ECONOMIA

Campanha de Lula avalia apontar Alckmin ao Ministério da Fazenda em aceno ao mercado e eleitores do centro

6 de outubro, 2026 | Por: Agência O Globo

Bolsa subiu e dólar caiu na segunda-feira, após analistas passarem a considerar que Flávio Bolsonaro (PL), por ter obtido mais votos no primeiro turno, é o favorito para vencer as eleições

Presidente Lula e Geraldo Alckmin. Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia anunciar que o vice Geraldo Alckmin será o ministro da Fazenda em um eventual quarto mandato. A indicação serviria para sinalizar ao mercado e ao eleitorado de centro no segundo turno das eleições, após o petista ficar atrás de Flávio Bolsonaro (PL).

Aliados de Lula e integrantes do governo defendem a ideia, mas o presidente ainda não estaria convencido. Ex-tucano, Alckmin teve como bandeira nos seus quatro mandatos em São Paulo o controle dos gastos públicos. A sua ida para o comando da equipe econômica apontaria uma disposição do governo de cortar despesas para controlar a dívida pública. A informação foi antecipada pela agência Reuters.

Quando foi candidato a presidente pela última vez, em 2018, ainda filiado ao PSDB, o então tucano teve como seu principal assessor econômico Pérsio Arida, um dos criadores do Plano Real.

Na disputa de 2022, Lula, após anunciar Alckmin como vice, conseguiu atrair o apoio de economistas ligados ao PSDB, entre eles Arida, Pedro Malan e Armínio Fraga. Posteriormente, esses nomes passaram a criticar a condução da economia no terceiro mandato do petista, principalmente por causa do descontrole das contas públicas.

Nesta segunda-feira, a Bolsa subiu e o dólar caiu depois que o mercado passou a considerar que Flávio Bolsonaro (PL), por ter obtido mais votos no primeiro turno, é o favorito para vencer a disputa presidencial deste ano.

Em que pese o fato de os gestores avaliarem Flávio como um candidato favorável a um ajuste fiscal mais forte pelo lado do corte de gastos, o programa de governo do PL não detalha como seria feita esta contenção. Além disso, o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, retirou precatórios da meta fiscal — uma conta que ficou para a administração seguinte — e ampliou as despesas às vésperas da eleição de 2022.

Por outro lado, durante o governo Lula, a relação entre a dívida pública e o PIB saiu de 71,7% em 2023 para 82,5% em agosto passado, um salto de11 pontos percentuais. Quanto maior essa relação, maior o “prêmio” requisitado pelos investidores para refinanciar a dívida do país.

Discurso pós-primeiro turno

No discurso realizado na noite de domingo para comentar a votação, Lula já iniciou um movimento para dar mais protagonismo a Alckmin. O presidente citou o vice oito vezes.

— Ninguém neste país tem autoridade moral para falar de política fiscal e seriedade fiscal para mim e para o Alckmin. Pelo que ele fez no estado de São Paulo e pelo nós fizemos no Brasil — disse Lula, em uma das citações.

Também pediu que o vice também falasse para a plateia reunida em um hotel de São Paulo.

Setores do governo e da campanha criticaram o fato de Alckmin não ter tido um papel de destaque no primeiro turno. A avaliação é que o vice tem condições de dialogar melhor com uma fatia do eleitorado que é refratária a Lula e ao PT. Pelo plano definido após o resultado do primeiro turno, o vice da chapa também deve aparecer mais no horário eleitoral na televisão.

Lula e Alckmin já foram adversários em disputa pela presidência, em 2006. Naquele ano, o petista ganhou de Alckmin, que era filiado ao PSDB, no segundo turno.

BS20261005184935.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/10/05/lula-avalia-alckmin-para-a-fazenda.ghtml

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