Após a apontar dificuldades técnicas, Mendonça consegue acesso a conteúdo de celular de Vorcaro
21 de setembro, 2026
| Por: Agência O Globo
Relator do caso Master e o colega Luiz Fux haviam informado à Polícia Federal que seus gabinetes não conseguiram acessar mídia com a íntegra dos dados extraídos do aparelho do ex-banqueiro
Daniel Vorcaro, do Banco Master – Reprodução
O ministro André Mendonça conseguiu acesso ao conteúdo do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e passou a analisar a íntegra das mensagens trocadas pelo ex-dono do Banco Master. No fim de semana, o relator do caso Master e o colega Luiz Fux haviam informado à Polícia Federal que seus gabinetes não conseguiram acessar o conteúdo da mídia com a íntegra dos dados extraídos do aparelho de Vorcaro. Nesta segunda, interlocutores de Mendonça afirmaram que o problema de acesso já foi solucionado.
No sábado, tanto Fux como Mendonça enviaram ofícios ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmando que não puderam ter “acesso efetivo ao material ali contido”. O conteúdo foi entregue aos ministros na quinta-feira, ampliando o número de ministros do STF que receberam cópias dos dados. Também analisam as mensagens os ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes.
Mendonça e Fux pediram à PF “auxílio técnico operacional necessário” e a conferência da “higidez do material especificamente entregue” aos gabinetes – uma cópia do conteúdo do celular de Vorcaro, apreendido durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. Os ministros levantaram duas possibilidades para o problema: “dificuldades de ordem técnica operacional” ou “algum tipo de defeito contido na mídia entregue”.
Os gabinetes dos ministros do STF analisam as mensagens do ex-dono do Banco Master em meio a preparação para o julgamento sobre as mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes às vésperas de sua prisão. A discussão teve início na semana passada, durante uma sessão plenária marcada por tensão e embates entre ministros, mas foi suspensa por um pedido de vista de Flávio Dino. O ministro tem até 90 dias para devolver o caso para julgamento, mas não há previsão para que o caso volte à pauta do STF.
Na semana passada, os principais debates travados no STF envolveram a possibilidade de unificar a análise do caso Moraes com a do relatório de inteligência da PF usado para atribuir suposta parcialidade a Mendonça. O relator da Operação Compliance Zero estaria no centro de julgamento previsto para esta semana, mas ele acabou adiado justamente em razão do pedido de vista de Dino.