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Meio milhão conquistou ocupação, a maioria em vagas temporárias ligadas ao calendário escolar. Subutilização atinge mínima histórica e reforça cenário de mercado de trabalho aquecido

O desemprego no Brasil caiu para 5,6% no trimestre encerrado em maio, ante 5,8% no trimestre móvel até fevereiro. É a menor taxa já registrada para um mês de maio desde o início da série histórica, em 2012, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE.
O resultado veio em linha com as estimativas do mercado financeiro. No mesmo período do ano passado, a desocupação era de 6,2%.
Cerca de meio milhão de pessoas – ou 558 mil – conquistou um emprego entre março e maio, fazendo o contingente de ocupados do país crescer 0,5%, para 102,7 milhões de trabalhadores. Ao mesmo tempo, 6,1 milhões de brasileiros buscavam emprego, praticamente o mesmo contingente registrado no trimestre anterior, de 6,2 milhões, variação considerada estatisticamente estável pelo IBGE.
O aumento da ocupação foi puxado pelo setor público. Dos 558 mil novos ocupados, cerca de 455 mil passaram a integrar este grupo, embora sem a carteira assinada. Segundo William França, analista da pesquisa, boa parte dos profissionais foram contratados para postos em escolas.
É um período em que a contratação de novos servidores temporários ou municipais costuma crescer para atender à rede de ensino, diz:
— São trabalhadores de pré-escola, creche e do ensino fundamental, como cuidadores, professores e profissionais da limpeza. Normalmente esse grupo apresenta um nível salarial mais baixo.
O ingresso dessa mão de obra sem carteira assinada no setor público explica a redução de 3,1% no rendimento médio mensal dos trabalhadores do setor. Como esses novos empregados recebem salários inferiores à média da categoria, o rendimento do grupo caiu 3,1%, ou R$ 172, já descontada a inflação.
Apesar disso, o rendimento médio real de todos os trabalhadores do país permaneceu estatisticamente estável, em R$ 3.726.
Entre as demais formas de ocupação, não houve variação significativa. O número de empregados com carteira assinada no setor privado ficou em 39,3 milhões de pessoas. Também ficaram estáveis os contingentes de empregados sem carteira (13,4 milhões), trabalhadores por conta própria (26 milhões) e empregadores (4,2 milhões).
Embora o número de trabalhadores ocupados tenha crescido pouco no trimestre, o IBGE chamou atenção para outro indicador que mostra o aquecimento do mercado de trabalho.
A chamada taxa de subutilização da força de trabalho – que reúne trabalhadores que gostariam de atuar mais horas, pessoas desempregadas, e brasileiros disponíveis para trabalhar, mas que desistiram de procurar vaga ou ainda não conseguiram buscar emprego – caiu para 13,3%, o menor nível de toda a série histórica iniciada em 2012.
Segundo França, isso indica que o chamado “estoque” de trabalhadores disponíveis para serem absorvidos pelo mercado está se esgotando.
— Esse grupo, que já foi de quase 30% em 2021 durante a pandemia, vem caindo e chegou a 13,3%. Ou seja, o mercado está de fato aquecido e absorvendo toda a mão de obra possível. Isso justifica estar ficando mais escassa a mão de obra — diz ele, ao mencionar que o resultado disso é uma pressão sobre o custo da mão de obra. — As condições de trabalho e da qualidade das ofertas terão que melhorar.
A população subutilizada (15,1 milhões), que caiu 5,7% no trimestre (menos 920 mil) e recuou 11,3% no ano (menos 1,9 milhão de pessoas subutilizadas), e a população subocupada por insuficiência de horas (4,1 milhões), que caiu 5,7% no trimestre (menos 251 mil pessoas) e recuou 10,6% no ano (4,6 milhões).
BS20260626120126.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/26/desemprego-fica-56percent-menor-resultado-ja-registrado-em-um-mes-de-maio.ghtml

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