
Ministro André Mendonça usou pedido do partido Novo para afastar diretor-geral da PF
Partido chegou a pedir a prisão preventiva de Andrei Rodrigues
Nos bastidores, a cúpula da PF viu com indignação e revolta a decisão de Mendonça

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, decidiu não participar da abertura de um curso de formação de agentes da PF depois que uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o seu afastamento do cargo. Andrei soube da decisão de Mendonça quando já estava no local para discursar no evento, com início previsto às 9h.
O diretor-executivo, William Murad, discursou em seu lugar em uma fala em defesa à corporação e ao próprio chefe da PF afastado.
— Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vierem. Reafirmamos, aqui, nossa total confiança na direção-geral da Polícia Federal, no diretor-geral Andrei Rodrigues. O momento exige serenidade, e saberemos atravessar esta tempestade, como tantas vezes fizemos no passado — disse Murad.
Nos bastidores, a cúpula da PF viu com indignação e revolta a decisão de Mendonça, que já tem maioria a seu favor na Segunda Turma do STF. O ministro Gilmar Mendes, no entanto, pediu vista e interrompeu a análise no plenário virtual. Ele tem até 90 dias para devolver o caso. A decisão de Mendonça segue valendo enquanto o caso está paralisado. Votaram com ele Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
A crise no Supremo Tribunal Federal escalou na quinta-feira com um pedido apresentado por Alexandre Moraes para que André Mendonça seja investigado pelo que classificou como “indícios de crimes” cometidos pelo colega de Corte na condução de inquéritos sob sua relatoria, em especial o relativo ao escândalo do Master.
O despacho surgiu dois dias após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens de Daniel Vorcaro, dono do banco, ao próprio Moraes.
Ao demandar a PF, Moraes determinou o envio de documentos que citassem integrantes da Corte em razão de “diversas informações sobre condutas de autoridades tendentes a afastar a independência” dos magistrados.
Diante do conflito, Fachin disse sexta-feira em evento no Palácio do Planalto que a resposta será “firme e rigorosa”, mas sem “precipitação”. Ele afirmou que a “gravidade” dos fatos não “autoriza atalhos”.
— As instituições precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão. Nenhuma autoridade está acima da Constituição. Nenhum Poder está acima da lei. Nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado democrático de direito — afirmou o presidente do STF.
Fachin abriu prazo para que Moraes e Mendonça se manifestem. Também vão prestar esclarecimentos o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ambos citados em mensagens de Vorcaro.
BS20260908150902.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/09/08/andrei-soube-de-afastamento-pouco-antes-de-evento-de-agentes-da-pf-e-desiste-de-participar.ghtml

Partido chegou a pedir a prisão preventiva de Andrei Rodrigues

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