ECONOMIA

Contas do governo têm superávit de R$ 10,8 bi em julho; em 2026, déficit é de R$ 81,3 bi

28 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

O resultado do mês é o melhor para o período desde 2022

Ministério da Fazenda. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

As contas do Governo Central, que englobam Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, fecharam julho com superávit primário de R$ 10,783 bilhões, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério da Fazenda. O superávit representa o melhor resultado para o mês desde 2022, quando as contas ficaram positivas em R$ 22,614 bilhões.

Em junho, o déficit foi de R$ 48,1 bilhões, já em julho de 2025 o rombo foi de R$ 59,070 bilhões.

Apesar do resultado superavitário em julho, no acumulado de 2026, as contas continuam no vermelho, com déficit de R$ 81,305 bilhões. No mesmo período do ano passado, o resultado era menos negativo, com déficit de R$ 70,347 bilhões. Em 12 meses, o rombo é de R$ 71,6 bilhões, ou 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB).

O déficit acontece quando as despesas do governo são maiores que suas receitas com tributos e impostos. O mesmo acontece nos casos das empresas estatais, mas com suas receitas de serviços e produto.

Os resultados das contas do governo são importantes para o cumprimento da meta fiscal, que neste ano é de um superávit fiscal de 0,25% do PIB, equivalente a R$ 34,3 bilhões, com uma banda de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo. Porém, o governo pode retirar da conta algumas despesas, como parte dos precatórios, o que ajuda no cumprimento da meta. Em julho, com as deduções, o resultado no ano fica deficitário em R$ 22,1 bilhões.

Na última relatório de receitas e despesas, atualização bimestral do Orçamento, o governo previa um déficit de R$ 52 bilhões em 2026. Depois das deduções, o resultado para fins de cumprimento da meta era de superávit de R$ 10,8 bilhões.

O resultado de julho foi composto por uma receita total de R$ 275,884 bilhões, um aumento de 8,3% em relação ao mesmo mês de 2025, já desconsiderada a inflação. Já a receita líquida, após a repartição com estados e municípios, alcançou R$ 226,305 bilhões no período, alta real de 7,7% ante julho do ano passado.

Segundo o Tesouro Nacional, a elevação da arrecadação foi explicado pelo aumento do Imposto de Renda e de receitas derivadas da exploração de recursos naturais em meio à alta do petróleo no mercado internacional devido à guerra no Oriente Médio. Houve ainda elevação da receita previdenciária.

Já a despesa total somou R$ 215,522 bilhões em julho, queda real de 20,7% em relação ao mesmo período de 2025. Nesse caso, a principal redução ocorreu graças ao pagamento de precatórios, cuja diminuição foi de R$ 37,1 bilhões (-98,8%) e é explicada pelo repasse antecipado este ano, no primeiro semestre. Houve recuo também nas despesas com benefícios previdenciários, de 17,7% em termos reais, e em gastos com pessoal, de 8,9%, ambas também influenciadas pela antecipação de pagamento de precatórios este ano. Por outro lado, os créditos extraordinários cresceram 314,4%.

No ano, a receita total subiu 5,7% em termos reais ante o mesmo período de 2025, alcançando R$ 1,861 trilhão, e a receita líquida avançou 5,9%, para R$ 1,499 trilhão. As principais contribuições foram de outras receitas administradas, cujo aumento foi de 58,8%, devido principalmente ao Imposto de Exportação, criado para compensar a subvenção sobre os combustíveis. Segundo a Receita Federal, a arrecadação foi de R$ 7,9 bilhões no ano até julho.

Houve também contribuição positiva da exploração de recursos naturais (17,3%) e do IOF (28,7%). Por outro lado, a arrecadação com dividendos e participações está 58% abaixo do mesmo período de 2025. Passou de R$ 24,9 bilhões para R$ 10,4 bilhões.

Já as despesas de janeiro a julho somam R$ 1,579 trilhão, um aumento real de 6,2%. Os principais aumentos foram de créditos extraordinários (306,4%), cujo montante chegou a R$ 12,3 bilhões, em função das políticas de mitigação dos preços de combustíveis devido à guerra no Oriente Médio e para apoiar os exportadores afetados pelo tarifaço dos EUA. Do total, cerca de R$ 7 bilhões são relativos aos subsídios para combustíveis. As despesas discricionárias também cresceram no período (44,6%).

De maneira geral, o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, afirmou que o resultado de julho mostra maior equilíbrio do que no primeiro semestre, quando houve antecipação do pagamento de precatórios e também uma execução mais acelerada das despesas discricionárias. A expectativa a partir de agora é que os gastos livres tenham redução.

Ele minimizou a frustração das receitas, como em relação aos dividendos de estatais, à tributação de Imposto de Renda sobre dividendos e ao Imposto de Exportação, derrubado por decisão da Justiça do Distrito Federal. Quanto aos dividendos de estatais, disse que tendem a entrar mais no segundo semestre e que agosto parece ter sido um bom mês. Sobre o IE, disse apenas que a decisão é recente e que será preciso ver se será possível reverter.

— O compromisso é entregar a meta, se, por algum motivo, não tiver uma das receitas, vai ter que alguma alternativa para segurar as despesas.

BS20260827183312.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/08/27/contas-do-governo-tem-superavit-de-r-108-bi-em-julho.ghtml

Artigos Relacionados