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Ministro sinalizou que julgamento do tema pode ocorrer após as eleições

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta terça-feira que uma “questão temporal” favorece a decisão, pela Corte, sobre a obrigação do pagamento de emendas parlamentares, a chamada impositividade. No ano que vem, essas verbas chegarão a R$ 44,8 bilhões.
Segundo o ministro, o pós-eleição é “momento adequado” para que o Supremo volte a discutir o “tema tão tormentoso” da destinação das verbas indicadas por integrantes do Congresso Nacional.
O encerramento e início de uma legislatura — o mandato dos deputados e senadores — facilitaria uma “eventual transição” no regime das emendas. A data do julgamento, no entanto, deve ser marcada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
A ponderação ocorreu durante audiência pública sobre a responsabilidade na destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares impositivas. Dino ressaltou que não propõe o debate sobre o tema, no plenário do STF, durante o período eleitoral, porque seria algo “desleal ao Congresso”.
— Imaginemos se eu pautasse isso faltando 15 dias para a eleição, seria uma atitude desrespeitosa. Jamais pautaria isso agora — disse, destacando que, em meio a campanha, os parlamentares não têm condições de se reunirem em uma sessão do Congresso.
O relator classificou o tema como um “problema muito difícil, enraizado” e indicou que, nesses casos, “o caminho tem que ser progressivo”.
— Um caminho que seja tudo ou nada costuma dar em nada. Fatos recentes inclusive demonstram essa realidade institucional no pais. Fui cobrado porque não coloco para julgar? Porque o processo ainda não está pronto para julgar — afirmou.
Ao lado do ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente da Corte, Dino indicou ainda que há a possibilidade de o julgamento se estender até a presidência do colega, que assume o posto no fim de 2027, por se tratar de um tema complexo.
Durante o evento nesta manhã e início de tarde, Dino destacou que a audiência deve ser a “última” a ser realizada. O ministro avaliou que, em seu entendimento, a instrução da ação sobre as emendas já está se encerrando e apontou que está tentando “abrir um cardápio de soluções” para quando o plenário deliberar sobre o tema.
— Estamos procurando construir alternativas para expor ao colegiado. Há desde a possibilidade de eventualmente se manter tudo como está até o acolhimento da tese de uma das ações, da retirada de todo esse regime novo das emendas impositivas. Entre céu e terra há muitas alternativas — afirmou.
Em outro momento da audiência, Dino destacou que é necessário se avançar no tema das emendas especialmente do ponto de vista da eficiência, relacionada à economicidade, qualidade do gasto público.
Nessa linha, o ministro anotou que a edição de “portarias cardápio” pelo poder público podem enquadrar as emendas em parâmetros compatíveis com as políticas públicas escolhidas pelos poderes do estado. Nesse contexto, o ministro criticou o que chamou de “solipsismo parlamentar”, quando, no campo da política, “cada um constrói a sua prioridade”.
— O mandato popular dá esse tipo de autorização para que haja alocação impositiva de recursos segundo prioridades pessoais, republicanas ou não? Esse é o parâmetro que eu particularmente creio que nós, enquanto pudermos, antes do julgamento no plenário, devemos dedicar atenção especial — pontuou.
BS20260922163546.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/09/22/dino-diz-que-questao-temporal-favorece-decisao-do-stf-sobre-pagamento-obrigatorio-de-emendas-parlamentares.ghtml

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