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Condenação pela morte de Tupac Shakur pode incentivar reabertura de investigação sobre assassinato de outro rapper em 1997; entenda

2 de setembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Ex-promotor americano diz que desfecho do caso em Las Vegas pode incentivar nova análise da morte de Christopher Wallace, o Notorious B.I.G., assassinado em Los Angeles em 1997

O rapper The Notorious B.I.G., morto em circunstâncias similares às de Tupac
O rapper The Notorious B.I.G., morto em circunstâncias similares às de Tupac — Foto: Divulgação

A condenação de Duane “Keffe D” Davis pelo assassinato de Tupac Shakur pode dar novo impulso à investigação sobre a morte de Christopher Wallace, o Notorious B.I.G., ou Biggie Smalls. O rapper foi morto a tiros em Los Angeles em março de 1997, cerca de seis meses depois de Tupac, e ninguém jamais foi acusado pelo crime.

Para o ex-promotor Neama Rahmani, o desfecho do processo de Tupac em Las Vegas pode levar investigadores a voltar a examinar um caso que se aproxima de três décadas sem solução.

A possibilidade ganha força porque a própria polícia de Los Angeles afirma que o assassinato de Wallace continua aberto e não solucionado. À BBC, o tenente Elpidio Orozco disse que o caso permanece na Divisão de Roubos e Homicídios da LAPD e pediu que pessoas com informações procurem as autoridades.

Dois assassinatos, uma rivalidade

Tupac e Biggie estavam entre os principais nomes do hip-hop nos anos 1990 e ocupavam lados opostos da rivalidade entre a Costa Oeste e a Costa Leste dos Estados Unidos. Os dois estavam no auge das carreiras, haviam sido indicados ao Grammy, ganhavam milhões e tinham músicas tocadas constantemente nas rádios.

As mortes também tiveram uma característica em comum: os dois foram atacados enquanto estavam dentro de veículos.

Tupac foi baleado em Las Vegas, em 7 de setembro de 1996, quando o BMW preto em que estava foi atingido por uma série de disparos. Biggie morreu em Los Angeles, em 9 de março de 1997, depois que um Chevrolet preto parou ao lado do carro em que ele estava, em um semáforo, e seus ocupantes abriram fogo.

A sequência dos assassinatos alimentou durante décadas rumores, teorias da conspiração e acusações cruzadas entre grupos rivais.

Davis esteve ligado aos dois casos

O nome de Biggie apareceu diversas vezes durante o julgamento de Duane Davis. Os dois estavam na mesma festa na noite em que Wallace foi assassinado, e Davis chegou a ser entrevistado pela polícia de Los Angeles sobre a morte do rapper.

O investigador responsável por essa entrevista também testemunhou no julgamento relacionado ao assassinato de Tupac.

Para Rahmani, essa conexão entre os casos pode ser relevante agora que Davis foi condenado.

— Mas talvez isso [a condenação por Tupac] encoraje as pessoas em Los Angeles a voltar a analisar o caso, um caso arquivado que se aproxima dos 30 anos.

O ex-promotor classifica o assassinato de Wallace como uma “mancha para a LAPD”, diante do fato de o rapper ter sido morto em uma via pública, em uma das maiores cidades dos Estados Unidos, sem que ninguém tenha sido preso ou processado.

Declarações de Davis ajudaram a levar o caso de Tupac ao tribunal

A investigação sobre a morte de Tupac avançou, em grande parte, a partir das próprias declarações de Davis. Ele falou sobre seu envolvimento em documentários, em sua autobiografia, em podcasts e em uma entrevista secreta com a polícia.

Davis admitiu ter participado do ataque. Segundo seus relatos, colocou uma arma no banco traseiro do veículo. Ainda de acordo com ele, seu sobrinho Orlando Anderson usou a arma para matar Tupac quando o carro parou ao lado do BMW do rapper em Las Vegas.

Anderson foi morto a tiros em 1998 e havia negado ter matado Tupac.

O próprio Davis, porém, acabou se tornando a principal fonte de informações usada contra ele. Antes da condenação, o advogado Shaun Kent resumiu a fragilidade e, ao mesmo tempo, a força do caso para a acusação:

— Não há outras testemunhas, além dele. A testemunha mais forte contra ele é ele mesmo.

Acusação enfrentou lacunas nas provas

A condenação ocorreu apesar de a acusação não ter apresentado testemunhas que colocassem Davis dentro do veículo usado no ataque. A arma do crime também não foi encontrada e não havia imagens ou fotografias que mostrassem o acusado no carro.

A defesa argumentou ainda que não existiam evidências de que Davis estivesse em Las Vegas na noite do assassinato.

O advogado Michael Sanft pediu aos jurados que se concentrassem nas provas efetivamente apresentadas e afirmou que Davis deveria ser visto como alguém que inventava histórias para vender livros e ganhar dinheiro.

Rahmani considerou arriscada a decisão dos promotores de levar o caso adiante.

— Olha, quando você é promotor, espera-se que vença todas as vezes. Eles tomaram uma decisão difícil de levar adiante um caso que muita gente achava que poderia ser perdido — explica.

Na avaliação dele, porém, os responsáveis pelo processo “fizeram justiça, onde outras pessoas sequer tentaram”.

Rahmani também afirmou que Davis provavelmente não teria sido acusado se tivesse permanecido em silêncio:

— Ele entrará para a história como um dos criminosos mais estúpidos do mundo. Ele realmente não conseguia se conter.

Como Notorious B.I.G. foi morto

Biggie Smalls, o Notorious B.I.G., deixava uma festa após a cerimônia do Soul Train Music Awards, em Los Angeles, em 9 de março de 1997. O rapper seguia em um veículo quando um Chevrolet preto parou ao lado, em um semáforo.

Os ocupantes abriram fogo contra Wallace, que morreu no ataque.

O crime ocorreu cerca de seis meses depois da morte de Tupac e, assim como no caso do rapper da Costa Oeste, nunca resultou em uma acusação.

Na época, a rivalidade entre os dois lados do hip-hop aparecia nas letras das músicas e estava relacionada a ameaças e episódios de violência física.

O silêncio que marcou as investigações

O julgamento de Davis também recuperou o ambiente de violência entre gangues que cercava o hip-hop em Los Angeles nos anos 1990. O período era marcado por desconfiança em relação à polícia e por um código das ruas que desencorajava denúncias.

Esse silêncio apareceu nos dois assassinatos. Depois de ser baleado várias vezes no ataque que provocaria sua morte dias depois, Tupac se recusou a dizer às autoridades quem havia atirado. Quando um policial tentou descobrir quem havia feito os disparos, o rapper respondeu: “Nós cuidaremos disso”.

Meses depois, o mesmo ambiente de silêncio cercou a investigação sobre a morte de Biggie.

A condenação de Davis encerrou a longa espera por uma resposta judicial no caso de Tupac. Em Los Angeles, porém, a morte de Biggie continua sem acusados. Agora, o desfecho de um dos crimes pode oferecer um novo motivo para que o outro seja examinado novamente.

BS20260902040027.1 – https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2026/09/02/condenacao-pela-morte-de-tupac-shakur-pode-incentivar-reabertura-de-investigacao-sobre-assassinato-de-outro-rapper-em-1997-entenda.ghtml

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