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Como a lesão de Rodrygo impacta a seleção brasileira para a Copa do Mundo

4 de março, 2026 | Por: Agência O Globo

Ausência do artilheiro do Brasil no ciclo atual abre um leque de possibilidades para Carlo Ancelotti

Gabriel Martinelli, Raphinha e Vini Jr devem ser impactados diretamente pela ausência de Rodrygo na Copa do Mundo
Gabriel Martinelli, Raphinha e Vini Jr devem ser impactados diretamente pela ausência de Rodrygo na Copa do Mundo — Foto: Fotos de Rafael Ribeiro/CBF

No exato dia em que se completava 100 dias para a Copa do Mundo, a notícia da lesão de Rodrygo caiu como uma bomba para a torcida. Sem tempo hábil para se recuperar da ruptura no ligamento cruzado do joelho direito (a volta aos campos leva de seis meses a um ano), o atacante está fora do Mundial. Trata-se de um dos homens de confiança de Carlo Ancelotti, artilheiro do Brasil no ciclo (oito gols) e cuja ausência deixa a pergunta no ar: como fica a seleção a partir de agora?

Rodrygo era cotado para ser titular do Brasil no Mundial. Desde que voltou a ser convocado (contra a Coreia do Sul, em outubro), iniciou em três dos quatro jogos desde então. No esquema mais usado por Ancelotti, o 4-2-4, o atacante vinha sendo o jogador que preenche o corredor esquerdo, mas que cai por dentro, se aproxima dos meio-campistas e também ocupa a grande área quando preciso. Sua versatilidade, facilidade para o drible e boa finalização certamente seriam muito utilizados pelo técnico italiano na Copa.

A ausência de Rodrygo praticamente confirma a presença de Gabriel Martinelli no grupo de convocados. O atacante já era bem avaliado pela comissão técnica da seleção e vive bom momento no Arsenal, líder do Campeonato Inglês. Por também jogar na esquerda, surge como opção para jogar por ali neste esquema com quatro atacantes. Foi assim, por exemplo, nas vitórias sobre o Paraguai e sobre o Chile, pelas Eliminatórias.

Só que seu perfil é diferente. Embora possa alternar posição com Vini Jr e aparecer mais centralizado à frente, Martinelli é menos versátil que Rodrygo. Tem características mais semelhantes a de um ponta tradicional. Sua utilização exigiria adaptação também de outros jogadores que atuam em seu entorno.

Neste sentido, Raphinha surge como a alternativa menos drástica. O atacante do Barcelona é igualmente versátil, jogando tanto pelos dois corredores como por dentro. É, inclusive, pela esquerda que ele costuma jogar no clube espanhol.

Curiosamente, Rodrygo e Raphinha ainda não haviam atuado juntos na seleção sob o comando de Ancelotti. Quando o primeiro retornou de sua ausência com a Amarelinha, o segundo se lesionou. Havia grande expectativa sobre como o italiano escalaria o ataque tendo os dois à disposição, já que o quarteto de ataque ainda conta com Vini Jr, Estêvão e Matheus Cunha/João Pedro.

A lesão de Rodrygo resolveria esta questão. Vale lembrar, contudo, que Raphinha ainda não atuou pela esquerda com Ancelotti.

Outra possibilidade é deslocar o próprio Vini Jr para ali. Só que, neste caso, Ancelotti deixaria de contar com o camisa 7 onde ele rende melhor: pelo centro, mais próximo dos zagueiros, mas com liberdade para cair pelo lado quando há espaço.

E Neymar?

Neymar automaticamente voltou a ser lembrado. O que é inevitável, já que se trata do maior nome da seleção nos últimos anos e que possui características semelhantes a de Rodrygo. Só que é importante lembrar também o que Ancelotti repete a cada entrevista: o camisa 10 do Santos precisa mostrar ter condição física para entregar o futebol que já se conhece dele.

Com uma sequência de lesões recentes, Neymar ainda não conseguiu ser convocado pelo italiano. Após passar em dezembro por uma artroscopia para corrigir lesão no menisco do joelho esquerdo, ele voltou a jogar no último dia 15 de fevereiro. Desde então, disputou três partidas. Não evitou a eliminação do Santos no Campeonato Paulista para o Novorizontino, mas balançou as redes duas vezes na vitória sobre o Vasco, pelo Brasileiro.

No que diz respeito à formação de elenco, a baixa de Rodrygo também pode abrir espaço para jogadores de outras posições. Ancelotti pode optar por mais um meio-campista ou mais um centroavante. A convocação para os amistosos contra França e Croácia, marcada para o próximo dia 16, deixará mais claro que ideias o italiano tem em mente para lidar com esta ausência.


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