Brasília Agora
Brasília Agora


POLÍTICA

Clébio Jacaré, candidato que pediu habeas corpus preventivo, declara ter R$ 4,2 milhões em dinheiro vivo

14 de agosto, 2024 / Por: Agência O Globo

Concorrente à Prefeitura de Nova Iguaçu pelo União Brasil, ele informou ao TSE o patrimônio total de R$ 49.627.070,13, fortuna quase três vezes maior do que em 2022, quando foi preso

Clébio Jacaré, candidato que pediu habeas corpus preventivo, declara ter R$ 4,2 milhões em dinheiro vivo
Clébio Jacaré declarou ter um patrimônio de mais de R$ 49 milhões — Foto: Reprodução

Candidato à Prefeitura de Nova Iguaçu, Clébio Jacaré (União Brasil) declarou ter um patrimônio de R$ 49.627.070,13, sendo um dos candidatos mais abastados do Rio de Janeiro. Comparado a última eleição, esse valor aumentou em 183,4% considerando a correção de valores do Banco Central. Desse montante, R$ 4,2 milhões são em espécie. Os demais valores são distribuídos em imóveis e benfeitorias.

Em sua campanha numa das principais cidades da Baixada Fluminense, Clébio Jacaré destaca que passou de “de vendedor de lustres a grande empresário do Estado do Rio” e que tem uma “vida dedicada ao trabalho evangelístico no Brasil”. O político descreve na biografia do Instagram que é “empreendedor desde os 8 anos” e já teve trabalhos informais como camelô, garçom e copeiro. Seu perfil nas redes sociais mostra que ele é casado, cristão, pai de 4 filhos, tem 11 irmãos e é empresário autodidata.

Em 2022, o então candidato a deputado federal declarou acumular um total de R$ 15,9 milhões em bens, que em valores atuais equivalem a R$ 17 milhões. Na época, Clébio somava R$ 5,1 milhões em espécie. No mesmo ano, em setembro, durante a corrida eleitoral, Jacaré foi preso pelo Ministério Público no âmbito da Operação Apanthropia por suspeitas de desvio de dinheiro público e organização criminosa. A denúncia dizia que ele tinha participado ativamente de esquemas de desvio de verba pública na Prefeitura de Itatiaia. Ele foi solto cerca de uma semana depois. O caso acabou arquivado.

Extensão de habeas corpus

Clébio Jacaré pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), na última sexta-feira, um habeas corpus a extensão do período de 15 dias anteriores ao primeiro turno no qual candidatos não podem ser presos. Advogada de Clébio Jacaré, Maria Carolina Vianna afirma que ele sofre “risco iminente de ver cerceada a liberdade”. Ela argumenta também que o cliente é “alvo de uma armação política”.

“Desde aquele momento, o paciente possui receio de que voltem novas tentativas de cerceamento de sua liberdade, o que se agrava no presente estágio eleitoral, com a iminência de concorrer ao cargo da municipalidade. As ameaças e afrontas é patente, por suas redes sociais e demais meios, não sendo leviano aproximar que, de fato, o paciente possui a premência de ameaça aos seus direitos constitucionais”, diz um trecho do documento.

Segundo Vianna, a prisão de Jacaré “desequilibrou o cenário político na época, impossibilitando a concorrência do então candidato ao cargo de deputado federal”. A advogada atribui a derrota de Clébio Jacaré no pleito ao episódio. Ainda de acordo com ela, o inquérito policial que levou à prisão acabou arquivado.

O caso foi arquivado apenas pela Justiça Eleitoral, em março do ano passado. No entanto, Clébio ainda responde na esfera criminal no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) por integrar organização criminosa. Em novembro de 2022, uma decisão do desembargador Paulo de Tarso Neves determinou que a prisão fosse substituída por medida cautelar. Com isso, o político deve comparecer mensalmente ao juízo e realizar todos os atos processuais.

Em entrevista ao O GLOBO, Clébio nega os crimes que fora acusado em 2022 e alega que ter sido vítima de uma armação. O candidato afirma que o habeas corpus é uma maneira de tentar se proteger e compara a sua situação com a de Donald Trump, vítima de um atentado nos Estados Unidos no mês passado.

— Forjaram aquele processo de Itatiaia porque eu nunca trabalhei lá. Eu apenas conhecia três vereadores e me colocaram numa salada. Faltando 17 dias para a eleição me deram voz de prisão. Eu tive a minha casa invadida junto com a minha esposa. Não me chamaram para depor e nem nada, só me prenderam. Meu advogado entrou com um pedido de soltura e foi comprovado que eu não tinha prova nenhuma daquilo, era um absurdo. Entrei com esse habeas corpus porque se acontecer algo desse tipo eu consigo reverter a tempo. Qualquer pessoa de bem fica com medo de acontecer a mesma coisa do Trump nos Estados Unidos, ainda na frente de todo mundo. São pessoas que querem me prejudicar — conta Clébio.

Relembre o caso

No pedido de prisão deferido pelo juiz Marcello Rubioli, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) apontou “que o esquema liderado por Jacaré arrenda informalmente prefeituras fluminenses mediante pagamento de propina a prefeitos e vereadores, e, no momento seguinte, inicia uma série de negócios escusos”.

As investigações mostram que Jacaré atuava como uma espécie de prefeito paralelo e oculto em Itatiaia, tendo designado um homem de confiança, Fábio Alves Ramos, também preso na operação, para ser o chefe de gabinete do prefeito Imberê Moreira Alves (janeiro a junho de 2021). Assim que fecharam o negócio, Jacaré e seus parceiros providenciaram a exoneração de todo o secretariado e indicaram nomes para o seu lugar. Imberê se limitava a assinar os atos.

Em 2020, o nome de Clébio Jacaré apareceu nas investigações da Operação Favorito — que levaria à queda do governador Wilson Witzel — associado a dois empresários presos na ocasião por venderem máscaras ao estado a preços superfaturados. Um deles teria subcontratado uma empresa do grupo de Clébio para aplicar o golpe.

A primeira pesquisa Quaest sobre a eleição municipal de 2024 em Nova Iguaçu (RJ), na Baixada Fluminense, mostrou uma situação de empate técnico triplo na liderança da disputa pela prefeitura. O ex-vereador Tuninho da Padaria (PT), apoiado pelo deputado federal e ex-prefeito Lindbergh Farias (PT), e o empresário Clébio Jacaré (União) aparecem com 18% das intenções de voto no levantamento estimulado. Apoiado pelo atual prefeito Rogério Lisboa (PP) e também pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o presidente da Câmara Municipal Dudu Reina (PP) soma 13%.


BS20240814135043.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2024/08/14/clebio-jacare-candidato-que-pediu-habeas-corpus-preventivo-declara-ter-r-42-milhoes-em-dinheiro-vivo.ghtml