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Governo conseguiu emplacar senador petista para relatar os trabalhos do colegiado
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Braskem vai se reunir nesta terça-feira para analisar o plano de trabalho do colegiado, que irá definir a linha de atuação do grupo e determinar um cronograma de atividades. O planejamento será organizado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), que foi escolhido relator da CPI na semana passada. O presidente do grupo é o senador Omar Aziz (PSD-AM).
O colegiado foi criado para investigar a empresa petroquímica Braskem e os danos ambientais causados em Maceió pelas operações da petroquímica na extração do mineral sal-gema. De acordo com o requerimento que criou a CPI, o funcionamento dela vai até maio e o grupo terá um limite de R$ 120 mil como orçamento para bancar os trabalhos.
“Apresentarei um plano de trabalho detalhado para entendermos a extensão do problema e buscarmos soluções juntos. Responsabilização e transparência são fundamentais”, disse o relator nas redes sociais.
O principal articulador para a criação da CPI foi o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que tentou ser o relator. Por outro lado, a existência da comissão ia na contramão do que desejava o governo federal e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), aliado de Lira, tem potencial para ser um dos principais atingidos pelas investigações.
O governo, que ao mesmo tempo não queria desagradar Lira e nem deixar que a crise da Braskem respingasse na Petrobras, uma das acionistas da petroquímica, conseguiu emplacar Carvalho na relatoria e evitar Renan no posto.
Próximos do Palácio do Planalto, os líderes do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e do PSD, Otto Alencar (BA), foram os principais articuladores para que Carvalho fosse escolhido relator. Eles também tentaram evitar que a CPI reunisse as assinaturas necessárias para ser instalada, mas não tiveram sucesso. A empresa Novonor (ex-Odebrecht) é a principal controladora da Braskem e possui forte presença na Bahia. A questão estadual é apontada por Renan como principal motivo da contrariedade dos dois líderes com a CPI.
“Quero aqui deixar consignado o compromisso com uma investigação que seja a mais isenta, a mais séria e célere possível dentro das condições objetivas e das equipes e do trabalho que todos os senadores da CPI vão poder contribuir”, disse Rogério Carvalho.
Na semana passada, quando o petista foi definido na relatoria, Renan falou que há “uma tentativa de domesticação da CPI” e anunciou que vai deixar de ser membro do colegiado mesmo sendo o responsável por coletar assinaturas para sua criação.

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