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Laboratórios têm estudado a combinação das canetas com novos medicamentos destinados a preservar os músculos durante a perda de peso acentuada

Uma nova droga chamada apitegromabe pode preservar a perda muscular durante o tratamento com os agonistas de GLP-1, classe de medicamentos usada para obesidade e conhecida como “canetas emagrecedoras”. É o que indicam os resultados da segunda das três etapas necessárias dos estudos clínicos, publicados na revista científica Nature Medicine.
Os novos injetáveis para perda de peso têm alcançado eficácias inéditas, com reduções que chegam a ultrapassar 20% do peso corporal. No entanto, estima-se que cerca de 40% dessa diminuição seja da famosa massa magra, e não de gordura.
Isso não é o ideal pois a massa magra é composta principalmente por músculo esquelético, que é importante para a força, a saúde geral, o metabolismo e a atividade física. Por isso, laboratórios têm estudado se a combinação com outras drogas, projetadas para preservar os músculos, pode melhorar o perfil dessa perda de peso.
O apitegromabe é um anticorpo monoclonal desenvolvido para bloquear a ação da miostatina, uma proteína envolvida na degradação do músculo. Inicialmente, o medicamento foi concebido para tratar atrofia muscular espinhal (AME), indicação para a qual está sendo avaliado na Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos.
Com o avanço das canetas emagrecedoras, porém, o laboratório responsável, o americano Scholar Rock, começou a testar o apitegromabe também no tratamento da obesidade.
No novo estudo, 102 adultos com sobrepeso ou obesidade foram divididos em dois grupos. O primeiro recebeu um tratamento somente com a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, durante 24 semanas. O segundo recebeu uma combinação da tirzepatida com o apitegromabe pelo mesmo período.
A cada quatro semanas, foi administrada uma infusão intravenosa do apitegromabe para o segundo grupo junto com a tirzepatida, enquanto o primeiro recebeu um placebo para comparação. Os voluntários não sabiam em qual grupo estavam inseridos, para evitar uma influência sobre os resultados.
Ao final do estudo, a perda total de peso foi semelhante entre os dois, mas a massa magra correspondeu a apenas 14,6% da redução no grupo que recebeu o apitegromabe, em comparação com 30,2% no grupo placebo. De modo geral, as pessoas que receberam apitegromabe perderam 1,9 kg menos massa magra, o que representou uma retenção 54,9% maior dos músculos.
O novo medicamento também foi bem tolerado, com taxas semelhantes de eventos adversos entre os dois grupos. Marie Spreckley, pesquisadora da área de prevenção do diabetes e de distúrbios metabólicos relacionados em grupos de alto risco da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que não participou do estudo, considerou os resultados promissores:
“Esta é uma área importante de pesquisa porque perdas substanciais de peso, seja por medicamentos, intervenções dietéticas ou cirurgia bariátrica, frequentemente são acompanhadas por alguma perda de massa magra”, diz em nota. Mas ela reforça que mais pesquisas ainda são necessárias para comprovar o efeito benéfico:
“Serão necessários estudos maiores e mais longos para determinar se essas mudanças se traduzem em melhorias significativas de força, função física, qualidade de vida ou outros desfechos de saúde de longo prazo. De modo geral, este estudo fornece uma importante prova de conceito de que a inibição seletiva da miostatina pode ajudar a melhorar a composição da perda de peso”.
É como pensa também Brendan Gabriel, professor sênior do Instituto Rowett de Nutrição e Saúde da Universidade de Aberdeen, no Reino Unido, que não estava envolvido com o estudo. Ele lembra que a biologia por trás da nova terapia vem sendo estudada há quase três décadas, e cita que o novo estudo é “bastante animador”.
Mas pondera que o tipo de terapia, um anticorpo monoclonal, “pode ser eficaz em algumas situações clínicas, mas não em todas, e talvez não seja tão amplamente aplicável quanto outras terapias para obesidade”. “Ainda assim, para pessoas que vivem com obesidade sarcopênica, condição em que a perda de massa muscular ocorre mais rapidamente do que o normal, esta pode ser uma abordagem promissora”, conclui.
Há ainda outros medicamentos em testes que buscam o mesmo objetivo, entre eles o bimagrumabe. Resultados também da fase 2 foram publicados na revista científica Nature Medicine em março deste ano e indicaram que o uso com a semaglutida, do Ozempic e do Wegovy, eleva o emagrecimento para uma perda de 22,1% do peso após 72 semanas – menos de 10% composto de massa muscular contra quase 30% entre os que receberam apenas a semaglutida.
Essa molécula é também um anticorpo, mas que bloqueia as vias de sinalização de um receptor no tecido muscular esquelético chamado de activina. Esse receptor também é responsável por promover a perda de massa muscular, evitando hipertrofia excessiva.
O bimagrumabe foi desenvolvido inicialmente pela farmacêutica Novartis, mas foi adquirido pela Versanis Bio. Logo depois, a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, comprou a Versanis. Por isso, o trabalho envolveu a semaglutida, do Wegovy, e não a tirzepatida, do Mounjaro.
Mas a Eli Lilly conduz agora testes que avaliam a combinação do bimagrumabe com a tirzepatida entre pacientes com obesidade, e os resultados são esperados para esse ano. A expectativa é alta porque o Mounjaro promove uma perda de peso maior que o Wegovy.
BS20260610122639.1 – https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/06/10/apitegromabe-nova-droga-impede-perda-muscular-durante-o-uso-de-canetas-emagrecedoras-mostra-novo-estudo-entenda-como.ghtml

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