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Desaprovação ao governo Lula chega a 56%, aponta pesquisa Genial/Quaest

2 de abril, 2025 | Por: Agência O Globo

Nordeste, jovens e eleitores de classe média baixa puxam escalada da rejeição

O Presidente Lula concede uma entrevista coletiva á imprensa antes de se despedir do Japão . Foto : Marcelo Hide/Fotospublicas

Nova rodada da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que a desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não apenas completou a quarta alta consecutiva, como também agora aparece descolada do índice de aprovação em um nível inédito para a atual gestão. São 56% os que desaprovam a administração petista, contra 41% que o avaliam positivamente — as taxas eram de 49% e 47%, respectivamente, na pesquisa anterior, de janeiro.

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A taxa de rejeição à gestão Lula escalou 13 pontos percentuais desde julho do ano passado, quando teve início esse ciclo de insatisfação popular com a administração federal, enquanto a aprovação ao governo recuou na mesma medida.

A escalada da insatisfação com o trabalho de Lula se espalhou por todas as regiões do país, mas foi mais intensa no Nordeste, historicamente uma fortaleza eleitoral para os governos do PT. Nessa região, a taxa dos que desaprovam o governo pulou de 37% para 46% em dois meses, enquanto o percentual de aprovação recuou de 59% para 52%. No Sudeste, região mais populosa do país, são 60% os insatisfeitos, contra 37% que aprovam a gestão petista.

A desaprovação também saltou com maior intensidade entre os mais jovens, atingindo 64% no grupo dos que têm de 16 a 34 anos; entre eleitores com ensino superior incompleto (também 64%); e junto a pessoas de renda familiar considerada média baixa (61%).

Os resultados corroboram o cenário de deterioração da imagem do governo federal que vinha sendo apontado já há alguns meses por diversos institutos de pesquisa, como a própria Quaest, o Ipsos-Ipec e o Datafolha. Também indicam que as tentativas de ajuste de rota promovidas por Lula não surtiram efeito na opinião popular até agora. De janeiro para cá, o presidente substituiu Paulo Pimenta por Sidônio Palmeira na Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), cobrou ministros, ampliou o espaço em sua agenda para viagens pelo país e anunciou medidas como o crédito consignado para trabalhadores em regime CLT e a isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil.

A troca na Secom, inclusive, foi pouco sentida pela população. A pesquisa Genial/Quaest mostra que 44% acham que a comunicação do governo Lula “está igual” desde a posse de Sidônio Palmeira, enquanto 19% veem melhora, e 21%, piora. Outros 16% não souberam opinar.

Quando instados a atribuir uma avaliação ao governo entre “positivo”, “regular” ou “negativo”, 41% dos entrevistados optaram pela pior classificação — taxa que era de 37% dois meses atrás. Foram 29% os que avaliaram a gestão Lula como “regular”, e 27%, como “positiva”. Ao longo dos pouco mais de dois anos do atual governo, esses três grupos vinham se equilibrando em torno de um terço cada, mas agora a distribuição se descolou, com um peso maior para a avaliação negativa.

A pesquisa traz indicações de que o desgaste da imagem do governo está ligado à insatisfação com o cenário econômico e a um sentimento de decepção com o retorno de Lula ao Planalto. Para 56%, o país está na direção errada (eram 50% em janeiro), e o mesmo percentual diz achar que a economia piorou nos últimos 12 meses — taxa 17 pontos acima da que havia sido registrada na pesquisa de dois meses atrás.

São 71% os que acham que o petista não tem conseguido cumprir as promessas de sua campanha, e mais da metade (53%) dos entrevistados considera que a gestão Lula 3 está pior que os outros dois mandatos do petista na Presidência. Outros 23% não veem diferença entre os três governos de Lula, e 20% acham o atual melhor.

Já na comparação com o mandato de Jair Bolsonaro, as opiniões se dividem: 43% dizem que o trabalho de Lula é pior que o de seu antecessor, enquanto 39% preferem o desempenho do petista. Trata-se de um empate técnico no limite da margem de erro, estimada em dois pontos percentuais para mais ou menos.

Contratada pela Genial Investimentos, a Quaest entrevistou presencialmente 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais entre 27 e 31 de março. A pesquisa tem índice de confiança de 95%.


BS20250402120317.1 – https://extra.globo.com/politica/noticia/2025/04/desaprovacao-ao-governo-lula-dispara-sete-pontos-e-chega-a-56percent-aponta-pesquisa-genialquaest.ghtml

Pesquisa Genial/Quaest

1/ Mostra que a desaprovação do governo Lula foi de 49% para 56% entre jan/25 e mar/25; enquanto a aprovação caiu de 47% para 41%. O esforço de comunicação com o anúncio de novas medidas ainda não gerou os efeitos positivos na popularidade do governo.

