ECONOMIA

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial, com dívida de R$ 17,3 bi

17 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

Varejista atribui crise a juros elevados, restrição de crédito e pressão sobre consumo. Empresas de logística e de tecnologia do grupo estão no pedido de proteção contra credores

Casas Bahia pede recuperação judicial para se proteger contra credores — Foto: ReproduçãO

A Casas Bahia protocolou, no fim da noite deste domingo, um pedido de recuperação judicial. Nele, a empresa informa que tem dívida de R$ 17,3 bilhões. O anúncio vem após a empresa divulgar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia informou que o processo foi protocolado no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo.

Segundo a Casas Bahia, a decisão foi tomada diante da “deterioração das condições econômico-financeiras” da empresa. O grupo cita, entre os fatores que agravaram a situação, as taxas de juros elevadas, a restrição de crédito, o aumento dos custos financeiros e a pressão sobre o consumo e o capital de giro.

Além da própria Casas Bahia, o pedido engloba nove empresas do grupo:

  • ASAP Log – Logística e Soluções;
  • ASAP Log;
  • CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística;
  • Cntlog Express Logística e Transporte;
  • Globex Administração e Serviços;
  • Cnova Comércio Eletrônico;
  • Integra Soluções para Varejo Digital;
  • Casas Bahia Tecnologia;
  • Indústria de Móveis Bartira.

A decisão representa um novo capítulo na tentativa de reestruturação financeira da varejista. Em 2024, quando acumulava cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas, a Casas Bahia já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial.

Ao pedir proteção judicial, a empresa busca proteção contra cobrança de dívida de credores. Se aprovada, a cobrança e pagamento de débitos ficam suspensos por 180 dias, período que pode ser prorrogado por mais 180 dias.

A ideia é que a empresa tenha tempo para se reestrututar e pagar os credores mais adiante. Enquanto isso, as operações da empresa continuam, com vendas de produtos e sevriços.

Renúncia de conselheiros

Uma assembleia de acionistas será convocada para deliberar sobre o pedido, aprovado no domingo pelo Conselho de Administração da companhia. Na reunião do colegiado, dois conselheiros renunciaram, Jackson Medeiros de Farias Schneider e Rogério Paulo Calderón Peres. O diretor vice-presidente Jurídico e Tributário da empresa, Fabio Spina, também teve sua renúncia aceita.

A Justiça também tem que aprovar o pedido de recuperação judicial.

Casas Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre deste ano — Foto: Divulgação/Casas Bahia
Casas Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre deste ano — Foto: Divulgação/Casas Bahia

Na petição da recuperação judicial, a Casas Bahia informou que ter demitido cerca de 3 mil funcionários e fechado quase 300 lojas apenas neste mês, reflexo da crise que afeta a empresa.

Os 3 mil funcionários representam 10% do total de empregados que o grupo tinha no fim de junho, segundo dados do balanço financeiro do segundo trimestre, divulgado na madrugada de domingo, após dois adiamentos. A companhia tinha 30.117 colaboradores naquele mês.

Segundo a Casas Bahia os cortes e o enxugamento dos pontos de venda fazem parte da reestruturação da empresa, com o objetivo de reduzir custos operacionais e “equalizar seu relevante passivo”.

Prejuízo de R$ 10,1 bilhões

A Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho, resultado negativo 18 vezes superior aos R$ 555 milhões registrados no mesmo período de 2025.

Em termos ajustados, o prejuízo ficou em R$ 978 milhões, alta de 76% na comparação anual. Segundo a companhia, aproximadamente R$ 9,1 bilhões do resultado foram provocados por eventos não recorrentes, entre eles baixa de ativos, despesas de reestruturação, contratos não performados e efeitos relacionados ao Imposto de Renda diferido.

O resultado financeiro líquido também permaneceu pressionado e ficou negativo em R$ 1,278 bilhão, ante R$ 1,147 bilhão no segundo trimestre do ano passado. A companhia atribuiu parte da pressão ao elevado custo de capital no país.

A receita líquida, por outro lado, avançou 1,6%, para R$ 6,97 bilhões. Já o Ebitda ajustado — indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização — recuou 9,4%, para R$ 518 milhões.

O balanço divulgado no domingo já citava explicitamente a possibilidade de uma recuperação judicial ou de uma nova recuperação extrajudicial. A administração afirmava que avaliava “alternativas operacionais, financeiras, societárias e estratégicas adicionais” diante da situação de liquidez e das projeções de fluxo de caixa.

A auditoria EY também chamou atenção, no parecer que acompanha as demonstrações financeiras, para uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional” da companhia.

Além da redução da estrutura física e do quadro de pessoal, a varejista informou que está revendo estoques, volumes de compras, contratos, despesas administrativas e investimentos.

A companhia afirma que a estratégia busca reduzir a necessidade de capital, melhorar a geração de caixa e concentrar a operação em canais e categorias de maior margem e rentabilidade.


BS20260817100915.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/08/17/casas-bahia-pede-recuperacao-judicial-apos-prejuizo-de-r-101-bilhoes.ghtml

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