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Investigadores avaliam documentos de contabilidade, auditorias independentes e ações judiciais

A Polícia Federal vai ampliar as frentes de apuração sobre as supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Digimais. Os investigadores estão se debruçando sobre documentos de contabilidade, auditorias independentes e ações judiciais para saber o real valor do patrimônio de fundos ligados ao banco.
O inquérito identificou carteiras supostamente relacionadas ao Master sem “documentação comprobatória de lastro”, outras que se baseiam em um empreendimento imobiliário ainda não construído e créditos atrelados a financiamentos de carros com alto índice de inadimplência.
Segundo a PF, o grupo inflava o valor desses ativos para “maquiar a real situação de insolvência da instituição”, o que pode caracterizar os crimes de “gestão fraudulenta e inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis”.
Em nota, o banco disse estar à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso. “A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”, diz o texto.
Além de ver o mesmo modus operandi do Banco Master nas operações financeiras do Digimais, a PF quer saber se há pontos de conexão entre as duas entidades. Em uma ação judicial aberta no ano passado, citada no relatório policial, um fundo diz que foi lesado pelo Digimais pela aquisição de uma carteira de CCBs (Cédulas de Crédito Bancário) sem lastro.
Uma auditoria contratada pelo fundo identificou que 42% da carteira tinha pendências de documentação. O fundo também afirmou que saiu prejudicado da transação ao perceber que parte dos CCBs tem “origem relacionada ao Master”, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.
“A análise concluiu que parte relevante das CCBs objeto da cessão não possuíam documentação comprobatória de lastro. De fato, uma parte considerável da carteira de créditos cedida ao Fundo no âmbito do Contrato tem sua origem relacionada ao Banco Master e à REAG”, diz a auditoria.
O relatório da Polícia Federal acrescentou que a “oferta de títulos de captação com remuneração significativamente acima da média de mercado, aliada à manutenção de ativos de baixa liquidez e à exposição a créditos de origem duvidosa vinculados ao Banco Master, sugere a eventual ocorrência de gestão temerária ou fraudulenta”.
No mesmo documento, que baseou a Operação Miragem, deflagrada na terça-feira, a PF cita outros investimentos suspeitos indicados em uma reportagem da revista “Piauí”, em março. Conforme o texto, uma administradora de fundos precificou artificialmente um “terreno em Pernambuco por R$ 150 milhões, que valia R$ 10 milhões”; e a avaliação de uma “carteira de automóveis em R$ 3,5 bilhões” que não valia todo esse montante.
Em relação ao empreendimento em Pernambuco, o banco aportou recursos em um projeto que ainda não tem licença da prefeitura de Goiana (PE) para ser construído, segundo matéria do “Estado de S. Paulo”. Os imóveis constam do patrimônio de um fundo do qual o Digimais aparece como cotista.
Sobre a carteira de automóveis, um fundo que tem o banco como investidor elevou o seu patrimônio artificialmente em R$ 350 milhões, segundo a “Piauí”. Essas operação permitiram que o Digimais emitisse mais CDBs (certificado de Depósito Bancário), que são títulos de renda fixa lançados por bancos para captar recursos no mercado financeiro.
A PF afirmou que os mandados cumpridos na terça-feira visavam a identificação de “outros possíveis ilícitos que ainda não sejam de conhecimento do órgão policial” e a “realização de outras diligências investigatórias”.
BS20260626060017.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/26/carteiras-do-master-terreno-vazio-e-financiamento-de-carros-pf-vai-ampliar-investigacao-sobre-investimentos-do-digimais.ghtml

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