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2/ A queda na aprovação aparece de forma simétrica em todas as regiões do país. No Nordeste, principal reduto eleitoral de Lula, a vantagem que era de 35 pp caiu para 6 pp entre Dez/24 e Mar/25. No Sudeste, a desaprovação está 23 pp maior que a aprovação. No Sul, a diferença é de 30 pp.

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3/ Entre as mulheres, é a primeira vez que a desaprovação chega a 53% e supera a aprovação, que está em 43%. O gap eleitoral entre homens e mulheres foi decisivo para a vitória de Lula em 2022. Entre os homens, a desaprovação cresceu e chegou a 59% e a diferença de gênero diminuiu.

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4/ A aprovação está em 34% para quem tem renda familiar de mais de 5 salários, em 36% para quem tem renda de 2 a 5 SM e chegou a 52% para quem tem renda de até 2 salários. O impressionante, neste caso, é a mudança drástica nesse último grupo. A vantagem em aprovação que já foi de 43 pp em jul/24, está em 7 pp.

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5/ Na comparação entre os tipos de eleitores, a desaprovação ao governo Lula chegou a 92% entre eleitores do Bolsonaro, a 62% entre quem não foi votar ou votou branco/nulo, e a 26% entre os eleitores de Lula. Há, portanto, 1/4 do eleitorado de Lula insatisfeito com o seu governo neste momento.

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6/ Parte da explicação para a alta desaprovação do governo está na quebra de confiança do eleitorado com o presidente Lula. Além de não conseguir cumprir as promessas de campanha, cada vez menos gente vê o presidente como bem intencionado.

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7/ E ao contrário do que acontecia no passado, aumentar a exposição de Lula por meio de entrevistas e eventos não tem conseguido produzir melhora na percepção sobre o presidente. Metade do país acredita que tais aparições tem piorado a percepção sobre ele.

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8/ A incapacidade de reverter o quadro de desaprovação também é fruto da piora na percepção sobre a economia. No último mês, saiu de 39% para 56% o percentual que afirma que a economia piorou no último ano.

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9/ Boa parte dessa percepção negativa está relacionada ao alto patamar do preço dos alimentos nos supermercados…

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10/ …ao aumento na percepção de que os combustíveis estão mais caros nos postos de gasolina…

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11/ …o que produz uma percepção generalizada de que o poder de compra dos brasileiros hoje é menor do que era a um ano atrás.

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12/ Soma-se a esses fatores a baixa eficácia política dos programas de governo. Embora 67% dos brasileiros reconheçam que algum programa do governo impacta de forma positiva sua vida hoje, com destaque para o Bolsa Família…

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13/ …a maioria acredita que os programas sociais do governo são direitos, que não serão retirados por nenhum governo. Ou seja, acabam virando políticas de Estado, que existirão independentemente do governo de ocasião. É o processo de extinção da gratidão automática.

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Considero crucial para essa virada que o governo consiga mudar a percepção majoritária da população de que o Brasil está indo na direção errada.

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15/ Além disso, Lula terá que fazer um governo diferente do que vem fazendo nos últimos 2 anos se quiser mudar esse quadro tão negativo. Não dá pra continuar com as mesmas soluções se quiser alcançar resultados distintos.

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16/ Há duas medidas concretas que foram tomadas recentemente pra tentar mudar esse quadro. Primeiro veio a extinção na taxação de alimentos importados. A medida ainda não é tão conhecida e divide o eleitorado sobre sua eficácia.

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17/ Entre quem desaprova o governo, 37% acreditam que a medida vai ajudar a reduzir os preços dos alimentos. Mesmo não sendo a maioria, se fizer efeito na percepção, pode alterar a avaliação de um grupo numericamente significativo.

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18/ A outra aposta do governo é a reforma da renda. A expectativa de 23% dos brasileiros é que eles sejam integral ou parcialmente beneficiados pela proposta de isenção do governo. Estamos falando de aproximadamente 46 milhões de pessoas que tem a expectativa de algum benefício.

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19/ Entre quem acredita que vai passar a ser isento, metade espera que a melhora da renda seja significativa. Entre quem acredita que vai ser parcialmente beneficiado, 35% esperam uma melhora significativa da renda a partir do novo benefício.

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20/ A outra parte da proposta tem amplo apoio popular: quase 60% dos brasileiros concordam com a tributação adicional de 10% para quem ganha altos dividendos.

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