Anitta ironiza carta golpista divulgada por Flávio Bolsonaro: ‘Me autodeclaro sem celulite’
29 de outubro, 2026
| Por: Agência O Globo
Cantora debocha de declaração do senador, que contestou sem provas a vitória de Lula nas eleições e chegou a se apresentar como presidente eleito do Brasil
Anitta ironiza Flávio Bolsonaro após candidato derrotado divulgar carta golpista e se autodeclarar presidente do país — Foto: Reprodução/Instagram
Se Flávio Bolsonaro pode se autodeclarar presidente eleito do Brasil, mesmo depois de perder a disputa nas urnas para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Anitta também decidiu tomar algumas liberdades com a realidade. Nesta quarta-feira (28), a cantora recorreu ao humor para ironizar a carta divulgada pelo senador do PL, na qual ele contesta o resultado das eleições presidenciais sem apresentar provas de fraude. Numa sequência de vídeos publicados nos Stories do Instagram, a artista anunciou seu próprio decreto: a partir de agora, não tem mais celulite. E qualquer evidência em contrário, segundo ela, não passa de um golpe.
“Hoje eu venho aqui me autodeclarar sem celulite, tá? O que eu tenho vivido nesses últimos momentos da minha vida é um golpe, porque eu treino”, afirmou Anitta, antes de detalhar a rotina que, em sua avaliação, deveria ser suficiente para garantir o resultado desejado.
A cantora reconheceu que nem sempre consegue manter a frequência dos exercícios físicos. Entre compromissos profissionais, viagens e passeios, os treinos acabam ficando em segundo plano. Mas, em sua argumentação, essas interrupções não deveriam fazer diferença.
“Tudo bem que eu trabalho, então quando eu trabalho eu não treino… Mas eu treino dois dias, depois eu viajo, passeio, mas quando eu volto eu treino um, dois dias. Aí depois eu vou trabalhar, não treino, mas quando eu volto eu treino. E isso não deveria estar acontecendo. Isso é um golpe”, brincou.
O DEBOCHE! Anitta ironiza Flávio Bolsonaro após ele se autodeclarar presidente do Brasil:
“Hoje eu vim me autodeclarar sem celulite. O que eu tenho vivido nesses últimos momentos da minha vida é um golpe, porque eu treino!” pic.twitter.com/mjPoMbFWGT
Nem mesmo as escapadas da dieta poderiam ser usadas contra ela. Anitta contou que costuma carregar um saquinho de doces e chicletes, apelidado de “saquinho do erê”, do qual belisca algumas guloseimas ao longo do dia. Ainda assim, sustentou que sua intenção de não ter celulite deveria prevalecer sobre qualquer constatação.
“Isso não desfaz a minha intenção de não tê-las. E não é justo o que está acontecendo aqui comigo, de eu continuar tendo-as diante de todos os esforços que eu tenho feito”, argumentou, em tom de deboche.
Anitta — Foto: Divulgação André Nicolau
Na sequência, a artista levou a paródia adiante e decretou que fotografias, vídeos ou mesmo a observação direta não seriam suficientes para desmentir sua nova condição. “Todas as vezes que vocês verem por aí uma pessoa muito parecida comigo cheia de celulite, foi tudo manipulado, porque eu não tenho”, declarou.
Para encerrar, Anitta reforçou que não admitiria contestações à própria versão dos fatos: “Cada imagem, cada vídeo, nada disso pode ser maior do que esse decreto feito agora de que elas não existem. Olhou, achou que viu? Isso é a sua mente que foi trabalhada pelo golpe. Para enxergar celulite onde não tem, porque aqui, a partir de agora, acabou.”
O que diz a carta de Flávio Bolsonaro?
A ironia da cantora faz referência ao documento divulgado por Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira (28), após sua saída do Brasil rumo aos Estados Unidos. Derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, o senador afirmou ter sido vítima de uma suposta fraude eleitoral, sem apresentar provas que sustentem a acusação.
Na primeira versão da carta, Flávio se apresentou como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A expressão, no entanto, foi retirada de versões posteriores do documento e substituída por “líder do Brasil”. Ao menos quatro versões da declaração circularam ao longo do dia.
O senador também acusou o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de interferir no resultado da eleição ao determinar a prorrogação da votação até as 19h. O argumento não encontra respaldo nos números oficiais: de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apenas cerca de 34 mil votos foram registrados depois das 17h, enquanto a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro ultrapassou 4,4 milhões de votos.
E mais. Vale lembrar que as duas campanhas solicitaram a prorrogação do horário de votação. Enquanto a equipe de Lula pediu a extensão em todo o país, alegando dificuldades de acesso às urnas provocadas por restrições no transporte público, a campanha de Flávio Bolsonaro solicitou a medida em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, devido às condições climáticas. A decisão de Zanin, portanto, atendeu a uma reivindicação que também havia partido do próprio candidato derrotado.
Reeleito com aproximadamente 64,2 milhões de votos, Lula teve a vitória proclamada pela Justiça Eleitoral. Já Flávio, que deixou o país após a derrota, anunciou na carta a intenção de liderar a oposição brasileira a partir do exterior.