POLÍTICA

Caiado chama Eduardo de ‘Pateta da política brasileira’ após ex-deputado cobrar posição em ‘golpe da Disney’

22 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Filho de Jair Bolsonaro citou ‘fazendeiros condenados no golpe da Disney’ e cobrou posicionamento do ex-governador de Goiás sobre o tema

Ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) – Foto: Isac Nóbrega/PR

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) chamou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) de “Pateta da política brasileira” durante uma troca de farpas dos dois políticos após a confirmação do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Radicado em solo americano desde fevereiro do ano passado, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) rebateu a crítica do presidenciável pela obtenção de “green card” cobrando uma posição de Caiado pela condenação de fazendeiros no que chamou de “golpe da Disney”, em referência à trama golpista pelo qual o pai e aliados foram condenados no Supremo Tribunal Federal (STF).

Após o anúncio da concessão da residência permanente para Eduardo, o goiano fez um post no X de que “quem precisa” do visto “é o produtor brasileiro para entrar no mercado americano” — em nova crítica às tarifas, associadas à atuação bolsonarista junto a Washington por sanções estrangeiras como resposta a uma suposta violação de direitos de opositores após as eleições de 2022.

Como Eduardo falou em “fazendeiros condenados no golpe da Disney”, Caiado abriu uma “enquete” no X e perguntou aos seguidores: “Quem é o personagem que vive nos Estados Unidos, é todo atrapalhado e sempre que abre a boca faz alguma besteira? A) Mickey B) Pateta C) Pato Donald”. No post seguinte, mandou uma indireta para o ex-deputado.

“A diferença é que o Pateta da Disney é atrapalhado, mas bem-intencionado e inofensivo. Já o da política brasileira tropeça nos Estados Unidos, e a queda pode custar caro ao Brasil, atingindo a indústria, as exportações e os empregos!”, escreveu o presidenciável.

Tarifas americanas

Concedido pelo governo de Donald Trump, o documento permite que Eduardo passe a viver no território por tempo indeterminado, sem necessidade de autorizações especiais para trabalhar ou estudar, por exemplo, no país. A informação sobre o “green card” foi noticiada pela Folha de S. Paulo na segunda-feira e confirmada pelo GLOBO.

A concessão do documento a Eduardo ocorre em meio a tensão entre Brasil e Estados Unidos diante das novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros. O movimento do governo Trump culminou em críticas do secretário de estado Marco Rubio contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sua equipe. Segundo o americano, o petista “colocou seu próprio ego acima da possibilidade de fechar um acordo em benefício do bem-estar do povo brasileiro”.

Nesta terça-feira, Caiado fez menção indireta ao tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump e disse ser preciso “valorizar” o agronegócio do Brasil.

“Green card, quem precisa é o produtor brasileiro para entrar no mercado americano sem pagar pedágio. Precisamos valorizar e fortalecer o agro do nosso país, defender a indústria e proteger os empregos do Brasil. Não é turismo, é sobre autoridade moral pra governar!”, disse Caiado.

A menção ao “green card” faz parte da escalada de Caiado contra o bolsonarismo. O ex-governador tem o senador Flávio Bolsonaro (PL) como adversário na disputa pelo Planalto este ano.

Eduardo está fora do Brasil desde fevereiro do ano passado. Ele entrou nos Estados Unidos com um visto de turista, o que lhe permitia seguir em solo americano por cerca de seis meses. O ex-parlamentar alegava supostas perseguições do Judiciário brasileiro.


BS20260722121146.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/22/caiado-chama-eduardo-de-pateta-da-politica-brasileira-apos-ex-deputado-cobrar-posicao-em-golpe-da-disney.ghtml

Artigos Relacionados

Entenda o contrato da Smartmatic, citada em fake news de Flávio sobre urnas, e por que a atuação não se aplica nas eleições brasileiras

A empresa Smartmatic não é fornecedora das urnas eletrônicas utilizadas no sistema eletrônico de votação no Brasil. O dado falso, desmentido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2017, começou a circular na época em grupos bolsonaristas e redes sociais a partir de uma publicação do blogueiro economista Rodrigo Constantino e voltou à tona nesta terça-feira (21), quando o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) o mencionou em reunião com embaixadores. Em discurso durante o evento, o senador levantou suspeitas infundadas sobre as urnas eletrônicas, numa retomada do discurso adotado em 2022 pelo pai, Jair Bolsonaro. O ex-presidente acabou declarado inelegível por tecer comentários semelhantes, igualmente falsos, a embaixadores. Em nota, Flávio reafirmou a "integral confiança" no sistema eleitoral, mas não explicou a menção à fake news.