Alcolumbre se recusa a comentar carta de Flávio e diz que trabalha pela ‘pacificação do Brasil’
29 de outubro, 2026
| Por: Agência O Globo
Derrotado nas eleições, senador do PL divulgou texto com tom golpista onde se autoproclama presidente
Davi Alcolumbre durante a votação — Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse nesta quarta-feira que não vai comentar a carta escrita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Candidato derrotado no segundo turno da eleição presidencial, Flávio fugiu para os Estados Unidos e disse que se considera o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Depois, o senador enviou outro texto e declarou que era “líder do Brasil”.
Alcolumbre declarou que busca “a pacificação do país” e que por isso não iria comentar o documento. O presidente do Senado, no entanto, não deu mais detalhes de como articularia a pacificação.
– Estou falando todo dia de pacificação do Brasil, tudo que eu comentar pode ser contrário a minha tese – declarou.
Mais cedo nesta quarta, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também evitou comentar a carta e não deu nenhuma declaração.
Sem provas, o ex-candidato do PL à Presidência questionou o resultado das urnas e adotou um tom golpista para contestar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, do partido do presidente do Senado, divulgou nota afirmando que a democracia é “um valor inegociável” para o partido. “Ela não depende de quem vence ou perde uma eleição, mas do compromisso de todos com o veredito das urnas”. MDB e PSD também divulgaram nota validando o resultado das urnas.
Alcolumbre tenta ser reconduzido ao comando da Casa em fevereiro e enfrenta hoje a oposição de senadores ligados a Bolsonaro, que criticam uma aproximação dele com o presidente Lula e a recusa em pautar o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, considerado inimigo político pelo bolsonarismo.
O PL, partido do ex-presidente, alcançou mais de um terço da Casa, com 29 senadores a partir do ano que vem, e terá a maior bancada do Senado. O partido de Flávio vai se reunir na semana que vem para debater a eleição do Senado.
Apesar disso, o presidente do Senado tenta uma reaproximação com os senadores da oposição para impedir que eles ameaçem à sua reeleição.