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Bancos e corretoras criaram fundos de investimento; pequeno investidor terá a opção de comprar recibos de ações oferecidos pela B3

A badalada abertura de capital da Space X, empresa de foguetes, satélites e inteligência artificial do bilionário Elon Musk, também está atraindo a atenção dos investidores brasileiros. O BTG, único banco brasileiro a integrar o consórcio de instituições que coordena o IPO (Initial Public Ofering, oferta inicial de ações, na sigla em inglês) criou um fundo para investidores qualificados (com mais de R$ 1 milhão investido). Na XP, o interesse por ações da empresa levou a empresa a estruturar um fundo com aporte inicial de R$ 5 mil. Para o pequeno investidor, a oportunidade de participar do lançamento das ações da Space X na Nasdaq, a bolsa de empresas de tecnologia americana, será através de BDRS, recibos que equivalem a ações. Nesse caso, o valor inicial da aplicação ficará em torno de R$ 50, informou a B3.
Pelo BTG, os investidores que têm conta internacional podem acessar diretamente o IPO, mas especialistas lembram que o intressado entrará na fila com investidores de todo o mundo. Como a demanda superou em dez vezes a oferta, não há garantia que esse interessado consiga comprar os papéis já na largada. Grandes fundos, bancos de investimento, investidores institucionais e clientes private têm prioridade na compra. A promessa é que sejam reservados até 30% das ações para investidores individuais.
Outro caminho é através de dois fundos criados pelo BTG, um nacional e outro no exterior, que teve aplicação inicial de US$ 5 mil (quase R$ 26 mil). No mercado nacional, a aplicação inicial no fundo BTG Pactual Reference Moon, que tem proteção cambial, é de R$ 500. A XP estruturou um fundo na família Trend, o XP SS 1 com aplicações a partir de R$ 5 mil. Também estruturou um veículo no exterior, para quem tem a conta internacional. Procuradas, as duas instituições não comentaram como está a demanda por esses produtos.
Corretoras que atendem os brasileiros no exterior, como Avenue, Nomad, XP International, também dão acesso aos papéis da Space X, e outras empresas com capital aberto na Nasdaq, explicam os especialistas. É uma forma de diversificar o portfólio de investimento e dolarizar a carteira de investimentos. Mas, no caso da Space X, não existe a garantia de que o preço seja o mesmo do IPO.
— O investidor brasileiro está cada vez mais atento à importância de diversificar globalmente seu patrimônio. Além da proteção cambial, existe o interesse em acessar setores que muitas vezes não estão disponíveis da mesma maneira no mercado local —afirma Fabio Checchi, chefe de desenvolvimento de negócios da ZERO Markets no Brasil, corretora especializada em mercados internacionais, que também dará acesso a interessados nas ações da Space X através de uma parceria com a Levycam Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários (CCTVM).
Cecchi explica que por meio da infraestrutura da Alpaca — corretora norte-americana self-clearing (autocompensadora) e membro da SIPC, responsável pela execução e custódia nos Estados Unidos —, combinada à intermediação local da Levycam CCTVM, o investidor brasileiro poderá enviar ordens condicionais de compra e concorrer à alocação de varejo do IPO pelo preço de oferta, antes de as ações estrearem no mercado secundário.
— É o que o mercado costuma chamar de acesso ‘pré-IPO’: a possibilidade de participar da etapa primária da distribuição — historicamente reservada a grandes instituições e clientes de alta renda nos Estados Unidos —, sujeita à disponibilidade de alocação e ainda pouco disponível ao investidor de varejo brasileiro por meio de uma estrutura regulada — observa.
A alternativa para o pequeno investidor serão os BDRS (recibos de ações) da Space X que serão disponibilizados pela B3, a Bolsa de Valores Brasileira, a partir de sexta-feira, mesma data do IPO. Os BDRs serão negociados no mercado secundário (onde investidores vendem e comprar os papéis entre si). A aplicação inicial sai por R$ 50 a R$ 70, dependendo da precificação.
