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O Instituto Nacional de Esporte, Especialização e Desempenho, do governo francês, acompanha e monitora competidoras através do programa chamado Empow’her desde 2020
A nadadora francesa Caroline Jouisse teve a ideia de monitorar sua menstruação usando seu telefone. Atualmente, ela coleta informações para seus treinadores com o objetivo de competir nas Olimpíadas de Paris. Os dados a ajudam a planejar o melhor momento para trabalhar na construção muscular, que é idealmente no meio e no final do ciclo menstrual, quando os níveis de testosterona estão mais altos.
— É importante saber quando estão meus picos de testosterona, porque é quando você se sente melhor e estará mais forte nos treinos — afirma a jovem de 29 anos, que competirá na prova de 10 quilômetros em águas abertas em Paris.
As pesquisas relacionadas aos esportes concentra-se esmagadoramente em atletas do sexo masculino, e o efeito que os ciclos menstruais têm no desempenho atlético permanece pouco estudado. Por isso, o Instituto Nacional de Esporte, Especialização e Desempenho (INSEP), do governo francês, lançou um programa chamado Empow’her em 2020 para monitorar e aprender com os ciclos menstruais das atletas.
— Não há necessidade de ficar envergonhado com o seu ciclo. Ele faz parte do desempenho, assim como a nutrição ou o treinamento — frisa a ginecologista do INSEP, Carole Maitre.
Durante seis meses do ano passado, os treinos de Jouisse foram analisados diariamente. Seus dados hormonais, cardíacos e psicológicos foram então comparados com as diferentes fases do seu ciclo menstrual.
— Antes de iniciar o programa, eu não sabia que existiam todas essas fases — afirma Jouisse, que atualmente faz 10 natação e três sessões de musculação por semana.
A esquiadora cross-country francesa Juliette Ducordeau disse que o programa Empow’her a ajudou a entender melhor seu corpo, assim como a identificar “tendências bastante impressionantes” em seu desempenho.
— Os momentos ideais para os meus treinos são durante a fase de ovulação, do primeiro ao 15º dia do ciclo — aponta a jovem de 25 anos.
Desde o seu lançamento em 2020, 130 atletas francesas participaram no Empow’her, que espera ajudar a preencher lacunas significativas na investigação científica sobre o corpo feminino. Segundo a chefe do programa, Juliana Antero, apenas 9% dos estudos científicos sobre esportes publicados nos últimos cinco anos foram sobre mulheres – em comparação com 71% para os homens.
— Existem muito poucos estudos de alta qualidade, por isso, de momento, não há consenso sobre o impacto que os ciclos menstruais têm no desempenho desportivo — afirma Antero.
Um estudo de 2021 no Reino Unido realizado com jogadoras de futebol de elite descobriu que cerca de 90% sofriam de fadiga e perda de força durante a menstruação. Dois terços disseram que sua confiança e concentração foram afetadas, enquanto 13% perderam treinos ou jogos, de acordo com o estudo liderado por pesquisadores da Universidade Queen Mary de Londres.
O monitoramento da menstruação chegou às manchetes em 2019, quando a seleção feminina de futebol dos Estados Unidos lhe deu o crédito por ajudar as jogadoras a treinar para sua campanha vitoriosa na Copa do Mundo.
Mas a mudança tem sido lenta. A esquiadora alpina Clara Direz, ex-participante do Empow’her, relata que seus treinadores, em sua maioria homens, ainda têm “vergonha de falar sobre ciclos menstruais – e não mostram muito interesse”.
Falar sobre menstruação continua sendo um “tabu” em diversas modalidades. Mas antes dos Jogos Olímpicos de Paris, que começam em julho, mais atenção está voltada para o assunto. A federação francesa de ciclismo participou recentemente num estudo que demonstrou que as ciclistas apresentam melhor desempenho, em média, a meio do ciclo menstrual.
— Antes havia desconforto e os atletas tinham que pedir ajuda. Agora, estamos trabalhando para que eles obtenham apoio sistemático — Maitre observa.

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