ECONOMIA

Acionistas da Americanas se dizem surpresos com operação da Polícia Federal

25 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Em nota, grupo afirma que colabora com autoridades para esclarecer os fatos

Fachada de uma filial das Lojas Americanas na Zona Norte do Rio — Foto: Divulgação

Após a Polícia Federal (PF) ter deflagrado uma operação que teve entre os alvos um acionista da Americanas e um ex-conselheiro da empresa, a LTS, holding que administra as participações de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira em dezenas de empresas, divulgou uma nota à imprensa em que o grupo diz ter sido surpreendido pela ação. Na nota, esses acionistas de referência reafirmam que foram enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da Americanas.

Carlos Alberto Sicupira foi um dos alvos da PF hoje, assim como Paulo Alberto Lemann (ex-integrante do Conselho de Administração e filho de Jorge Paulo Lemann).

A Operação Disclosure da PF investiga a fraude bilionária na Americanas, que veio a público em 2023 e provocou um rombo de R$ 25,3 bilhões na companhia. Na ação, policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Pela primeira vez, a investigação chegou aos acionistas da Americanas e a executivos de grandes bancos.

A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o sequestro de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões. A operação tem apoio do Ministério Público Federal (MPF) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“Os acionistas de referência foram surpreendidos pela operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira, 25 (Disclousure). As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal ao longo dos últimos anos, inclusive com base em acordos de colaboração premiada, indicam que o Conselho de Administração e os acionistas de referência foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da companhia”, diz a nota distribuída à imprensa.

No texto, o grupo afirma ter tido conhecimento das fraudes contábeis em 11 de janeiro de 2023, quando o escândalo veio a público. “Os acionistas de referência entendem que a operação integra o curso regular das apurações em andamento e reiteram seu compromisso de colaborar plenamente com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos”.

A nota conclui que as defesas não tiveram acesso à íntegra da decisão judicial, “razão pela qual aguardam mais informações para eventual manifestação complementar.”

Segundo o colunista Lauro Jardim, a operação da PF de hoje, que integra a segunda fase da Disclosure, é baseada em três delações premiadas (dos ex-diretores Marcelo Nunes, Fabio Abrate e Flávia Carneiro), na quebra de sigilo de dados da Americanas e depoimentos colhidos nos últimos dois anos pela policiais federais e pelo MPF.


BS20260625151232.1 – https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/06/acionistas-da-americanas-se-dizem-surpresos-com-operacao-da-policia-federal.ghtml

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