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Jogadora segue atuando no Campeonato Paulista, e Osasco tenta sua liberação para a temporada nacional; atleta critica falta de diálogo com a CBV

Impedida de disputar a Superliga 2026/2027 pelas novas regras para a participação de atletas trans, Tifanny Abreu compareceu nesta quinta-feira ao lançamento da competição, durante a COB Expo, feira de esportes olímpicos do Comitê Olímpico do Brasil. Representando o Osasco São Cristóvão Saúde, que ainda tenta sua liberação para esta temporada, a jogadora criticou a condução da mudança.
— Estou esgotada, exausta e profundamente humilhada — declarou.
A jogadora não era esperada pela organização do evento mas quis estar presente, uma vez que tenta sua liberação para competir.
A restrição decorre da política de elegibilidade anunciada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) em 14 de agosto, em alinhamento às diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI).
A norma estabelece a triagem do gene SRY como critério para a participação na categoria feminina, com exceções previstas no regulamento. Além da Superliga, a medida alcança competições como a Supercopa de 2026 e a Copa Brasil de 2027.
— Estou representando o meu clube, que eu já estou há seis anos, e é a minha casa. Infelizmente não é uma época tão favorável, mas aqui estou, presente, para mostrar que eu existo e que também tenho o direito de estar aqui e de jogar esta Superliga também — desabafou a atleta.
— Quero terminar a minha temporada. Não fiquei dez anos à toa, foram dez anos lindos e que inspirei muitas pessoas e atletas. Quero terminar a minha carreira de atleta com o pé direito e digna. Não assim, expulsa, proibida, jogada na sarjeta. Espero que algo possa mudar. Se não for de bom acordo, que seja na Justiça. Não estou fazendo nada de errado, só estou trabalhando.
Segundo Tifanny, não houve contato prévio da CBV com ela nem com o clube explicando que a regra entraria em vigor já nesta temporada 2026/2027.
— Fomos pegos de surpresa e isso foi extremamente doloroso — afirmou.
Luizomar de Moura, treinador do Osasco, disse que o clube a contratou para a atual temporada com base nas regras e ela estava elegível para jogar.
Ele afirma que em nenhum momento, mesmo após o pronunciamento do COI, a CBV comunicou que haveria mudanças nesta atual Superliga. Disse que foi “uma mudança com o carro andando”.
— Vamos ver, o departamento jurídico de Osasco está nesse tema e vai nos orientar. Contratamos a Tifanny com base no regulamento e ela estava elegível para esta temporada. Vamos lutar pelo direito dela e pelo direito do Osasco — declarou o treinador, que lembra que os elencos são montados com antecedência. — Não é justo com a Tifanny que está há dez anos disputando a Superliga. Ela gostaria de jogar esta temporada que pode ser a sua despedida, já que se prepara para a transição de carreira. Faltou humanidade na condução deste caso.
Radamés Lattari, presidente da CBV, explicou que a entidade achava que a regra valeria a partir de 2028, mas este ano, em todas as competições internacionais de vôlei, a nova regra já está sendo aplicada.
— Este ano, todas as atletas que participaram da VNL e dos pré-olímpicos tiveram de fazer o teste (triagem do gene SRY). E todos os clubes que participarão do Mundial terão de fazer o teste. O Brasil permitiu jogar porque até uma taxa hormonal específica estava liberado. Mas o COI, após novos estudos, disse que aquilo não vale mais. A gente sempre prepara as nossas competições para que haja igualdade de condições. A CBV está sendo coerente com o que sempre fez. Seguimos a regra e se ela é alterada, acompanhamos.
Tifanny disse que, embora a regra internacional tivesse sido amplamente divulgada, acreditava que a proibição ficaria restrita a competições entre seleções e torneios olímpicos, sem alcançar os campeonatos nacionais.
Ela recebeu apoio de jogadoras brasileiras que se manifestaram contra a proibição de Tifanny, que disputa competições femininas há cerca de dez temporadas.
Ao ser questionada sobre o apoio de companheiras e adversárias, Tifanny direcionou suas críticas aos dirigentes, a quem atribuiu a adoção de uma “política transfóbica”.
Mas a atleta disse não sentir raiva e criticou o tratamento recebido:
— Sinto, na verdade, um profundo desprezo pela falta de empatia demonstrada. Faltou sensibilidade com o ser humano, com o atleta, com o clube e com todos aqueles que se inspiram na minha trajetória no esporte.
As inscrições para a Superliga se encerram no dia 5 de outubro.
BS20261001175237.1 – https://oglobo.globo.com/esportes/noticia/2026/10/01/barrada-da-superliga-tifanny-critica-dirigentes-em-lancamento-do-torneio-profundamente-humilhada.ghtml

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