POLÍTICA

Ala de ministros defende sessão fechada a Fachin para analisar conduta de Moraes, mas presidente do STF é a favor de julgamento aberto

11 de setembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Rito pode ser anunciado nesta sexta-feira; ex-integrantes do Supremo podem acompanhar reunião

Fachin colocou em votação plano estratégico para o STF, mas ministros viram brecha para código de conduta — Foto: Gustavo Moreno/STF/02-10-2025

Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) defendeu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que seja realizada a portas fechadas a sessão extraordinária marcada para a próxima terça-feira, dia 15, para analisar os desdobramentos do caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Fachin, no entanto, é favorável à realização de um julgamento aberto e pode anunciar ainda nesta sexta-feira o rito que será adotado pelo plenário.

A defesa de uma sessão reservada parte de ministros próximos a Moraes e foi apresentada a Fachin em meio às consultas que o presidente do Supremo tem feito com integrantes da Corte. Apesar da pressão, interlocutores afirmam que Fachin considera que o julgamento deve ser público. A definição final sobre o formato ainda não foi anunciada.

Fachin passou os últimos dias ouvindo individualmente os colegas justamente sobre o rito e a condução da sessão extraordinária. Na quinta-feira, estiveram com o presidente Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Cristiano Zanin. Fachin também conversou com Cármen Lúcia e recebeu o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Nessas conversas, Fachin adotou uma postura de escuta e evitou antecipar suas decisões aos interlocutores. A expectativa agora é que ele consolide as diferentes ponderações e divulgue nesta sexta-feira as regras para o julgamento, incluindo a definição sobre a publicidade da sessão e a forma como as manifestações serão conduzidas.

Também está em discussão quem poderá acompanhar presencialmente o julgamento. Há a possibilidade de ministros aposentados do Supremo e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanharem a sessão no tribunal, num movimento para conferir caráter institucional à resposta da Corte à crise. A participação, porém, ainda depende da definição do rito e das regras de acesso ao plenário.

A discussão sobre uma sessão aberta ou fechada ocorre em meio a divergências mais amplas sobre a própria extensão do julgamento. Uma ala do Supremo já havia alertado Fachin sobre a possibilidade de um pedido de vista interromper a análise e defendido que os questionamentos envolvendo Moraes e André Mendonça fossem examinados conjuntamente.

Nesta sexta-feira, Moraes formalizou essa posição. Em ofício encaminhado a Fachin, pediu que a petição que reúne o relatório da Polícia Federal com mensagens atribuídas a Vorcaro e referências a ele seja julgada em conjunto com a petição que concentra os questionamentos sobre a atuação de Mendonça. Moraes argumenta que a análise separada poderia produzir decisões contraditórias, entendimento que, segundo ele, já havia sido reconhecido pelo próprio Fachin.

Moraes também acusa Mendonça de ter feito um levantamento seletivo do sigilo das investigações. Segundo o ministro, 180 documentos relacionados aos procedimentos não foram disponibilizados, o que dificultaria uma análise integral das provas pelo plenário. Além do julgamento conjunto, ele pediu que Fachin determine a retirada de todo o sigilo dos procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero.

A sessão extraordinária foi convocada por Fachin como parte de uma série de medidas adotadas para tentar dar uma resposta institucional à crise no Supremo. A definição do rito nesta sexta pode ser uma resposta às pressões internas sobre como essa discussão deverá ocorrer, se de maneira pública, como prefere Fachin, ou reservada, como defende uma ala da Corte.

BS20260911170554.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/09/11/ala-de-ministros-defende-sessao-fechada-a-fachin-para-analisar-conduta-de-moraes-mas-presidente-do-stf-e-a-favor-de-julgamento-aberto.ghtml

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