O investimento pode ser feito diretamente nas plataformas de negociação (home broker) das corretora, por meio do código SPCX34. De acordo com a B3, o processo é semelhante ao de negociação de ações brasileiras, ETFs(fundos de investimento que possuem cotas negociadas diretamente na bolsa de valores), e outros BDRs disponíveis na B3. Não é preciso comprar dólare ou fazer remessa internacional para investir: todo o processo é realizado no Brasil, em reais.
Embora a ação da SpaceX no IPO tenha previsão de preço inicial de US$ 135 (a precificação será feirta nesta quinta), a R$ 675, a estrutura do BDR terá paridade de 1:15 – ou seja, cada ação da companhia no exterior corresponderá a 15 BDRs negociados na B3. Com isso, será possível acessar os papéis da empresa por um preço entre R$ 50 e R$ 70.
Por meio desse instrumento, lembra a B3, o investidor nacional pode dolarizar sua carteira de investimento e diversificar seu portfólio com empresas internacionais sem precisar abrir conta fora do país, fazer remessas internacionais ou operações de câmbio. A B3 já conta com BDRs das grandes empresas de tecnologia, como Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet, Meta, Nvidia e Tesla.
A expectativa é que o IPO da SpaceX tenha uma captação de US$ 75 bilhões. Se isso se confirmar, a oferta de ações da Space X se tornará a maior da história, superando os US$ 29 bilhões da Saudi Aramco em 2019. O mercado precifica o valor da empresa entre US$ 1,75 trilhão a US$ 2 trilhões.
Os especialistas em finanças lembram que os BDRs da Space X estão sujeitos à variação de suas ações no exterior, ao altos e baixos do câmbio cambial e a própria volatilidade do mercado americano. No caso de empresas de tecnologia, as oscilações podem ser ainda mais fortes. Para Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor executivo de estudos e pesquisas da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o interesse pelo papeis da Space X levou a uma valorização do papel no IPO. Ou seja, há o risco de o investidor entrar na “alta”, no jargão do mercado, e o valor da ação cair, caso as metas prometidas pela empresa não sejam cumpridas.
— Não acho que possa ser um grande tombo, mas eventualmente essa expectativa elevada criada em torno das ações da Space X pode levar a uma desvalorização dos papéis após o IPO pode acontecer. E quem vender a ação, terá perdas já que pagou caro pelo papel — diz o especialista.
Pelo tamanho da operação, mecanismos especiais estão sendo adotados pela Nasdaq para evitar quedas bruscas das ações da Space X. Por exemplo, os investidores só poderão vender 20% das ações após a divulgação dos primeiros resultados trimestrais da empresa na bolsa. A liberação de vendas de mais ações (em blocos de 7% e 28%) está condicionada ao alcance de metas de lucros e à valorização sustentada do papel.
O CEO Elon Musk, que detém o controle majoritário dos votos, não pode participar dessas vendas antecipadas e está sujeito a um bloqueio de 1 ano. Uma nova regra da Nasdaq, chamada de “Fast Entry”, permitiu a entrada mais rápida da companhia no índice Nasdaq-100. Isso forçará fundos de índice (ETFs) a realizarem compras maciças independentemente do preço, criando uma forte pressão de compra para sustentar a cotação no curto prazo.
— O perfil do investidor de Bolsa é de quem assume riscos e pensa no longo prazo — observa Ribeiro de Oliveira.
O especialista Ribeiro de Oliveira lembra que o investidor precisa observar os números da empresa. O documento do IPO mostra que a SpaceX registrou receita de US$ 18,7 bilhões em 2025, acima dos US$ 14 bilhões do ano anterior. A empresa passou de um lucro de US$ 791 milhões em 2024 para um prejuízo de US$ 4,94 bilhões no ano passado. A SpaceX atua no setor de transporte espacial e é uma das principais fornecedoras de lançamentos de foguetes tanto para a NASA quanto para o Pentágono.
A maior parte de sua receita vem do negócio de internet via satélite Starlink. A empresa fez investimentos bilionários nesses setores. O documeto mostra que, no trimestre encerrado em 31 de março, o segmento espacial teve receita de US$ 619 milhões e um prejuízo operacional de US$ 662 milhões.
BS20260611144920.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/11/corrida-pela-oferta-inicial-das-acoes-da-space-x-empresa-de-foguetes-de-elon-musk-atrai-interesse-de-investidores-brasileiros.ghtml

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