseridos como prioritários, considerando o papel na proteção do Lago Paranoá”Consideração feita no estudo do Projeto de Recuperação da Orla nas áreas Sul e Norte do Lago Paranoá

Sistema

A metodologia utilizada pelo Instituto Espinhaço incluiu pesquisa de informações secundárias, coleta de dados e mapeamento das áreas. Também foi realizada a avaliação das áreas que necessitam de recuperação, identificação da cobertura vegetal, fitofisionomia original, histórico de ocupação, uso do solo, estado de degradação/conservação do solo, grau de erosão, presença ou ausência de espécies exóticas, estado de desenvolvimento da regeneração natural, tipos de solo, déficit de APPs, entre outros aspectos.

“Os polígonos identificados no estudo devem ser protegidos e manejados para melhorar a ciclagem hídrica e o fluxo genético da biodiversidade local. Todos são APPs, cuja vegetação encontra-se alterada ou degradada por motivos diversos de histórico de uso e ocupação. Alguns trechos fora das APPs, situados nas unidades de conservação, foram inseridos como prioritários, considerando o papel na proteção do Lago Paranoá”, aponta o documento, elaborado pelos engenheiros florestais Ricardo Flores Haidar e Miguel Marinho.

A orla do Lago Paranoá tem um contorno total de 102,31 km, sendo 50,31 km no Lago Sul e 52 km no Lago Norte. O programa da Sema busca promover o equilíbrio ambiental e a preservação de mananciais que abastecem o DF, contribuindo para a segurança hídrica de Brasília.

Informações da Sema/Agência Brasília

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