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Avaliação é que, enquanto ele estiver no cargo, a oposição terá munição para atacar o presidente e o governo como um todo

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso e no Palácio do Planalto defendem que o senador Jaques Wagner (PT-BA) entregue o cargo de liderança no Senado após a operação da Polícia Federal que investiga se ele atuou em benefício do Banco Master em troca de “vantagens indevidas”. Governistas reconhecem o “constrangimento” com o cumprimento de mandados de busca e apreensão nesta manhã, o que incluiu a divulgação de uma foto de US$ 49 mil em espécie encontrados em um endereço ligado a Wagner em Brasília.
Um integrante do governo que despacha no Planalto afirma que a operação PF torna “praticamente insustentável” a permanência de Wagner no posto de confiança. Ele afirma que não heverá, por parte do governo federal, uma postura hostil contra o petista, já que ele é um aliado de longa data. Mas pondera ser necessário que ele se afaste do cargo para evitar maior prejuízo à imagem do governo como um todo e da própria campanha à reeleição de Lula. A expectativa, diz, é que o próprio senador peça o afastamento do cargo.
O tom é reforçado por aliados de Lula no Congresso. Outro governista ressalta que, enquanto ele estiver no posto, a oposição terá munição para atacar Lula. A decisão, no entanto, caberá ao próprio presidente da República. Ele e Wagner são aliados de longa data e mantêm relação de proximidade.
Um terceiro aliado reforça a necessidade de que ele deixe o posto para que a campanha petista não abra mão do discurso de que o escândalo do Banco Master está mais atrelado à direita e ao centrão. Ele pondera que é preciso reforçar que, de um lado, é um candidato à Presidência com ligações com Vorcaro, referindo-se a Flávio Bolsonaro, e do outro, Wagner.
Apesar disso, aliados de Wagner divulgaram publicamente mensagens de apoio ao parlamentar, entre eles o presidente do PT, Edinho Silva. A bancada do PT no Senado divulgou nota manifestando “plena confiança” na trajetória de Wagner, defendeu o apoio às investigações envolvendo o Banco Master e cobrou “respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa”.
Na nota, que foi assinada pela bancada, o grupo diz que tem convicção que Wagner “prestará todos os esclarecimentos necessários”. “E demonstrará, ao longo das apurações, a correção de sua conduta diante dos fatos investigados.”
Integrantes do governo e da base no Congresso admitem que o episódio vai abrir um flanco de desgaste que será explorado pela oposição. O governo, no entanto, vai reforçar a narrativa de independência dos trabalhos da Polícia Federal e que as apurações não poupam aliados de Lula.
A PF aponta que Jaques Wagner teria recebido”vantagens indevidas” do banco de Daniel Vorcaro para favorecer interesses do banqueiro e seu ex-sócio, Augusto Lima. O senador ainda não se manifestou.
De acordo com um integrante do governo, a fotografia divulgada pela Polícia Federal de US$ 49 mil (o equivalente a R$ 253 mil na cotação atual) em espécie encontrados em um endereço ligado a Wagner em Brasília reforça esse constrangimento e, além disso, representa uma imagem de fácil compreensão entre as pessoas.
Além do dinheiro, também foi encontrada uma coleção de relógios. O mandado foi cumprido em um hotel onde o senador mora que fica localizado próximo ao Palácio da Alvorada.
Aliados pontuam, no entanto, que o envolvimento do senador com o Vorcaro é mais difícil de ser entendido que o de Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula nas eleições. Na leitura de auxiliares de Lula, o áudio de Flávio pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre o pai revela uma relação mais “nítida” e “incontestável” com o banqueiro.
BS20260618155059.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/18/aliados-de-lula-no-congresso-e-no-planalto-defendem-que-jaques-wagner-entregue-lideranca-no-senado-e-veem-constrangimento.ghtml

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