VARIEDADES

Belchior, 80 anos: ‘Como nossos pais’ lidera ranking e obra do cantor ganha novos filmes e homenagens

26 de outubro, 2026 | Por: Agência O Globo

Levantamento do Ecad revela as canções mais tocadas e regravadas do compositor cearense; cinquentenário de ‘Alucinação’ inspira produções sobre sua trajetória

O cantor Belchior em cena do documentário ‘Belchior — Apenas um coração selvagem’ — Foto: Mario Luiz Thompson/Divulgação

Belchior completaria 80 anos nesta segunda-feira (26). Nove anos depois de sua morte, em decorrência de um rompimento da aorta, o cantor e compositor cearense continua a fazer barulho — e não apenas por causa da série de filmes, discos e outras homenagens que celebram sua trajetória neste ano. Um levantamento do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) revela que “Como nossos pais” — um dos maiores clássicos de seu repertório — é a música de sua autoria mais executada publicamente no Brasil nos últimos cinco anos. A canção também lidera a lista das mais regravadas, com 121 registros.

Na relação das músicas mais tocadas, “Coração selvagem” e “Comentário a respeito de John”, parceria com José Luiz Penna, completam o pódio. Ao todo, Belchior possui 237 obras musicais e 392 gravações cadastradas no banco de dados da gestão coletiva. Fagner, seu conterrâneo e parceiro em “Mucuripe”, é o artista que mais regravou suas composições, com 57 registros.

A data ganha um significado especial por coincidir com os 50 anos de “Alucinação”, álbum que ajudou a consagrar Belchior como uma das vozes mais originais da música brasileira. Como mostrou o GLOBO no início deste mês, o duplo aniversário motiva uma série de projetos dedicados ao artista, incluindo documentários, uma cinebiografia, livros e o disco de estreia de sua filha caçula, Vannick Belchior.

Entre as produções está o documentário “Alucinação”, de Renato Terra, Marcos Caetano e Leonardo Caetano, que teve sua primeira exibição no Festival do Rio, neste mês. Construído a partir de imagens de arquivo, o filme toma o álbum lançado em 1976 como uma espécie de roteiro para revisitar o Brasil da época, marcado pela ditadura militar, e as inquietações de uma geração que buscava novos caminhos para o país.

— Adoraria que as pessoas saíssem do cinema com essa pergunta: onde é que a gente perdeu essa ideia de país que olhava para o futuro, que imaginava uma nova maneira de viver em sociedade? — afirmou Renato Terra, em entrevista ao GLOBO.

Outra homenagem chegará aos cinemas em 3 de dezembro, com a estreia prevista de “Viver é melhor que sonhar”, de Eduardo Albergaria. Estrelado por Luiz Carlos Vasconcelos e Isabela Garcia, nos papéis de Belchior e de sua mulher, Edna, o longa acompanha os últimos anos de vida do músico, período em que ele se afastou da carreira artística e passou a viver longe dos holofotes. Para desenvolver o projeto, o diretor visitou 78 pessoas que acolheram o compositor durante suas andanças pelo país.

O filme integra uma trilogia que começou em agosto, com a estreia da série “Alucinação”, no Globoplay, e será concluída com outro documentário, ainda em desenvolvimento. As homenagens também incluem livros, entre eles uma publicação de Renato Terra e Rodrigo Salgado dedicada ao álbum de 1976, e o relançamento de “Viver é melhor que sonhar”, de Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti, que inspirou o longa-metragem.

Na música, uma das iniciativas é de Vannick Belchior, filha caçula do compositor. Aos 29 anos, ela lançou no início de outubro seu primeiro disco, “Meu nome é Cem”, inteiramente dedicado ao repertório do pai. O trabalho reúne sucessos e composições menos conhecidas, como “Notícia de terra civilizada”, parceria de Belchior com Rick Ferreira, e “Monólogo das grandezas do Brasil”, gravada com participação de Renato Teixeira.

— Meu pai foi redescoberto pela mensagem, pela necessidade, pela urgência de falar sobre o Brasil — afirmou Vannick ao GLOBO.

A cantora também destacou a presença das músicas do pai entre crianças e adolescentes e o sucesso do bloco de carnaval Volta Belchior, do qual participa há quatro anos.

— Meu pai sempre falou uma coisa que levo para a minha vida: “A fama é algo muito efêmero, mas a glória é o que fica.” Ele conseguiu a glória — disse.

Músicas mais tocadas de Belchior

Veja as dez músicas de Belchior mais tocadas nos últimos cinco anos:

  1. “Como nossos pais” — Belchior
  2. “Coração selvagem” — Belchior
  3. “Comentário a respeito de John” — Belchior e José Luiz Penna
  4. “Apenas um rapaz latino-americano” — Belchior
  5. “Velha roupa colorida” — Belchior
  6. “Paralelas” — Belchior
  7. “A palo seco” — Belchior
  8. “Medo de avião” — Belchior
  9. “Sujeito de sorte” — Belchior
  10. “Mucuripe” — Belchior e Fagner

Músicas de Belchior mais gravadas

Veja as cinco composições de Belchior mais gravadas por outros artistas:

  1. “Como nossos pais” — Belchior
  2. “Mucuripe” — Belchior e Fagner
  3. “Paralelas” — Belchior
  4. “A palo seco” — Belchior
  5. “Tudo outra vez” — Belchior

Fonte: Ecad. O ranking de execuções considera os últimos cinco anos nos principais segmentos de execução pública, como rádio, shows, música ao vivo, sonorização ambiental, casas de festas, carnaval e festas juninas.

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