Caso Master: PF apura ‘possível relação ilícita’ de Jaques Wagner com Vorcaro e Augusto Lima, diz decisão de Mendonça
18 de junho, 2026
| Por: Agência O Globo
Líder do governo no Senado foi alvo de operação nesta quinta-feira
Senador Jaques Wagner – Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
A Polícia Federal apura uma “possível relação ilícita” entre o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), com o baqueiro Daniel Vorcaro e o ex-sócio do Banco Master Augusto Lima, diz o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na decisão que autorizou a operação.
“A Polícia Federal sustenta que, no curso das investigações, foram identificados elementos indicativos de recebimento de vantagem econômica indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado”, diz a decisão de Mendonça.
Os agentes realizam a nona fase da Operação Compliance Zero, por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
O nome do senador já havia surgido no contexto do caso Master depois de ter sido revelado que a nora dele recebeu pelo menos R$ 11 milhões do banco. O valor foi pago à empresa BK Financeira, que pertence a ela. Na época, o senador disse que não tinha “conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”.
Além de Jaques Wagner, a operação também teve como alvo o empresário Augusto Lima , ex-sócio de Vorcaro. Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão são cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
A PF afirmou em nota que a operação busca “apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional”. Ainda segundo a corporação, os “fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro”.
A última fase da Compliance Zero teve como alvo o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e apurava aportes suspeitos do Rioprevidência em letras financeiras do Master que totalizaram cerca de R$ 3 bilhões.
Deflagrada em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero começou investigando a suposta criação de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de títulos fraudulentos pelo Banco Master em um esquema de fraude bilionário. Com o avanço das apurações, outras figuras passaram a ser atingidas, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), pela relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso,
A PF ampliou o foco da investigação e apura também uma suposta rede de corrupção e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, além da existência de uma estrutura paralela de intimidação e espionagem, apelidada de “A Turma”.