SAÚDE

Atividade física produz novos neurônios (o efeito começa a partir de 3 meses); mostra novo estudo

18 de setembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Estudo com adultos de 45 a 65 anos mostra melhora do humor e identifica alterações em indicadores ligados à formação de neurônios no hipocampo

Exercício físico — Foto: Magnific

Apenas três meses de exercício físico exerce um efeito significativo no humor e na formação de novas células cerebrais, de acordo com novo estudo clínico, liderado por pesquisadores do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência, da King’s College London. Por outro lado, não foi observada melhora no desempenho cognitivo.

“Nossas descobertas sugerem que apenas três meses de exercícios podem ser suficientes para melhorar significativamente o humor, mesmo em indivíduos saudáveis ​​e sem sintomas depressivos; por outro lado, benefícios cognitivos — particularmente aqueles relacionados à função do hipocampo — podem exigir um período mais longo de exercícios ou um programa de maior intensidade para se manifestarem”, comenta Sahand Farmand, doutorando e autor principal do estudo, em comunicado.

O estudo Neurofit investigou o efeito de um programa de exercícios com duração de três meses sobre o desempenho cognitivo, o humor e indicadores biológicos da produção de novos neurônios na meia-idade. Trabalhos anteriores identificaram essa fase da vida como um período de maior sofrimento psicológico e alterações na cognição. Esse período também pode coincidir com uma redução na atividade física devido a mudanças na rotina de trabalho ou nos padrões sociais.

Estudos realizados com modelos animais também demonstraram efeitos positivos do exercício no desempenho cognitivo. Esses benefícios vêm acompanhados de um aumento na formação de neurônios a partir de células-tronco no hipocampo, uma região cerebral fundamental para a memória e a cognição.

Existem diversas formas de avaliar a função cognitiva. No novo trabalho, os pesquisadores analisaram como três meses de exercícios afetaram o desempenho de 52 participantes saudáveis ​​com idades entre 45 e 65 anos, em um tipo de tarefa cognitiva conhecida como “separação de padrões”.

A equipe optou por uma tarefa específica, denominada Tarefa de Similaridade Mnemônica, que avalia a capacidade de diferenciar conjuntos de itens semelhantes. Essa tarefa depende fortemente do hipocampo, uma região cerebral essencial que é afetada por alterações relacionadas ao envelhecimento e pela doença de Alzheimer.

Dos 52 participantes, 27 realizaram uma combinação de exercícios aeróbicos e de resistência três vezes por semana durante três meses, enquanto os outros 25 foram alocados em um grupo de controle que não realizou essa prática.

Os resultados, publicados na revista científica npj Aging, mostraram que ao final de três meses, não foi observado nenhum efeito do exercício sobre o desempenho cognitivo nos participantes que integraram o programa de exercícios. Por outro lado, eles apresentaram uma melhora significativa em indicadores relacionados ao humor em comparação com o grupo de controle.

Também foram observadas alterações em exames laboratoriais que servem como indicadores indiretos da capacidade do cérebro de gerar novos neurônios no hipocampo.

A produção de novos neurônios na idade adulta

Poucas regiões do cérebro humano adulto são capazes de produzir novos neurônios. A maioria das células do nosso cérebro tem suas funções definidas durante o desenvolvimento: algumas se tornarão neurônios, enquanto outras serão células de suporte chamadas células da glia.

Existem diferentes tipos de neurônios, todos com funções especializadas e, normalmente, uma vez que uma célula se especializa, ela não muda de tipo. O hipocampo é uma das poucas regiões do cérebro adulto que mantém uma reserva de células-tronco não especializadas, prontas para se transformar em neurônios mais tarde na vida.

Para avaliar como o exercício pode afetar a saúde cerebral, os pesquisadores coletaram amostras de soro sanguíneo do grupo que praticou exercícios e as adicionaram a células-tronco hipocampais humanas em laboratório. Esse procedimento oferece um indicador não invasivo para medir como o exercício influencia o desenvolvimento de novos neurônios no hipocampo a partir de células-tronco.

A adição de soro sanguíneo do grupo que praticou exercícios resultou em um número menor de células-tronco hipocampais em estado de proliferação, em comparação com o soro do grupo de controle. Os pesquisadores sugerem que isso pode ocorrer porque as células-tronco são mantidas em um estado de reserva para uso especializado futuro.

“Inicialmente, ficamos surpresos ao constatar que o soro sanguíneo de pessoas que seguiram o programa de exercícios reduziu o número de células-tronco disponíveis para se desenvolverem em novos neurônios”, comenta a professora Sandrine Thuret, professora de neurociência no King’s College London. “No entanto, como o cérebro possui uma reserva finita de células-tronco, acreditamos que ele possa estar reservando algumas delas para uso posterior, em vez de utilizá-las todas de uma só vez. O exercício pode estar auxiliando nesse processo.”

Os pesquisadores observaram que, em alguns indivíduos, o exercício teve efeitos significativos no desempenho cognitivo, no humor e nos resultados de exames laboratoriais. Estudos futuros investigarão os mecanismos moleculares que impulsionam essa resposta.

BS20260918141245.1 – https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/09/18/atividade-fisica-produz-novos-neuronios-o-efeito-comeca-a-partir-de-3-meses-mostra-novo-estudo.ghtml

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