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Interlocutores do presidenciável avaliam que postagens do irmão e de influenciadores próximos ampliaram desgaste da crise com a ex-primeira-dama

A viagem que o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fará aos Estados Unidos na próxima semana passou a ser vista por aliados como uma oportunidade para reorganizar a comunicação da pré-campanha após a crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A avaliação desse grupo é que o senador deve aproveitar a passagem por Washington para encontrar o irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e alinhar o discurso com ele e com pessoas de seu entorno, que, segundo interlocutores, acabaram ampliando o desgaste provocado pelo embate familiar.
Flávio embarca nos próximos dias para Washington, onde participará, em 6 de julho, de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para discutir a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Durante sua passagem, deve encontrar o irmão Eduardo, que permanece nos Estados Unidos.
Nos bastidores da pré-campanha, a percepção é que Eduardo exerce forte influência sobre a militância bolsonarista e sobre influenciadores alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Embora não ocupe um cargo formal na coordenação da campanha, aliados de Flávio avaliam que manifestações feitas pelo deputado cassado e por pessoas próximas acabam sendo associadas à candidatura e, por isso, precisam estar em sintonia com a estratégia definida pelo presidenciável.
A avaliação ganhou força depois da crise aberta entre Flávio e Michelle na semana passada. Segundo interlocutores, o episódio demonstrou que declarações de aliados e influenciadores podem ganhar vida própria e produzir desgastes que acabam recaindo sobre o senador, especialmente em um momento em que sua equipe tenta reduzir a resistência do eleitorado feminino.
Um dos casos mais citados por integrantes da campanha foi o vídeo divulgado pelo influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, que afirmou que mulheres “votam muito mal”, especialmente as solteiras, e sugeriu que mulheres casadas tendem a acompanhar o voto dos maridos. A declaração repercutiu negativamente inclusive entre dirigentes e parlamentares do PL, justamente em meio à crise com a ex-primeira-dama.
Segundo interlocutores da campanha, o episódio produziu forte desgaste interno por reforçar um discurso que a equipe do senador tenta combater. Flávio enfrenta dificuldades para ampliar sua presença entre as mulheres e, nos últimos dias, passou a concentrar esforços justamente na construção de uma agenda voltada a esse público, inclusive com um café da manhã com parlamentares nesta quarta-feira para tratar de assuntos do plano de governo voltado a esse público.
O alerta também chegou por meio de levantamentos compartilhados com Flávio por meio de aliados. Uma dessas análises internas apontava forte repercussão negativa das declarações de Paulo Figueiredo nas redes sociais e recomendaram que ele se desvinculasse rapidamente do episódio para evitar que o desgaste contaminasse ainda mais sua imagem junto ao eleitorado feminino.
De acordo com o monitoramento, as publicações relacionadas ao caso registraram mais de 80% de “sentimento negativo” e gerou repulsa entre eleitores, tendo alcançado pessoas para além da bolha política.
A repercussão da fala de Figueiredo também contribuiu para ampliar o desconforto entre aliados de Michelle. Na avaliação desse grupo, o problema não foi apenas a declaração do influenciador, mas a demora de Flávio em se posicionar publicamente e em condenar os ataques dirigidos à ex-primeira-dama e a outras mulheres ligadas ao bolsonarismo. Uma das pessoas que se manifestou, mesmo que sem citá-lo nominalmente, foi a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que afirmou que aqueles que não repreendem esse tipo de discurso contra mulheres são “coniventes”.
Na quarta-feira, durante encontro com parlamentares e lideranças femininas conservadoras em Brasília, Flávio fez um repúdio público às declarações de Paulo Figueiredo e afirmou que o influenciador não integra sua campanha.
— Quero repudiar a fala do Paulo Figueiredo. Não concordo com o que ele falou. Ele trabalha e ajuda dos Estados Unidos, e é por isso que colocam no meu colo uma fala que não é minha. Tenho obrigação de dizer que me senti ofendido. Nunca ele poderia dizer que é culpa das mulheres. Se as pesquisas mostram que elas não estão votando conosco, é falta de competência minha. Temos que melhorar a nossa comunicação e mostrar que as nossas pautas são as que elas defendem.
Para aliados do senador, porém, a manifestação pública precisa ser acompanhada de um alinhamento mais amplo com Eduardo e com o grupo político que atua ao seu redor. A avaliação é que a campanha não pode correr o risco de enfrentar novos desgastes provocados por declarações de aliados enquanto tenta consolidar uma mensagem voltada ao eleitorado feminino.
Eduardo também passou a ser alvo de críticas reservadas após fazer publicações relacionadas à ex-primeira-dama. Em uma delas, ele compartilhou um vídeo de terceiro falando que Michelle teria “estragado tudo para ela e suas aliadas”.
BS20260702063012.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/02/aliados-aconselham-flavio-a-aproveitar-viagem-aos-eua-para-alinhar-discurso-com-eduardo-e-seu-entorno-apos-crise-com-michelle.ghtml

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