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Prazo da detenção em casa termina na quinta, e Moraes vai decidir se mantém ou revoga o benefício

A poucos dias do fim do prazo da prisão domiciliar concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem mantido uma rotina marcada por cuidados médicos, convivência familiar, momentos de oração e pouca atividade política — embora não seja nula. Enquanto aliados aguardam uma definição sobre uma eventual prorrogação da medida, o ex-presidente divide os dias entre consultas, sessões de fisioterapia, jogos de cartas com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e visitas autorizadas.
Segundo interlocutores da família, os dias de Bolsonaro começam com a medicação prescrita e seguem entre compromissos relacionados à recuperação física, como as sessões de fisioterapia.
Ainda em tratamento após a cirurgia no ombro direito realizada neste ano, o ex-presidente segue sentindo fortes dores no local, quadro que tem limitado parte de suas atividades.
Aliados relatam ainda que os episódios de soluço que marcaram suas internações continuam ocorrendo ocasionalmente, como tem afirmado Michelle em eventos públicos recentes. A ex-primeira dama revelou ainda que a medicação do marido foi alterada para contornar o problema.
Quando não está cumprindo recomendações médicas, Bolsonaro costuma passar parte do tempo no quintal da residência para tomar sol. Outra parte do período em casa é dedicada a conversas com familiares e os seguranças que acompanham a rotina.
Aliados do ex-presidente afirmam ainda que ele tem aproveitado o tempo fora da Papuda para se dedicar mais tempo à filha Laura, ajudando em tarefas da escola e acompanhando mais de perto seu cotidiano, algo que pessoas próximas apontam como um efeito colateral positivo do período de recolhimento em casa.
O ex-presidente também costuma jogar cartas com Michelle e dedicar parte do dia à leitura da Bíblia, hábito incentivado pela ex-primeira-dama. À noite, faz uso de medicação para dormir.
A alimentação passou a ser controlada de forma mais rígida desde a transferência para casa. Segundo interlocutores, Michelle assumiu pessoalmente o preparo de parte das refeições do marido, que segue uma dieta restritiva recomendada pelos médicos e mantém preferência pela comida preparada pela mulher.
Dentre os frequentadores da casa mais assíduos estão os advogados responsáveis por sua defesa e integrantes da equipe médica que acompanham sua recuperação. No dia 13 de junho, um sábado, o visitante foi o senador Flávio Bolsonaro. Moraes autorizou a ida entre 11h e 13h, e pai e filho acabaram não vendo o primeiro jogo do Brasil na Copa juntos — a seleção empatou em 1 a 1 com o Marrocos, em partida que começou às 19h.
Embora tenha reduzido significativamente a presença em agendas públicas, Michelle não se afastou completamente das discussões políticas do grupo bolsonarista e tem frequentado lançamento de pré-candidaturas de deputados.
Nessas agendas, ela se encontra com aliadas como a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a deputada Bia Kicis (PL-DF). Há duas semanas, ela também teve um jantar reservado com senadoras que, segundo relatos, foi bom para que ela pudesse “descontrair”.
Aliadas e amigas de Michelle frequentemente afirmam, nos bastidores, que a prisão de Bolsonaro acabou por “prender” a ex-primeira-dama também, em referência à dedicação exigida de tempo e esforço exigidos no cuidado diário do marido.
Interlocutores dizem que a ex-primeira-dama reduziu significativamente sua atuação política durante o período de prisão domiciliar de Bolsonaro. A avaliação de pessoas próximas é a de que Michelle procurou evitar movimentos que pudessem ser interpretados como uma “provocação” a Moraes, ou que pudessem gerar novos desgastes para o ex-presidente.
Na véspera da decisão que autorizou Bolsonaro a cumprir prisão domiciliar humanitária, Michelle se reuniu reservadamente com Moraes e , desde então, aliados passaram a identificar uma tentativa de preservar canais de diálogo com o ministro.
O gesto mais explícito ocorreu em maio, dizem, quando a ex-primeira-dama chamou Moraes de “irmão em Cristo” durante um evento político ao agradecer a autorização para que um cabeleireiro fosse até a residência cortar o cabelo do ex-presidente.
A declaração gerou desconforto em parte do bolsonarismo, mas foi interpretada por interlocutores como mais um sinal da estratégia de evitar confrontos públicos com o magistrado, que é, no fim das contas, o único responsável pelas decisões envolvendo Bolsonaro.
Embora continue sendo apontada por aliados como um dos principais nomes do campo bolsonarista para o Senado do Distrito Federal em outubro, interlocutores afirmam que ela ainda não tomou uma decisão definitiva sobre disputar um cargo eletivo, mas admitem que é algo que a ex-primeira-dama deseja.
Ao mesmo tempo, ela também tem sido cobrada por uma ala do bolsonarismo a entrar de cabeça na campanha de Flávio, mas ela tem demonstrado resistência. No início de junho, ao ser questionada sobre o assunto, Michelle afirmou que pretende apoiá-lo, mas “no momento certo”, sem dar mais detalhes de quando isso ocorreria. Na oportunidade, ela voltou a defender a manutenção da prisão domiciliar do marido em razão de seu estado de saúde.
A atual fase do ex-presidente começou em março, depois que ele apresentou um quadro súbito de mal-estar enquanto estava custodiado no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo da Papuda. Ele foi levado ao Hospital DF Star, em Brasília, após apresentar febre, queda na saturação de oxigênio e um quadro de pneumonia bacteriana decorrente de broncoaspiração. A partir dos relatórios médicos apresentados na época pela defesa, Moraes autorizou sua transferência para casa.
O ex-presidente retornou à residência em Brasília em 27 de março. Na decisão, Moraes estabeleceu prisão domiciliar por 90 dias, prazo que termina em 25 de junho, quinta-feira. Em maio, Bolsonaro acabou voltando a ser internado para uma cirurgia no ombro.
A poucos dias do término do prazo, aliados avaliam que Bolsonaro cumpriu as condições impostas pelo Supremo e evitou episódios que pudessem ser interpretados como descumprimento das determinações judiciais.
— É a primeira vez que eu vejo, na história do Brasil, uma prisão domiciliar com prazo de validade. Ela tem apenas regras que, se não forem cumpridas, a pessoa volta para o regime fechado. Fica um ponto de interrogação muito grande — diz o deputado Zé Trovão (PL-SC).
A principal preocupação do entorno neste momento envolve a apreensão de uma arma vinculada ao ex-presidente durante uma blitz no início da semana.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) marcou para esta terça-feira uma audiência por videoconferência para ouvir Bolsonaro sobre o caso e informou ao STF que vai compartilhar as informações produzidas no inquérito aberto com o gabinete de Moraes. No boletim de ocorrência, o ex-presidente aparece na condição de “envolvido”.
Apesar do episódio, interlocutores de Bolsonaro avaliam que o caso não deve produzir consequências relevantes para sua situação judicial e a expectativa no grupo é que Moraes leve em consideração o cumprimento das demais condições da domiciliar ao decidir se mantém ou não a medida após o término do prazo inicialmente previsto.
BS20260622202726.1 – https://extra.globo.com/politica/noticia/2026/06/carteado-com-michelle-banhos-de-sol-e-fisioterapia-a-rotina-de-bolsonaro-na-prisao-domiciliar.ghtml

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