ECONOMIA

Banco Central decreta liquidação da Sefer Investimentos, alvo de investigação relacionada ao Master

26 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Autoridade monetária cita ‘graves violações às normas legais’ e ‘risco anormal’ a credores ao justificar medida

Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

O Banco Central (BC) anunciou nesta sexta-feira a liquidação da Sefer Investimentos Sefer Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. A autoridade monetária diz que identificou um “comprometimento da situação econômico-financeira” da distribuidora, o que vinha submetendo seus credores a “risco anormal”.

Ao decretar a liquidação extrajudicial da Sefer, o BC afirma ainda que a instituição cometeu “graves violações às normas legais que disciplinam a atividade da instituição”.

A Sefer tem uma baixa representatividade no Sistema Financeiro Nacional, com menos de 0,0004% do ativo total e 0,17% dos recursos administrados de terceiros.

Segundo a nota publicada nesta sexta, o BC seguirá adotando medidas cabíveis para apurar, e possivelmente aplicar medidas sancionadoras conforme suas competências legais.

“Nos termos da lei, ficam indisponíveis, a partir de hoje, os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, diz a nota.

A corretora foi alvo de busca e apreensão em janeiro, na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

A Polícia Federal descobriu que uma offshore ligada à Sefer, Faex Fund, sediada em Nassau, registrou CNPJ junto à Receita Federal nove dias após o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master. No cadastro da Receita, a empresa informa o mesmo e-mail e telefone da Sefer.

Fundada em 1994, a Sefer é a antiga Foco DTVM, que já foi chamada de Índigo. Os nomes foram trocados nos últimos anos em meio a ações da Polícia Federal (PF) e processos sancionadores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) envolvendo seus controladores.

O dono da corretora é Benjamim Botelho de Almeida, apontado pelas investigações como operador financeiro de Daniel Vorcaro, dono do Master.

Segundo a PF, a Sefer operava fundos que faziam parte do ecossistema do Master. A distribuidora comprava imóveis e outros ativos, inflava os preços e os revendia para empresas de Vorcaro e familiares.

Vorcaro e Botelho já haviam sido alvos de outra investigação da PF sobre fraudes financeiras, a Operação Fundo Fake, deflagrada em 2020. Na época, as autoridades investigaram um suposto esquema de gestão fraudulenta em aplicações de um regime de previdência de um município no interior de Rondônia.

A liquidação do Sefer é a mais recente das mais de dez instituições financeiras ligadas ao Master que foram alvo do Banco Central após a liquidação do banco de Vorcaro no ano passado.

Entre as instituições que foram liquidadas, estão quatro empresas do conglomerado Master, a Reag Trust, o Will Bank, o Banco Pleno e sua distribuidora, o Banco Master Múltiplo e o conglomerado Entrepay.



BS20260626112726.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/26/banco-central-decreta-liquidacao-da-sefer-investimentos.ghtml

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