Dia da Disfagia: engasgos frequentes podem indicar problemas de saúde
23 de março, 2026
| Por: Agência Brasília
Hospital de Base orienta pacientes sobre sinais da disfagia e riscos que podem incluir complicações respiratórias
A dificuldade para engolir alimentos e líquidos pode parecer um incômodo passageiro, mas, em alguns casos, está associada a riscos importantes à saúde quando não é identificada e tratada corretamente. Na sexta-feira (20), pacientes atendidos no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) receberam orientações sobre a disfagia, condição que muitas vezes passa despercebida, mas pode levar a complicações graves.
A ação marcou o Dia Nacional de Atenção à Disfagia e teve como objetivo ampliar a conscientização sobre o tema entre usuários e acompanhantes da unidade. Aproveitando o fluxo de atendimento, as equipes esclareceram dúvidas e orientaram sobre os sinais de alerta.
Pacientes do Hospital de Base foram orientados a respeito da disfagia | Fotos: Divulgação/IgesDF
Além do atendimento habitual, os profissionais explicaram que a disfagia pode ter diferentes causas. Entre elas, estão fatores mecânicos, como traumas e cirurgias na região da laringe e da cavidade oral, além de causas neurológicas. A condição pode atingir pessoas de todas as idades, embora seja mais frequente em idosos.
A fonoaudióloga do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), Ana Patrícia Queiroz, destaca que a disfagia também é comum em crianças com paralisia cerebral e síndromes, em pessoas que sofreram acidente vascular cerebral (AVC) e em pacientes em tratamento oncológico.
“Quem tiver engasgos com frequência deve procurar uma avaliação médica, já que existe risco de broncoaspiração”Ana Patrícia Queiroz, fonoaudióloga
“Quem tiver engasgos com frequência deve procurar uma avaliação médica, já que existe risco de broncoaspiração, que é quando alimentos entram no pulmão. Outro risco são os engasgos noturnos, que costumam ser confundidos com refluxo e acontecem durante a apneia do sono. Geralmente são tosses secas, com sensação de acidez na garganta e de afogamento salivar”, explica.
Nos quadros mais graves, a disfagia pode levar a complicações sérias, como obstrução das vias aéreas por engasgos e até pneumonia, causada pela entrada de alimentos nos pulmões. Ainda assim, a condição pode ser controlada com acompanhamento especializado e exercícios de reabilitação conduzidos por fonoaudiólogos.
“A reabilitação ajuda a trazer qualidade de vida e tranquilidade para o paciente. Ele pode não voltar a conseguir comer carnes de churrasco, por exemplo, mas poderá se alimentar com consistências mais seguras para a deglutição”, completa a especialista.
A doença pode ser controlada com acompanhamento e exercícios conduzidos por fonoaudiólogos
Entre os pacientes orientados durante a ação estava a aposentada Eliene Morgado Bembem Alves, de 70 anos. Ela conta que não conhecia a disfagia, apesar de já ter enfrentado episódios frequentes de engasgo. “Nunca tinha ouvido falar disso. Achei muito interessante e vou pesquisar melhor para ver se procuro um profissional”, relata.
Quando procurar atendimento
Em caso de suspeita de disfagia, a recomendação é buscar avaliação profissional. No Distrito Federal, o primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
Após essa avaliação inicial, se houver indicação, o paciente é inserido no sistema de regulação da Secretaria de Saúde e encaminhado para atendimento especializado, que pode envolver gastroenterologista, otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo.