
Selvagem
Roberta D’Albuquerque é psicanalista, autora de Quem manda aqui sou eu – Verdades inconfessáveis sobre a maternidade e criadora do portal A Verdade é Que…

Bolsonaro sabia, fez nada mas o Stf, sim Bolsonaro sabe nada… O chão treme e se esboroa sob os pés de Bolsonaro, o firmamento desaba-lhe sobre a cabeça e ele não se dá conta, teima em fazer mais do mesmo – é só o que sabe, parece: agredir adversários e jornalistas, gritar e espernear …
Bolsonaro sabe nada…
O chão treme e se esboroa sob os pés de Bolsonaro, o firmamento desaba-lhe sobre a cabeça e ele não se dá conta, teima em fazer mais do mesmo – é só o que sabe, parece: agredir adversários e jornalistas, gritar e espernear como se tal reforçasse seus, concedamos, argumentos.
E ele teria muito a argumentar, se soubesse mas adiantaria pouco: como contraditar?, por exemplo, a desídia de não mandar a Polícia Federal investigar de pronto as suspeitas de maracutaias em negociações para comprar vacinas, de que soube há três meses pelo deputado bolsonarista (será ainda?) Luís Miranda e seu irmão, servidor de carreira do Ministério da Saúde?
…mas sabia dos malfeitos
É mais ou menos como água morro a baixo, fogo morro a cima…, que ninguém segura (não vou citar a terceira situação, misógina, do dito popular).
Ainda não cessaram os efeitos da primeira denúncia e outra, aliás muito estranha apresenta-se, agora: um pedido de propina de R$ 2 bilhões a intermediador de imunizantes, que teria sido feito por um dirigente do Ministério da Saúde – justo um dos que pressionaram o funcionário Luís Ricardo Miranda a pagar antecipadamente aquela vacina indiana, a preço exorbitante e sem garantias de entrega.
Esse suposto autor de dupla trampolinagem é diretor do Ms por obra e graça do líder do governo na Câmara. E o presidente sabia, ao menos, dos primeiros malfeitos relatados na área.
Estranhezas
Escrevi ‘muito estranha’ ao referir-me à segunda denúncia (a da propina bilionária) e explico a estranheza.
A acusação deve-se a um cabo da Pm de Minas, cuja vida pregressa é no mínimo controversa e decidiu, a “complementar renda” como declarou à Cpi da pandemia, intermediar negócios com vacinas de uma empresa texana também intermediadora e igualmente ‘enrolada’ em sua área geográfica de atuação, tendo em seu passivo um caso rumoroso no Canadá. Ela não tem sede no Brasil, opera-a aqui um procurador algo misterioso; o mistério logo acabará, a Cpi convocou-o a depor na próxima semana.
Entremeios suspeitos
Pois o intermediário da empresa intermediadora acusou um diretor do Ms (já sob suspeita, lembre-se) de exigir propina para dar sequência à intermediação. Ante tantos entremeios cabe perguntar por quê? o governo do Brasil, procurado diretamente pelas maiores farmacêuticas que produzem vacinas, às quais só a custo e tardiamente respondeu, foi tão presto em negociar com atravessadores pouco confiáveis?
Os senadores da Cpi indagaram disso, mais a si próprios que ao desastrado depoente, que ademais exibiu a folhas tantas, assim como quem quer nada, uma gravação de conversa ao telefone do deputado Luís Miranda, que juntamente com o irmão servidor público denunciou pressões indevidas a favor de uma certa vacina.
Cunha de descrédito
Foi então que o ambiente ferveu e o caldo entornou na Cpi, quinta-feira passada.
Logo ficou claro que conversa do deputado Miranda com não revelado interlocutor ocorrera em setembro do ano passado e tinha nada a ver com compra de vacinas, como insinuara o depoente. Emergiram dúvidas sobre que papel, exatamente, desempenhava o estranho intermediário da intermediadora estadunidense.
Senadores aventaram hipótese de uma ‘cunha’ enfiada pelo governo na Comissão para desacreditá-la, junto com o deputado que em vão cobrara do presidente da República investigar corrupção em seu governo.
A ver no que dá.
Inferno astral
Não sei nem quero saber em que dia Bolsonaro comemora aniversário, não lhe mandaria flores; mas ele há de estar no “inferno astral” dos astrólogos e bem haveria de valer-se dos pretéritos dotes de seu, dizem, ex-guru, aquele charlatão que mora na Virgínia e trocou de farsa ao simular-se filósofo.
Pois não bastasse ao presidente ser flagrado em franca anuência à corrupção, em cima do lance um heterogêneo grupo de parlamentares e líderes de movimentos sociais de esquerda, centro e direita, confluentes no repúdio ao (des)governo, formalizou proposta de impeachment que reúne as 123 anteriores, acrescenta crimes recentes e apresta-se a arrolar outros.
Bom se acuado
O ex-tenente está encurralado e é esta a condição em que o queremos, como escrevi semanas atrás. Ocupado em evitar impeachment e prisão, tem menos tempo para flagelar os povos das florestas, incendiá-las na Amazônia, Pantanal, Cerrados, Mata Atlântica, estimular ataques a minorias, exercitar-se misógino (até contra a filha!, inocente criança: ao “fazê-la”[!] disse haver “fraquejado”), incentivar racismo, investir contra a arte e toda a cultura, duvidar da urna eletrônica – em suma, insurgir-se contra as instituições e a civilização, afora agravar o potencial mortífero da covid-19 quando a nega e foge a seu combate.
Para defender a democracia há que neutralizar o inimigo da vez: Bolsonaro bom é Bolsonaro acuado.
Leniência e crueldade
Carlos Alberto Sardenberg foi cáustico na denúncia do conluio de omissão com falcatruas no Jornal da Globo, noite-madrugada 29–30.06:
“…Estamos diante do pior episódio de corrupção da história do Brasil”.
O jornalista d’O Globo, Tv Globo e veículos coligados lamenta que centenas de milhares de vidas percam-se por que o governo alia negação da gravidade da covid-19 ao estímulo a comportamentos descuidados e, sabe-se agora, à leniência com a corrupção, no Ministério da Saúde ‘aparelhado’ com militares dóceis ao ‘gabinete paralelo’ do presidente. Destaca, também, a crueldade dos que aproveitam as urgências do combate à pandemia para apoderar-se de recursos que fazem falta ao Sus para que salve vidas.
Mais crueldade
Sabe-se agora que a estrutura dirigente do Ministério, minada por centenas de militares despreparados para as funções – liderados pelo tragicômico Pazuello e seu coronel-secretário executivo –, além de incompetente foi também transigente, facilitadora e quiçá coautora de desvios dos recursos que se deveriam destinar ao enfrentamento da pandemia.
Epidemiologistas e estatísticos calculam que entre um quarto e dois terços dos brasileiros sacrificados pelos erros e omissões do governo Bolsonaro – o intervalo considera as hipóteses menos ou mais pessimistas – teriam sobrevivido houvessem-se adotado, aqui, as medidas preventivas adotadas pela média das nações.
Falta estimar quantas vidas mais terá custado a corrupção.
Admoestação da ministra
Foi preciso que a ministra Rosa Weber admoestasse a Procuradoria Geral da República, seu titular e acólitos para que afinal cumprissem o dever – mais ou menos…, como se verá adiante.
O caso entrará na história como um dos piores momentos da Pgr, mesmo a lembrar que um procurador geral de má memória já confessou que por pouco não atirou (literalmente; estava armado e queria matar) num ministro do Stf em plena sessão da Corte.
Registre-se que o tal ministro-alvo bem mereceria ser alvejado, desde que só metaforicamente.
Espectador do poder
Perdoem-me o circunlóquio, volto ao tema. A reprimenda da ministra Rosa motivou-se pelas tergiversações do procurador geral e sua turma ante a óbvia omissão do presidente ao informar-se de possível, muito provável corrupção no Ministério da Saúde, a evidenciar (aos leigos, admito) crime de prevaricação. A ministra rejeitou a recusa e invectivou:
“No desenho das atribuições do Ministério Público não se vislumbra o papel de espectador das ações dos poderes da República.”
Entendida a ‘bronca’ os procuradores recuaram, reformularam e concederam, afinal, que se investigue.
Procurador constrangido
Entretanto a peça que por definição seria acusatória mais pareceu arguição de advogados de defesa, tantas foram as condicionantes e ressalvas que fez. Não a assinou o procurador geral mas o seu ‘segundo’ – talvez estivesse, o titular constrangido em mandar investigar o presidente da República, que pode ou não reconduzi-lo ao cargo daqui a três meses ou, na semana que vem, indicá-lo a substituir o ministro que se aposenta no Supremo Tribunal Federal.
São mesmo “tempos estranhos”, os que vivemos; cito-o e associo-me ao irônico fraseado de Marco Aurélio de Farias Mello em homenagem a seu espírito irrequieto, rebelde –deixará saudades.
Gol de placa
O augusto procurador geral não encerraria a semana sem outro dissabor. Sua fidelidade ao presidente que o indicou, a ignorar lista tríplice dos pares na qual não conseguiu inserir-se, tê-lo-á induzido a pedir arquivamento das denúncias e sustação das investigações dos autores e divulgadores de fake news, em claro propósito de solapar as instituições.
Entretanto o ministro Alexandre de Moraes aplicou-lhe um drible de corpo, passou-lhe bola entre as ‘canetas’ e seguiu em frente para marcar ‘gol de placa’: acatou o arquivamento e mandou a Polícia Federal prosseguir, realizar novas e aprofundadas investigações – e indicou-lhe caminhos.
Lição do ministro
O voto de Alexandre de Moraes, que fora promotor, secretário de Justiça e Segurança em São Paulo antes ascender ao Ministério da Justiça e daí guindado ao Stf, é um modelo de libelo acusatório, a sugerir ‘lição de casa’ em que o procurador geral deveria aplicar-se.
Ele arrola suspeitas de crimes gravíssimos, atentados à democracia e ao estado de direito por extremistas que pregam golpe sob Bolsonaro, volta do Ai-5 e horrores semelhantes.
O ministro preocupa-se mais ainda por que há vários parlamentares – todos bolsonaristas, ça vas sans dire – aparentemente envolvidos, que ele cita e acrescenta suspeitas de que dinheiro e outros recursos públicos sejam usados na campanha contra a democracia.
Tributo a Octavio Malta (Última Hora, Rio, circa 1960) Marco Antônio Pontes ([email protected] ou [email protected])

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