
Fim da escala 6×1: o que pode mudar para domésticas e patrões se a PEC for aprovada
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Discussão foi retomada nesta quarta, por interesse do presidente da Casa, Hugo Motta

A Câmara dos Deputados rejeitou nesta quarta-feira o substitutivo do projeto de lei complementar de resolução bancária que poderia beneficiar o BRB. Foram 252 votos a favor e 172 contra. Para aprovar, seriam necessários 257 votos favoráveis.
O projeto de resolução bancária foi apresentado em 2019 e era apoiado pelo Banco Central e pelo Ministério da Fazenda por ampliar os instrumentos de atuação do Banco Central de outros órgãos reguladores em situações de crise no sistema financeiro, com a criação de etapas adicionais antes da liquidação, ou seja, do encerramento forçado das atividades de uma instituição financeira.
A proposta, no entanto, estava parada desde março, mas voltou à pauta nesta quarta-feira por determinação do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Além disso, o relator do projeto, deputado Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), também fez mudanças de última hora no parecer.
Uma das mudanças dava poderes para que o Banco Central determinasse que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) concedesse empréstimos para instituições em crise. Atualmente, essa é uma decisão que cabe apenas ao fundo. A outra alteração permitia que o bloqueio de bens dos administradores da instituição liquidada seja limitado à avaliação de responsabilidade dos executivos. Hoje, a responsabilidade é objetiva.
Para interlocutores do governo e do sistema financeiro, as mudanças poderiam beneficiar o BRB, que busca um empréstimo de R$ 6 bilhões junto ao FGC para tentar se manter de pé após o prejuízo bilionário causado pelas operações fraudulentas com o Banco Master.
Outro beneficiado poderia ser o Digimais, banco do grupo do pastor Edir Macedo, da Universal, que tem ligações com o Republicanos. O Digimais também é investigado por fraudes pela Polícia Federal e da mesma forma solicitou um empréstimo ao FGC para que possa ser vendido.
Nesse sentido, a rejeição é uma vitória para o governo, que, como mostrou o colunista Fábio Graner, entrou em campo para barrar o substitutivo apresentado pelo relator da proposta, deputado Marcelo Queiroz (PSDB-RJ).
Mas, apesar do substitutivo ter sido rejeitado, o projeto ainda continua válido. Isso porque a última versão do texto foi apresentada na forma de subemenda. Com a negativa do plenário, a proposta volta ao texto original. Parlamentares e especialistas dizem, inclusive, que a versão rejeitada pode ser retomada a depender de manobras regimentais.
Durante a discussão, parte dos parlamentares criticaram as mudanças e expressaram receio de que elas pudessem beneficiar instituições que cometeram fraudes. Um dos deputados mais vocais, Kim Kataguiri (Missão-SP), disse que era “escandoloso” e que ajudava a Daniel Vorcaro, dono do Master, e a Edir Macedo. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) destacou que é a favor do mérito do projeto de resolução bancária, mas que as mudanças traziam preocupações.
— A questão é que essa última alteração traze muita preocupação. Estamos fakando de abrir um espaço para o BC interferir na questão do FGC. Isso sim levanta dúvidas e problemas. Tem a questão do Master, mas também Dogimais, do BRB, que parece que tem nome, CPF e CNPJ.
BS20261015011829.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/10/14/camara-rejeita-versao-de-projeto-sobre-bancos-em-crise-que-poderia-beneficiar-brb.ghtml

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